# Múcio e o “abrir o portão”: frase sobre invasão dos EUA é de agosto e volta às redes junto com o corte de R$ 4,3 bi na Defesa

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- Published: 2026-11-02T00:00:46-03:00
- Author: Caio Menezes

A frase do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, sobre abrir o portão numa invasão
dos Estados Unidos voltou a circular nas redes neste fim de semana, ao lado do bloqueio
bilionário no orçamento das Forças Armadas e da suspensão de operações do Exército
na fronteira. Os três fatos são verdadeiros, mas nenhum é desta semana. A frase 
foi dita em 4 de agosto. O bloqueio de R$ 4,3 bilhões na Defesa é de maio, e a suspensão
das operações veio a público no começo de junho.

A volta do assunto acontece num momento em que a pasta está em transição. Múcio 
avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que não fica no cargo a partir
de 2027, e o nome mais citado para a vaga é o da secretária-geral do ministério,
Cinara Wagner Fredo, como a Folha mostrou na reportagem sobre [Cinara Wagner Fredo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cinara-wagner-fredo/).

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 * [O que Múcio disse sobre abrir o portão](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mucio-abrir-o-portao/#O_que_Mucio_disse_sobre_abrir_o_portao)
 * [O bloqueio na Defesa e as operações na fronteira](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mucio-abrir-o-portao/#O_bloqueio_na_Defesa_e_as_operacoes_na_fronteira)
 * [Quanto o Brasil gasta com as Forças Armadas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mucio-abrir-o-portao/#Quanto_o_Brasil_gasta_com_as_Forcas_Armadas)
 * [O que muda em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mucio-abrir-o-portao/#O_que_muda_em_2027)

## O que Múcio disse sobre abrir o portão

A declaração foi dada numa terça-feira, 4 de agosto, num evento da Confederação 
Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria. Diante de uma
pergunta hipotética sobre o que o Brasil faria se fosse invadido pelos Estados Unidos,
o ministro respondeu: “Eu prefiro abrir o portão”. Em seguida, explicou o motivo:“
Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro
para consertar o portão”. A plateia riu.

Múcio usou a imagem para pedir mais dinheiro para a Defesa, e não para anunciar 
rendição. No mesmo discurso, comparou o investimento militar a um plano de saúde:“
A gente escolhe o melhor torcendo para não precisar usar”. Também disse que às vezes
falta coragem para pedir recursos, “porque o Brasil precisa de outras oportunidades”.
O Ministério da Defesa não comentou a repercussão da fala na época.

A declaração saiu num período de atrito entre Brasília e o governo de Donald Trump,
que meses depois voltaria a falar do Brasil ao comentar a eleição, como mostrou 
a reportagem em que Trump diz que a [eleição foi uma desgraça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/eleicao-foi-uma-desgraca/).

![Ilustração de portão de quartel do Exército aberto numa estrada de terra na fronteira
amazônica, sobre a frase abrir o portão](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/
uploads/2026/11/mucio-abrir-o-portao-2.png)

Portão de quartel aberto na fronteira, imagem que ilustra a frase de Múcio. Ilustração
gerada por IA (Gemini), não é foto de um lugar real

## O bloqueio na Defesa e as operações na fronteira

O corte que aparece junto com a frase nas redes é anterior a ela. Em maio, o governo
bloqueou R$ 4,36 bilhões em despesas discricionárias da Defesa, as que não são obrigatórias,
como parte do contingenciamento do Orçamento de 2026. Cerca de R$ 1,5 bilhão desse
total era do Exército, segundo fontes militares ouvidas pela imprensa em junho.

Com o dinheiro retido, o Exército suspendeu ações de monitoramento e combate ao 
crime organizado na fronteira. A informação veio a público em 8 de junho, e o Ministério
da Defesa não se manifestou quando foi procurado. Em junho, o próprio Múcio chegou
a classificar a situação das Forças Armadas como “precaríssima”. Em 24 de julho,
o governo sinalizou a liberação de parte dos recursos bloqueados, sem dizer quanto
iria para a Defesa.

Até a publicação desta reportagem, a Folha não encontrou um bloqueio novo na Defesa
anunciado depois da eleição, nem nota do Exército sobre a situação atual das operações
de fronteira.

## Quanto o Brasil gasta com as Forças Armadas

Os números mostram por que o ministro reclama e por que a frase incomodou. Pelos
dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo ([Sipri](https://www.sipri.org/databases/milex)),
o Brasil gastou US$ 23,9 bilhões com defesa em 2025, alta de 13% acima da inflação
em relação ao ano anterior. Em proporção da economia, porém, o gasto caiu de 1,3%
do PIB em 2016 para 1,1% em 2025.

A maior parte desse dinheiro vai para salários, aposentadorias e pensões de militares.
Pesquisadores da área estimam que só de 6% a 8% do orçamento da Defesa sobra para
modernização, compra de equipamento e pesquisa. Uma lei complementar aprovada em
novembro de 2025 permitiu que até cerca de R$ 5 bilhões por ano em projetos estratégicos
fiquem fora da meta fiscal, mas o valor não é repassado de forma automática.

Depois da repercussão da fala de agosto, Lula disse que a defesa deveria ser tratada
como “extremamente urgente e prioritária” e que o tema entraria no programa de governo
do quarto mandato.

## O que muda em 2027

Lula toma posse em 1º de janeiro e ainda monta a equipe. Além da Defesa, estão em
aberto ministérios como a Fazenda, e a agenda do presidente até dezembro inclui 
viagens à Turquia, às Filipinas, ao Uruguai e aos Estados Unidos, como contou a 
reportagem sobre as [viagens de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/viagens-de-lula/).

O próximo ministro da Defesa vai herdar o mesmo problema que Múcio expôs com a frase
do portão: um orçamento que cresce em valor, mas encolhe em proporção da economia,
e que gasta a maior parte com pessoal. A proposta de Orçamento de 2027 ainda tramita
no Congresso, e a fatia da Defesa pode mudar até a votação.
