# Marcelo Suano diz que o problema da eleição está no processo, e não na urna

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- Published: 2026-10-28T14:36:41-03:00
- Author: Caio Menezes

O cientista político Marcelo Suano publicou na segunda-feira (26) um vídeo em que
diz nunca ter se preocupado com a urna eletrônica e aponta o processo eleitoral 
como o lugar onde, na opinião dele, o risco aparece. O vídeo, de cerca de 50 segundos,
não cita nenhuma decisão, nenhum processo e nenhuma data.

A Folha não encontrou, até a publicação desta matéria, decisão da Justiça nem manifestação
do TSE que aponte fraude no resultado do segundo turno, realizado no domingo (25).
O que está no vídeo é a opinião de um analista, e é assim que ela é apresentada 
aqui.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#)

 * [O que ele diz no vídeo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#O_que_ele_diz_no_video)
 * [O que o vídeo não explica](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#O_que_o_video_nao_explica)
 * [O que o TSE diz sobre conferir o resultado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#O_que_o_TSE_diz_sobre_conferir_o_resultado)
 * [O voto impresso já foi barrado duas vezes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#O_voto_impresso_ja_foi_barrado_duas_vezes)
 * [O que o Centro Carter disse sobre a Venezuela](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#O_que_o_Centro_Carter_disse_sobre_a_Venezuela)
 * [O que se sabe e o que não se sabe](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marcelo-suano-urnas/#O_que_se_sabe_e_o_que_nao_se_sabe)

## O que ele diz no vídeo

Identificado na tela como cientista político, com atuação em risco político e relações
internacionais, Suano começa afirmando que nunca se preocupou com as urnas. Descreve
em seguida um modelo em que o eleitor vota na máquina, recebe um comprovante em 
papel, confere o que está impresso e o deposita numa urna física, para o caso de
uma auditoria.

Ele usa a Venezuela como exemplo e diz que ali “se comprovou que houve fraude” na
eleição de Nicolás Maduro. Depois muda o foco: “A minha preocupação sempre foi com
o processo eleitoral”, afirma. Na parte final, descreve uma situação em que alguém
faz uma reivindicação, um único julgador decide sozinho e, quando a decisão é questionada,
a questão é mandada ao plenário. É a isso que ele dá o nome de fraude.

## O que o vídeo não explica

Suano não diz a qual decisão se refere, e a Folha não afirma que ele fale de um 
caso específico. O contexto, no entanto, é recente. No domingo da votação, o ministro
Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu sozinho prorrogar o fim da
votação do segundo turno, de 17h para 19h, em todo o país. O pedido partiu da campanha
de Lula, que relatou restrições na circulação de ônibus em vários estados. A campanha
de Flávio Bolsonaro também pediu mais tempo, só em alguns municípios de Minas Gerais
e do Rio Grande do Sul, por causa de chuvas.

A apuração foi suspensa às 17h06, com 1.225 das 499.248 seções apuradas, e retomada
às 19h, segundo o TSE. Zanin esclareceu depois que a prorrogação valia apenas onde
as urnas ainda estavam abertas. O ex-governador Romeu Zema chamou a decisão de “
ilegal e perigosa”, [como a Folha mostrou](https://folhadepatrocinio.com/noticias/zema-critica-zanin/).

Decisão monocrática é a que um ministro toma sozinho, sem esperar o colegiado. No
Supremo, em regra, ela pode ser questionada por recurso e levada ao plenário ou 
a uma das turmas.

![Marcelo Suano falando em entrevista, de óculos redondos e paletó azul](https://
folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/marcelo-suano-urnas-2.webp)

Suano em vídeo publicado em 26 de outubro. Foto: Reprodução

## O que o TSE diz sobre conferir o resultado

Quanto à urna, o TSE descreve uma sequência de etapas. Antes da votação, ela emite
a zerésima, relatório que mostra que nenhum voto está registrado e que é assinado
pelo presidente da mesa, pelo secretário e pelos fiscais dos partidos e das coligações
que quiserem. Ao fim, imprime o boletim de urna, o BU, com os votos de cada candidato,
os brancos e nulos, o comparecimento e os horários de abertura e encerramento.

São cinco vias obrigatórias e até 15 adicionais. Uma fica afixada em local visível
na seção, três vão ao cartório eleitoral e uma é entregue aos fiscais dos partidos.
Segundo o tribunal, os eleitores podem comparar o boletim afixado com o que o TSE
divulga no site. As informações constam na página [Votação segura](https://www.tse.jus.br/eleicoes/historia/processo-eleitoral-brasileiro/votacao/votacao-segura),
do próprio tribunal.

Sobre o comprovante em papel que Suano descreve, a posição do TSE é que o voto impresso
traz riscos. Para o tribunal, cédulas com os números digitados facilitariam a quebra
do sigilo do voto, e uma recontagem exigiria que pessoas manuseassem os papéis, 
o que abriria espaço para adulteração.

## O voto impresso já foi barrado duas vezes

A ideia de um registro em papel já passou pelo Judiciário e pelo Congresso. Em setembro
de 2020, o Supremo julgou inconstitucional o trecho da Lei das Eleições que previa
a impressão do voto (ADI 5889). Em 10 de agosto de 2021, o plenário da Câmara rejeitou
a PEC do voto impresso, com 229 votos a favor e 218 contra. A emenda precisava de
308 votos para passar, segundo [a própria Câmara](https://www.camara.leg.br/noticias/792343-camara-rejeita-proposta-que-tornava-obrigatorio-o-voto-impresso/).

Em Patrocínio (MG), a Justiça Eleitoral fez um teste das urnas antes do primeiro
turno, em setembro, [como a Folha registrou](https://folhadepatrocinio.com/noticias/teste-das-urnas-patrocinio/).
Os dois candidatos do segundo turno também já falaram sobre as urnas em outras ocasiões,
e a Folha reuniu [o que Lula e Flávio já disseram sobre elas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/voce-confia-nas-urnas/).

## O que o Centro Carter disse sobre a Venezuela

O exemplo da Venezuela tem uma versão própria. O Centro Carter, que acompanhou a
eleição de 28 de julho de 2024 a convite do órgão eleitoral venezuelano, afirmou
que não conseguiu verificar o resultado anunciado e que a votação não atendeu a 
padrões internacionais de integridade eleitoral nem pôde ser considerada democrática.
Um dos problemas apontados foi a falta de divulgação dos resultados por seção eleitoral.

## O que se sabe e o que não se sabe

Até aqui, o que existe é uma opinião. Suano não apresenta prova, não indica o caso
a que se refere e usa a palavra fraude para falar de um trâmite judicial, sem apontar
erro na contagem dos votos. A Folha não encontrou nenhuma explicação dele sobre 
qual decisão tem em mente, e o espaço segue aberto para que ele esclareça.
