# Major da PM de SP é acusado pelo MP de filmar tenente no banho no alojamento da Casa Militar

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- Published: 2026-11-02T00:36:12-03:00
- Author: Caio Menezes

Um major da PM de SP responde na Justiça Militar à acusação de ter filmado uma tenente,
sua subordinada, enquanto ela tomava banho no alojamento feminino da Casa Militar,
dentro do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O oficial é Leonardo
Casabona, que era capitão na época. A denúncia foi apresentada em 26 de maio pela
4ª Promotoria de Justiça Militar e veio a público nesta semana. O nome da tenente
não foi divulgado.

Segundo a acusação, o caso aconteceu por volta das 23h de 9 de outubro de 2024. 
A promotora Giovana Ortolano Guerreiro escreveu que o oficial agiu “de forma clandestina
e sem consentimento da vítima”. A defesa diz que tudo não passou de um mal-entendido
e de uma brincadeira de mau gosto.

Table of Contents

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 * [O que diz a denúncia contra o major da PM de SP](https://folhadepatrocinio.com/noticias/major-da-pm-de-sp/#O_que_diz_a_denuncia_contra_o_major_da_PM_de_SP)
 * [Como o caso chegou ao governador](https://folhadepatrocinio.com/noticias/major-da-pm-de-sp/#Como_o_caso_chegou_ao_governador)
 * [A punição disciplinar foi uma repreensão](https://folhadepatrocinio.com/noticias/major-da-pm-de-sp/#A_punicao_disciplinar_foi_uma_repreensao)
 * [O caso no meio da disputa por dossiês na segurança de SP](https://folhadepatrocinio.com/noticias/major-da-pm-de-sp/#O_caso_no_meio_da_disputa_por_dossies_na_seguranca_de_SP)
 * [Crimes contra a intimidade e onde denunciar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/major-da-pm-de-sp/#Crimes_contra_a_intimidade_e_onde_denunciar)

## O que diz a denúncia contra o major da PM de SP

Pelo relato que está no processo, a tenente percebeu um celular apontado para ela
por baixo da porta do boxe. Saiu enrolada em uma toalha e encontrou o então capitão
no corredor, com o aparelho na mão. Ao ser questionado sobre o que estava fazendo,
ele teria respondido: “Nada, eu iria só zoar”. Mensagens trocadas depois, anexadas
aos autos, mostram o oficial pedindo desculpas e dizendo que não tinha feito nada
e que só queria brincar.

O Ministério Público enquadrou o caso no artigo 216-B do [Código Penal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm),
que trata do registro não autorizado da intimidade sexual. O crime foi criado em
2018 e prevê detenção de seis meses a um ano, além de multa, para quem filma, fotografa
ou registra, sem autorização, cena de nudez ou de ato íntimo de outra pessoa. O 
processo corre em segredo de Justiça e será julgado por um Conselho Especial de 
Sentença, formado por quatro coronéis e um juiz auditor da Justiça Militar de São
Paulo. O major não foi condenado.

![Major da PM de SP Leonardo Casabona em evento da Polícia Militar](https://folhadepatrocinio.
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Leonardo Casabona, major da PM de São Paulo, que responde na Justiça Militar. Foto:
Divulgação/PMSP

## Como o caso chegou ao governador

A tenente contou o que aconteceu à capitã Iara Maria, mulher de Guilherme Derrite,
então secretário da Segurança Pública de São Paulo. Iara avisou o marido, que levou
o caso ao governador Tarcísio de Freitas. Em 14 de outubro de 2024, cinco dias depois
do episódio, a tenente formalizou a denúncia na Corregedoria da PM.

Tarcísio mandou afastar o oficial da Casa Militar. Ele foi transferido para o 21º
Batalhão da PM, na Baixada Santista, e passou a ser alvo de uma sindicância. Na 
época, a Casa Militar era chefiada pelo coronel Henguel Ricardo Pereira, hoje secretário-
adjunto da Segurança Pública, que não foi avisado diretamente pela subordinada.

## A punição disciplinar foi uma repreensão

Na esfera administrativa, o resultado foi leve. Um boletim reservado do Comando 
de Policiamento do Interior 6, de 18 de maio de 2026, registrou repreensão ao oficial
por perturbar a tranquilidade do alojamento feminino ao golpear um biombo, sob o
pretexto de uma “interação lúdica”. O documento classifica a medida como “sanção
disciplinar leve” e não menciona a suspeita de gravação. Oito dias depois, o Ministério
Público apresentou a denúncia criminal.

Em audiência no dia 8 de outubro deste ano, Casabona sustentou a versão de mal-entendido.
Procurado pela imprensa, não quis se manifestar. A advogada da tenente, Gabriela
Manssur, também não respondeu aos pedidos de entrevista. A Polícia Militar não tinha
se manifestado publicamente sobre o processo até a publicação desta reportagem.

## O caso no meio da disputa por dossiês na segurança de SP

A defesa do major levanta a suspeita de motivação política na acusação. O processo
veio à tona no momento em que o nome do coronel Henguel é cotado para comandar a
Secretaria da Segurança Pública no próximo mandato de Tarcísio. Henguel disse conhecer
dossiês que, segundo ele, foram produzidos para prejudicá-lo, e questionou o papel
de Derrite no encaminhamento da denúncia. Derrite, eleito senador em outubro, não
quis comentar.

Segundo os relatos sobre a crise, Tarcísio avisou a cúpula da segurança que vai 
afastar todos os envolvidos se a troca de dossiês não parar. O governador atribui
os documentos a oficiais da PM insatisfeitos. A disputa ocorre enquanto ele já admite
disputar a Presidência, como mostrou a reportagem sobre [Tarcísio candidato em 2030](https://folhadepatrocinio.com/noticias/tarcisio-candidato-em-2030/).

## Crimes contra a intimidade e onde denunciar

Gravar alguém nu ou em situação íntima sem autorização é crime mesmo que as imagens
não sejam divulgadas. Se forem compartilhadas, a pena é maior, pelo artigo 218-C
do Código Penal, que prevê de um a cinco anos de reclusão. A Folha publicou nesta
semana outros casos de crime sexual, como os da a [importunação sexual em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/importunacao-sexual-em-patrocinio/)
e do [parque aquático em Caldas Novas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/parque-aquatico-em-caldas-novas/).
A vítima pode procurar qualquer delegacia, a Polícia Militar pelo 190 ou a Central
de Atendimento à Mulher, pelo 180, que funciona 24 horas.
