# Maioridade penal: Lula diz ser a favor de reduzir para 16 anos em crime hediondo, mas não na PEC da Segurança

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- Published: 2026-10-30T15:46:40-03:00
- Author: Caio Menezes

O presidente Lula (PT) disse ser a favor de reduzir a maioridade penal de 18 para
16 anos nos crimes hediondos, mas não pela PEC da Segurança Pública, que está parada
no Senado. A declaração foi dada na sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, na
quinta-feira 15 de outubro, dez dias antes do segundo turno. “Meu pensamento, enquanto
cidadão, eu sou a favor de reduzir a maioridade penal para todo e qualquer crime
hediondo”, disse ele à jornalista Renata Lo Prete.

Na mesma resposta, Lula separou a opinião pessoal da posição do governo no Congresso:“
Eu sou favorável a reduzir para 16 anos, mas não nessa PEC”. Quinze dias depois,
já reeleito, ele não apresentou proposta própria sobre o tema, e a PEC continua 
sem data para voltar ao plenário do Senado.

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 * [O que Lula disse sobre a maioridade penal](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maioridade-penal-lula/#O_que_Lula_disse_sobre_a_maioridade_penal)
 * [Por que a votação da PEC da Segurança parou](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maioridade-penal-lula/#Por_que_a_votacao_da_PEC_da_Seguranca_parou)
 * [O dilema criado pela emenda de Marinho](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maioridade-penal-lula/#O_dilema_criado_pela_emenda_de_Marinho)
 * [A redução já passou pela Câmara uma vez](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maioridade-penal-lula/#A_reducao_ja_passou_pela_Camara_uma_vez)
 * [O que acontece agora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maioridade-penal-lula/#O_que_acontece_agora)

## O que Lula disse sobre a maioridade penal

A frase do presidente trata dos crimes hediondos, uma lista fechada na Lei 8.072,
de 1990. Entram nela o homicídio qualificado, o latrocínio, a extorsão mediante 
sequestro, o estupro e o estupro de vulnerável, entre outros. A Constituição dá 
o mesmo tratamento a tortura, tráfico de drogas e terrorismo, que são equiparados
a hediondos.

Hoje, o artigo 228 da [Constituição Federal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm)
diz que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e respondem pela legislação
especial, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Pelo ECA, o adolescente 
que comete um ato infracional cumpre medida socioeducativa. A mais dura é a internação,
que dura no máximo três anos, com liberação obrigatória aos 21 anos de idade.

Baixar essa idade, portanto, exige mudar a Constituição. Por isso o assunto foi 
parar dentro de uma PEC, e não de um projeto de lei comum.

## Por que a votação da PEC da Segurança parou

A PEC 18/2025 foi enviada pelo governo e aprovada pela Câmara. O texto coloca na
Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), abre caminho para as polícias
municipais e amplia a atuação federal contra facções criminosas. A Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado concluiu a votação em 14 de outubro e mandou a proposta
ao plenário.

A votação estava marcada para o dia seguinte, 15 de outubro, mas o presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tirou a PEC da pauta. O motivo foi uma emenda
do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que reduz a maioridade penal para
16 anos nos crimes hediondos, na tortura, no tráfico de drogas, no terrorismo e 
na associação criminosa.

Senadores da base do governo, como Teresa Leitão (PT-PE), rejeitam qualquer emenda
ao texto. A conta é de prazo: se o Senado mudar uma vírgula do que a Câmara aprovou,
a PEC volta para os deputados. Para passar, a proposta precisa de 49 dos 81 votos,
em dois turnos de votação.

## O dilema criado pela emenda de Marinho

A emenda complica a vida do governo no plenário. Votar contra significa rejeitar
uma redução que o próprio Lula diz apoiar como cidadão. Aceitar significa atrasar
a principal proposta de segurança do governo e devolvê-la à Câmara, que já aprovou
a redução uma vez, em 2015.

Marinho também está no centro de outra briga com Alcolumbre. O PL discute lançar
o senador contra o atual presidente na disputa pelo comando do Senado, como a Folha
mostrou na reportagem sobre a [disputa entre Marinho e Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marinho-e-alcolumbre/).

## A redução já passou pela Câmara uma vez

Não é a primeira vez que o Congresso discute o tema. Em 2015, a Câmara aprovou a
PEC 171/1993, que baixava a maioridade penal para 16 anos nos crimes hediondos, 
no homicídio doloso e na lesão corporal seguida de morte. No Senado, a proposta 
ganhou outro número e nunca foi votada em plenário.

Há ainda uma discussão jurídica sem resposta definitiva. Parte dos juristas sustenta
que a idade de 18 anos é cláusula pétrea, por ser um direito individual, e que nem
uma emenda à Constituição poderia mudá-la. Outra parte entende que o Congresso pode
alterar a idade. O Supremo Tribunal Federal nunca julgou a questão de mérito.

## O que acontece agora

Até esta sexta-feira (30), Alcolumbre não tinha marcado nova data para a votação
da PEC no plenário. A proposta é tratada como prioridade pelo Ministério da Justiça,
que pode trocar de comando no segundo mandato. Um dos nomes cotados é o do advogado
Pierpaolo Bottini, como a Folha contou na matéria sobre o [ex-advogado de Vorcaro cotado para o Ministério da Justiça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ex-advogado-de-vorcaro/).

Quando a emenda de Marinho for a voto, os senadores da base terão de se posicionar
sobre uma redução que Lula defendeu em rede nacional. Se ela for aprovada, a PEC
inteira volta para a Câmara, e a redução da idade penal entra de novo na pauta dos
deputados. Lá, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) negocia um bloco do qual
o PT ameaça sair se o PL entrar, como a Folha mostrou na matéria sobre o [bloco de Motta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bloco-de-motta/).
