# Maior IVA do mundo: CBS do TCU leva projeção do Brasil a 30%, acima dos 27% da Hungria

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- Published: 2026-10-29T09:37:12-03:00
- Author: Caio Menezes

O cálculo da CBS que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na quarta-feira(
28), de 11,3468% para 2027, levou tributaristas a refazer uma conta: somado ao IBS
estimado em 18,7%, o imposto sobre consumo do Brasil chegaria a cerca de 30,05%.
Se esse número se confirmar, o país passa a ter o maior IVA do mundo, acima dos 
27% da Hungria, que hoje lidera a lista. A decisão do TCU e os detalhes do cálculo
estão [nesta reportagem da Folha sobre a alíquota da CBS de 11,3%](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/).

O número de 30% é uma projeção, e não a alíquota oficial. A CBS de 2027 ainda depende
do Senado, que tem até 15 de dezembro para fixá-la por resolução, e a alíquota do
IBS ainda não foi definida por ninguém. Também não é o percentual que todo produto
vai pagar: a lei reduz ou zera o imposto de uma lista longa de itens, e é justamente
essa lista que empurra a alíquota geral para cima.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#)

 * [De onde vem a projeção do maior IVA do mundo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#De_onde_vem_a_projecao_do_maior_IVA_do_mundo)
 * [Quem tem o maior IVA hoje](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#Quem_tem_o_maior_IVA_hoje)
 * [O que diz a trava de 26,5% da lei](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#O_que_diz_a_trava_de_265_da_lei)
 * [O que coube ao Congresso e ao governo Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#O_que_coube_ao_Congresso_e_ao_governo_Lula)
 * [O argumento do governo: alíquota de referência não é o que todo produto paga](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#O_argumento_do_governo_aliquota_de_referencia_nao_e_o_que_todo_produto_paga)
 * [Os próximos passos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/#Os_proximos_passos)

## De onde vem a projeção do maior IVA do mundo

A reforma tributária troca cinco tributos por um IVA dividido em dois. A CBS, federal,
substitui PIS e Cofins. O IBS, de estados e municípios, substitui ICMS e ISS. A 
alíquota que o consumidor vê na nota é a soma das duas.

A parte federal veio do TCU. O plenário aprovou o cálculo de 11,3468%, arredondado
para 11,3%, com relatoria do ministro Vital do Rêgo. Segundo o relator, a conta 
não buscou “a maior arrecadação possível nem a menor alíquota imaginável”, e sim
o percentual que mantém a arrecadação no nível que a Constituição exige. O tribunal
também fixou um redutor de 44,16% para as compras do poder público.

A parte estadual e municipal vem de um documento do Comitê Gestor do IBS, o órgão
que reúne estados e municípios. Na Resolução CGIBS 14/2026, de julho, o comitê usou
uma alíquota de referência de 18,7% para projetar a arrecadação do IBS em 2027. 
É um número de trabalho, usado para estimar receita e o orçamento do próprio comitê.
Antes da decisão do TCU, a conta do comitê dava 27,91%, com 18,7% de IBS e 9,21%
de CBS. Com a CBS do TCU no lugar dos 9,21%, a soma sobe para 30,05%.

## Quem tem o maior IVA hoje

Na tabela de alíquotas padrão de IVA mantida pela consultoria PwC, revisada ao longo
de 2026, a Hungria aparece sozinha no topo, com 27%. Logo atrás vêm a Finlândia,
com 25,5%, e um grupo com 25%: Suécia, Dinamarca, Noruega e Croácia. Portugal cobra
23%. A Rússia subiu a alíquota de 20% para 22% em 1º de janeiro de 2026, por uma
lei federal sancionada em novembro de 2025.

Na América Latina, a Argentina cobra 21%, o Chile e a Colômbia, 19%, e o Peru, 18%,
contando o imposto de promoção municipal de 2%. O México fica em 16%, e o Paraguai,
em 10%, a mesma alíquota do imposto sobre consumo do Japão. Com 30,05%, o Brasil
passaria a Hungria em pouco mais de 3 pontos percentuais.

![Gráfico da Folha com a alíquota padrão de IVA por país e a projeção de 30% que
daria ao Brasil o maior IVA do mundo](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/
2026/10/maior-iva-do-mundo-2.webp)

Alíquota padrão do IVA em 2026 em 11 países (tabela da PwC; Rússia, Lei Federal 
425-FZ) e a projeção de cerca de 30% para o Brasil, que soma a CBS calculada pelo
TCU ao IBS estimado pelo Comitê Gestor. Arte: Folha de Patrocínio. Foto no gráfico:
Cadu Gomes/VPR (CC BY 2.0)

## O que diz a trava de 26,5% da lei

A trava existe, mas não funciona como um teto automático. Ela está no artigo 475
da Lei Complementar 214/2025, a lei que regulamentou a reforma. O texto manda o 
governo fazer uma avaliação dos regimes favorecidos a cada cinco anos. A primeira
usa os dados de 2030 e serve para estimar as alíquotas de referência da CBS e do
IBS de 2033.

Se a soma estimada passar de 26,5%, o Poder Executivo, ouvido o Comitê Gestor do
IBS, tem de mandar ao Congresso um projeto de lei complementar com medidas que levem
o percentual a 26,5% ou menos. O projeto precisa sair em até 90 dias depois da avaliação
e mexer no alcance dos regimes diferenciados, isto é, nos benefícios. A lei também
prevê que a CBS de 2030 e as alíquotas de 2035 sejam reduzidas se a arrecadação 
passar dos tetos de referência. Nada disso corta a alíquota de 2027.

## O que coube ao Congresso e ao governo Lula

A reforma começou com a Emenda Constitucional 132, que o Congresso aprovou e promulgou
em 20 de dezembro de 2023. As regras de funcionamento vieram com a Lei Complementar
214, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula em 16 de janeiro 
de 2025. Ao longo da tramitação, deputados e senadores ampliaram a lista de exceções,
com alíquota zero para a cesta básica nacional, redução de 60% para saúde e educação,
de 30% para profissionais liberais e regimes específicos para setores como combustíveis
e serviços financeiros.

Cada exceção tira arrecadação, e a alíquota geral sobe para compensar. Em 2024, 
o Ministério da Fazenda estimava uma alíquota média de 26,5%, com 8,8% de CBS e 
17,7% de IBS. Com as mudanças feitas pelo Congresso, as estimativas passaram para
perto de 28%. Com a CBS do TCU, a projeção passa de 30%.

![Haddad, Pacheco, Lula e Alckmin aplaudem na sanção da lei da reforma tributária,
que pode dar ao Brasil o maior IVA do mundo](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/
uploads/2026/10/maior-iva-do-mundo-3-scaled.webp)

Da esquerda para a direita, Fernando Haddad (Fazenda), Rodrigo Pacheco (então presidente
do Senado), Lula e Geraldo Alckmin na sanção da Lei Complementar 214, em 16 de janeiro
de 2025, no Palácio do Planalto. Foto: Cadu Gomes/VPR (CC BY 2.0)

## O argumento do governo: alíquota de referência não é o que todo produto paga

Desde a tramitação da reforma, o Ministério da Fazenda sustenta que a alíquota de
referência serve de régua para a arrecadação e não é o que cada item paga. A Lei
Complementar 214 prevê alíquota zero para a cesta básica, cortes de 30% e 60% em
várias áreas e o cashback para famílias do CadÚnico com renda de até meio salário
mínimo por pessoa. Nessas famílias, a lei devolve 100% da CBS e 20% do IBS pagos
no botijão de gás, na conta de luz, de água, de esgoto e de telecomunicações, e 
20% dos dois tributos nas demais compras. No cálculo do TCU, a devolução às famílias
de baixa renda tira R$ 10,51 bilhões da arrecadação da CBS.

Até a manhã desta quinta-feira (29), a Folha não encontrou nota do Ministério da
Fazenda sobre o número aprovado pelo TCU. O governo estima arrecadar R$ 636 bilhões
com a CBS em 2027, segundo a proposta de Orçamento enviada ao Congresso.

## Os próximos passos

O cálculo segue agora para o Senado, que pode aceitar os 11,3% ou fixar outro percentual
por resolução até 15 de dezembro. Se os senadores não votarem, vale o número do 
TCU. Em 2027 e 2028, o IBS será cobrado só em caráter de teste, com 0,1%, e a cobrança
integral dos dois tributos começa em 2033. A mesma transição traz outras mudanças
para o ano que vem: o [split payment, que separa o imposto no Pix e no boleto em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-em-2027/),
e o [ICMS sobre combustíveis, que sobe na gasolina, no diesel e no botijão em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/icms-sobre-combustiveis-em-2027/).

O cashback já previsto na lei, que devolve imposto na conta de luz das famílias 
do CadÚnico, foi explicado pela Folha [nesta reportagem sobre a devolução de CBS](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vira-pix/).
A íntegra das regras está na [Lei Complementar 214/2025, no site do Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm),
e a decisão do tribunal foi resumida pela [Agência Senado](https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/28/reforma-tributaria-tcu-calcula-aliquota-da-cbs-em-11-3-para-2027).
