# Machinicídio em Patrocínio? Homem agredido pela companheira morre, e a lei não tem esse crime

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- Published: 2026-10-28T20:59:14-03:00
- Author: Caio Menezes

Morreu na madrugada de terça-feira (27), na UTI da Santa Casa de Patrocínio (MG),
o homem de 38 anos agredido a socos e chutes no rosto pela companheira no sábado(
24), no bairro Santa Terezinha. A morte foi relatada nesta quarta (28), três dias
depois da internação. Com ela voltou a circular a pergunta que aparece quando a 
vítima é homem: existe machinicídio em Patrocínio ou em qualquer lugar do Brasil?
Não existe. A lei não tem um crime com esse nome nem um tipo penal específico para
homem morto pela parceira.

A Polícia Militar, a Polícia Civil e a Santa Casa não divulgaram nota oficial sobre
a morte até a publicação desta reportagem, e o nome do homem não aparece na lista
de falecimentos da funerária consultada pela Folha. Por isso a Folha não divulga
o nome dele. A agressão e a prisão da suspeita constam do relato da PM sobre a ocorrência.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/machinicidio-em-patrocinio/#)

 * [O que a PM relatou sobre a agressão](https://folhadepatrocinio.com/noticias/machinicidio-em-patrocinio/#O_que_a_PM_relatou_sobre_a_agressao)
 * [Machinicídio em Patrocínio: o que diz a lei](https://folhadepatrocinio.com/noticias/machinicidio-em-patrocinio/#Machinicidio_em_Patrocinio_o_que_diz_a_lei)
 * [O que falta saber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/machinicidio-em-patrocinio/#O_que_falta_saber)

## O que a PM relatou sobre a agressão

Militares do 46º Batalhão foram chamados na noite de sábado ao cruzamento das ruas
Miguel Marques e Lindolfo Pereira Guimarães. Encontraram o homem caído no chão, 
sangrando muito pelo nariz e com dificuldade para respirar. Testemunhas disseram
aos policiais que uma mulher o atacou com vários socos e chutes no rosto, e que 
um homem que passava tentou interromper as agressões.

O Samu levou a vítima à Santa Casa. Ele tinha hematomas pelo corpo, trauma no rosto
e um corte no supercílio esquerdo, foi intubado e ficou na Unidade de Terapia Intensiva.
A Folha publicou o caso no dia 26, quando o homem ainda estava internado, na reportagem
sobre [a agressão no bairro Santa Terezinha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/agressao-no-bairro-santa-terezinha/).

Uma equipe do Tático Móvel encontrou a suspeita na rua Manuel Damas. Segundo a PM,
ela admitiu as agressões e disse que atacou o companheiro depois de descobrir uma
suposta traição. A mulher recebeu voz de prisão e foi levada à Delegacia de Polícia
Civil. A Folha não conseguiu confirmar se ela continua presa. Ela é suspeita, e 
a culpa só é definida pela Justiça.

![Ambulância do Samu, serviço que socorreu o homem no caso chamado de machinicídio
em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/machinicidio-
em-patrocinio-2.webp)

Ambulância do Samu. Foto: Prefeitura de Patrocínio

## Machinicídio em Patrocínio: o que diz a lei

“Machinicídio” e “masculinicídio” são palavras que circulam nas redes, não termos
jurídicos. A Folha não encontrou projeto de lei que crie esse crime. O que existe
é o feminicídio, que desde a Lei 14.994, de outubro de 2024, é um crime próprio 
no Código Penal (artigo 121-A), com pena de 20 a 40 anos de reclusão. Ele vale para
quando uma mulher é morta por razões da condição de mulher, o que inclui a violência
doméstica. O texto está no [site do Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14994.htm).

Quando o morto é homem, o caso segue as regras gerais. Se a investigação concluir
que havia intenção de matar, o enquadramento é homicídio (artigo 121), com pena 
de 6 a 20 anos, que sobe para 12 a 30 anos se houver qualificadora, como motivo 
fútil ou torpe. Se a conclusão for que a agressora quis ferir, mas não matar, o 
crime é lesão corporal seguida de morte (artigo 129, parágrafo 3º), com pena de 
4 a 12 anos.

A relação entre os dois também pesa. O artigo 61 do Código Penal manda agravar a
pena quando o crime é cometido “prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação
ou de hospitalidade”, e isso vale para vítima de qualquer sexo. A Lei Maria da Penha,
com medidas protetivas e juizado próprio, protege só mulheres.

## O que falta saber

A PM registrou a ocorrência de sábado como lesão corporal. Com a morte, cabe à Polícia
Civil decidir se o inquérito muda de natureza, e ao Ministério Público definir a
acusação. O laudo de necropsia, feito pelo Instituto Médico Legal, vai dizer se 
a causa da morte foram as agressões. A Folha não conseguiu confirmar se o inquérito
já foi aberto nem qual enquadramento a delegacia adotou. A suposta traição é só 
a versão que a suspeita deu à PM e ainda será analisada na investigação.

A Folha publicou outros casos de violência entre casais na região neste mês. Um 
acusado de feminicídio foi [preso escondido na garagem de um primo em Patos de Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/acusado-de-feminicidio-e-preso/),
e outro homem [descumpriu medida protetiva e invadiu com uma faca a casa da ex](https://folhadepatrocinio.com/noticias/medida-protetiva-jardim-quebec/).
Quem presenciar uma agressão deve ligar para o 190. Vítimas de violência doméstica,
homens ou mulheres, podem procurar a Delegacia de Polícia Civil de Patrocínio.

Esta reportagem será atualizada quando a Polícia Civil ou a Santa Casa se manifestarem.
