# Lula na imprensa estrangeira: WSJ e FT cobram plano para déficit de 9,5% do PIB, número confirmado pelo BC

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- Published: 2026-10-29T20:59:46-03:00
- Author: Caio Menezes

O déficit das contas públicas que os jornais americanos e britânicos usam para cobrar
o novo mandato de Lula existe e está nos números oficiais. Nos 12 meses até setembro,
o setor público brasileiro gastou o equivalente a 9,51% do PIB a mais do que arrecadou,
juros incluídos, segundo o Banco Central. A dívida bruta chegou a 82,93% do PIB.
Desde a reeleição de domingo (25), Lula na imprensa estrangeira vem acompanhado 
dessas duas cifras e da mesma cobrança: um plano para fechar a conta.

Entre segunda (26) e quarta-feira (28), o americano The Wall Street Journal e o 
britânico Financial Times publicaram análises sobre a situação fiscal do país depois
da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). Os dois tratam da reação do mercado
na primeira semana e das medidas de campanha, e dizem que o governo ainda não mostrou
como vai pagar a conta.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#)

 * [O que dizem o WSJ e o Financial Times](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#O_que_dizem_o_WSJ_e_o_Financial_Times)
 * [O que os números do Banco Central mostram](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#O_que_os_numeros_do_Banco_Central_mostram)
 * [A conta das promessas, segundo a IFI](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#A_conta_das_promessas_segundo_a_IFI)
 * [Lula na imprensa estrangeira e a reação do mercado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#Lula_na_imprensa_estrangeira_e_a_reacao_do_mercado)
 * [O que diz o governo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#O_que_diz_o_governo)
 * [O papel do Congresso](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-na-imprensa-estrangeira/#O_papel_do_Congresso)

## O que dizem o WSJ e o Financial Times

Em editorial publicado no começo da semana, o Wall Street Journal afirmou que o 
déficit deve fechar 2026 perto de 10% do PIB e que a dívida pública passa de 82%
do PIB e continua subindo. O jornal associou o resultado ao aumento de gastos do
governo depois do primeiro turno e citou o Goldman Sachs, para quem um ajuste fiscal
é “urgentemente necessário”. Segundo o editorial, os déficits passaram de 8% do 
PIB em cada um dos últimos quatro anos.

O Financial Times usou números quase idênticos aos do Banco Central: déficit de 
9,5% do PIB e dívida de 83%. O jornal britânico registrou que o real teve na segunda-
feira o pior dia desde 1999 e que analistas de bancos e gestoras estrangeiras consideram
insuficiente apenas segurar despesas. Para o JPMorgan, citado pelo jornal, seria
preciso mexer nos gastos obrigatórios. Previdência, salários e outras despesas fixadas
em lei ocupam cerca de 90% do Orçamento, o que deixa pouca margem de corte sem votação
no Congresso.

## O que os números do Banco Central mostram

O déficit perto de 10% do PIB é o resultado nominal, que soma o resultado das contas
e os juros da dívida. Sem os juros, o chamado déficit primário ficou em 0,52% do
PIB nos 12 meses até setembro. Quase toda a diferença, perto de 9 pontos, é o custo
de rolar a dívida com a Selic em 13,75% ao ano.

No começo do terceiro mandato, os números eram outros. Em dezembro de 2022, o déficit
nominal era de 4,57% do PIB e a dívida bruta, de 71,68%. Em setembro de 2026, o 
déficit mais que dobrou, e a dívida subiu 11,25 pontos. A Folha detalhou a evolução
na matéria sobre a [dívida bruta do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/divida-bruta-do-brasil/),
que é atualizada a cada divulgação do [Banco Central](https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais).

![Lula entre os presidentes do Senado e da Câmara no Alvorada, dia seguinte à reeleição,
tema de Lula na imprensa estrangeira](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/
2026/10/lula-na-imprensa-estrangeira-2.webp)

Lula com Davi Alcolumbre (à esquerda) e Hugo Motta no Palácio da Alvorada, em 26
de outubro. Mudanças nos gastos obrigatórios dependem do Congresso. Foto: Ricardo
Stuckert (CC BY-SA 4.0)

## A conta das promessas, segundo a IFI

O Financial Times citou a estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada
ao Senado, de que as medidas do governo somam R$ 298,4 bilhões em 2026. A conta 
inclui medidas anteriores à campanha, como a ampliação da isenção do Imposto de 
Renda, e vai além do gasto direto. Pela conta da IFI, R$ 93,8 bilhões têm impacto
primário, ou seja, saem do caixa. Outros R$ 185,7 bilhões são linhas de crédito 
que voltam ao Tesouro conforme os empréstimos são pagos, e R$ 18,9 bilhões estão
ligados ao FGTS e à Conta de Desenvolvimento Energético. A IFI soma ainda R$ 24 
bilhões de custo extra em 2027.

Para o ano que vem, a IFI projeta déficit primário de R$ 86,1 bilhões. A proposta
de Orçamento enviada pelo governo prevê superávit de R$ 18,6 bilhões.

## Lula na imprensa estrangeira e a reação do mercado

As análises saíram na semana em que o Ibovespa perdeu 16,6% em três pregões e o 
dólar passou de R$ 5,30, como mostrou a Folha no levantamento sobre o [Ibovespa desde a reeleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ibovespa-desde-a-reeleicao/).
Nesta quinta (29), o dólar voltou a subir e fechou perto de R$ 5,39. O dia seguinte
à eleição, com circuit breaker na Bolsa, está na matéria sobre o [primeiro dia de mercado depois da reeleição de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/primeiro-dia-de-mercado-lula/).

## O que diz o governo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na terça (27) que a equipe econômica
prepara novas propostas fiscais para cumprir as metas, sem dar detalhes. Na segunda,
ele já tinha dito que pretende mudar a lei ou a Constituição ainda em 2026 para 
tratar do centro da meta fiscal, como a Folha mostrou na matéria sobre o [centro da meta fiscal](https://folhadepatrocinio.com/noticias/centro-da-meta-fiscal/).
O nome que comandará a Fazenda no quarto mandato ainda não foi anunciado.

Nem todo mundo no governo aceita cortar. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-
Geral, escreveu que quem pede corte social “não entendeu nada” da eleição, como 
registrou a reportagem sobre [Boulos e o ajuste fiscal](https://folhadepatrocinio.com/noticias/boulos-e-o-ajuste-fiscal/).

## O papel do Congresso

Qualquer mudança nas despesas obrigatórias precisa passar pela Câmara e pelo Senado.
Lula recebeu os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi 
Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada no dia seguinte à eleição. Segundo
o Financial Times, a direita ampliou a bancada nas eleições legislativas, e investidores
contam com o Congresso para segurar novos gastos. O Orçamento de 2027 ainda está
em discussão.
