# Lincoln Gakiya, promotor jurado de morte pelo PCC, é cotado para o Ministério da Segurança de Lula e diz que aceitaria

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- Published: 2026-11-03T13:12:20-03:00
- Author: Caio Menezes

O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), é o nome mais
citado nos bastidores para comandar o Ministério da Segurança Pública que Lula (
PT) promete criar no quarto mandato. Jurado de morte pelo Primeiro Comando da Capital(
PCC) e sob escolta policial desde 2005, ele disse na semana passada que aceitaria
o cargo se o convite chegar de forma oficial. Até agora, segundo o próprio promotor,
ninguém do governo falou com ele diretamente.

O ministério ainda não existe e depende do Congresso. A criação da pasta está amarrada
à PEC da Segurança Pública, que o Senado pôs em votação nesta terça-feira (3), a
partir das 16h, com os dois turnos marcados para o mesmo dia.

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lincoln-gakiya-ministerio/#)

 * [O que Lincoln Gakiya disse sobre o convite](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lincoln-gakiya-ministerio/#O_que_Lincoln_Gakiya_disse_sobre_o_convite)
 * [Quem é o promotor jurado de morte pelo PCC](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lincoln-gakiya-ministerio/#Quem_e_o_promotor_jurado_de_morte_pelo_PCC)
 * [A PEC da Segurança no Senado nesta terça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lincoln-gakiya-ministerio/#A_PEC_da_Seguranca_no_Senado_nesta_terca)
 * [Polícia e PCC na conta do governo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lincoln-gakiya-ministerio/#Policia_e_PCC_na_conta_do_governo)

## O que Lincoln Gakiya disse sobre o convite

“Se vier formalmente, será uma honra e certamente vou aceitar”, afirmou Gakiya em
entrevista publicada na quarta-feira (28). Ele contou que soube pela imprensa que
o nome dele estava em discussão.

Segundo relatos de bastidor publicados nesta terça, Lula já fez sondagens e tem 
Gakiya como preferido. Se o promotor não topar, a alternativa seria Chico Lucas,
atual secretário nacional de Segurança Pública. O Palácio do Planalto não anunciou
nenhum nome e não comentou as conversas. Nas especulações aparecem ainda dois ex-
governadores próximos do presidente: Rui Costa, da Bahia, e Camilo Santana, do Ceará.

A resposta de agora é diferente da que Gakiya deu durante a campanha, quando Ronaldo
Caiado (PSD) disse que o chamaria para cuidar da segurança pública se fosse eleito.
Na época, o promotor disse que se sentia lisonjeado, mas que não aceitaria, porque
o cargo era incompatível com a função no Ministério Público e ele não queria perder
a aposentadoria.

## Quem é o promotor jurado de morte pelo PCC

Gakiya entrou no Ministério Público em dezembro de 1991 e passou cerca de 20 anos
nas promotorias de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau, no oeste paulista,
região de presídios de segurança máxima onde ficaram os chefes do PCC. Desde 2008,
integra o Gaeco, o grupo do MPSP que combate o crime organizado. É apontado como
o maior especialista do país na facção.

Em 2019, foi dele o pedido para transferir Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola,
e outros 21 líderes do PCC para presídios federais. O próprio promotor chamou o 
pedido de “decreto irreversível de morte” contra si. A primeira ordem da facção 
para matá-lo é de 2005, ano em que ele passou a andar escoltado. Desde então, investigações
descobriram mais de uma dúzia de planos para assassiná-lo, e a ameaça cresceu a 
partir de 2018.

Gakiya tem segurança todos os dias, anda em carro blindado e já fez curso de tiro.
Ele já disse que pretende deixar o Brasil depois de se aposentar, porque a lei não
garante a proteção de quem sai da carreira.

## A PEC da Segurança no Senado nesta terça

A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, põe o Sistema Único de Segurança
Pública (Susp) na Constituição e endurece as regras para integrantes de facções,
milícias e grupos paramilitares. O texto também permite que os municípios criem 
polícias municipais civis, com controle externo do Ministério Público, e transforma
a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Viária Federal, com atuação também em ferrovias
e hidrovias. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), tirou do texto a destinação
de dinheiro das apostas on-line para os fundos de segurança e manteve 10% do superávit
do Fundo Social do pré-sal.

Para passar, a PEC precisa de pelo menos 49 dos 81 votos do Senado em cada turno.
Se os senadores mudarem o mérito do texto, ele volta para a Câmara. O governo quer
a promulgação ainda em 2026.

O que mais trava a votação é a maioridade penal. O senador Rogério Marinho (PL-RN)
quer reduzir a idade para 16 anos em todos os crimes e para 14 nos hediondos. O 
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), condicionou a votação a um acordo
para deixar o tema fora da PEC, e aliados de Marinho podem tentar votar a redução
mesmo assim. Lula já disse ser a favor de reduzir para 16 anos em crime hediondo,
mas não dentro desta proposta, como a Folha mostrou na reportagem sobre a [posição de Lula sobre a maioridade penal](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maioridade-penal-lula/).

## Polícia e PCC na conta do governo

No debate do 2º turno, Lula prometeu fortalecer as polícias. Dias depois, uma portaria
cancelou R$ 119 milhões em [verba da PRF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/verba-da-prf/).
Em São Paulo, as operações contra o braço do PCC no transporte público levaram de
novo à prisão o vereador [Senival Moura, do PT](https://folhadepatrocinio.com/noticias/senival-moura-preso-de-novo/).

Até a publicação desta reportagem, o governo não tinha confirmado convite a Gakiya
nem a qualquer outro nome. O [Ministério Público de São Paulo](https://www.mpsp.mp.br/)
também não se manifestou sobre uma eventual saída do promotor.
