# Lara Resende propõe Selic a 7,5% em 12 meses, mas não há reunião marcada com Lula, dizem integrantes do governo

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- Published: 2026-11-01T18:33:09-03:00
- Author: Caio Menezes

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propõe derrubar
a Selic dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano em 12 meses e depois manter os juros 
numa faixa permanente, entre 3% e 5,5%. A ideia chegou ao radar do presidente Lula(
PT), mas uma peça que circula nas redes diz que o encontro entre os dois já está
marcado, e isso não se confirma: dois integrantes da equipe econômica disseram que
não há reunião formalmente agendada, e interlocutores do presidente falam em escuta,
não em decisão. O mercado reagiu com cautela, e o Banco Central não se manifestou.

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 * [O que Lara Resende propõe para a Selic](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lara-resende-selic/#O_que_Lara_Resende_propoe_para_a_Selic)
 * [Há reunião marcada com Lula?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lara-resende-selic/#Ha_reuniao_marcada_com_Lula)
 * [A reação do mercado e do PT](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lara-resende-selic/#A_reacao_do_mercado_e_do_PT)
 * [O contexto: Selic alta e mercado nervoso depois da eleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lara-resende-selic/#O_contexto_Selic_alta_e_mercado_nervoso_depois_da_eleicao)
 * [O que ainda falta saber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lara-resende-selic/#O_que_ainda_falta_saber)

## O que Lara Resende propõe para a Selic

O plano foi publicado por ele no fim de setembro e voltou ao debate neste domingo(
1º), depois da reeleição de Lula. Pela proposta, a Selic cairia de 13,75% para 7,5%
ao longo de 12 meses. Depois da transição, o juro ficaria dentro de uma faixa entre
a meta de inflação, hoje de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, de cerca
de 5,5%. A proposta cria ainda um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria
metas coordenadas para as políticas fiscal e monetária num horizonte de quatro a
cinco anos, e prevê o uso das reservas internacionais, de cerca de US$ 350 bilhões,
para conter pressões no câmbio durante a transição.

Lara Resende reconhece, no próprio plano, que a queda dos juros pode acelerar a 
inflação no início. O argumento central dele é que os juros, e não só os gastos 
correntes, pesam no desequilíbrio das contas públicas. Pelos cálculos do economista,
a dívida bruta de R$ 10,9 trilhões, com custo médio de 12,68% ao ano, gera encargos
de cerca de R$ 1,4 trilhão por ano, algo próximo de 10,5% do PIB. A dívida bruta
equivale a 82,5% do PIB, e ele estima que o ajuste fiscal necessário seria de pelo
menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.

![Montagem com Lara Resende, o prédio do Banco Central e Lula, ilustrando a proposta
de Lara Resende para os juros](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/
2026/11/lara-resende-selic-2.webp)

Montagem da Folha: Lula (foto de Ricardo Stuckert, Lula Oficial, CC BY-SA 4.0, em
5 de outubro de 2026), André Lara Resende (Reprodução) e sede do Banco Central em
Brasília (Banco Central do Brasil, CC BY 2.0, 2010). Imagens de arquivo, sem relação
com uma reunião.

## Há reunião marcada com Lula?

Não há confirmação oficial. A peça que circula nas redes afirma que Lula tem reunião
prevista com Lara Resende. O que apareceu nos relatos de bastidores neste domingo
é diferente: o presidente acompanha o assunto com atenção, mas dois integrantes 
da equipe econômica, que não quiseram se identificar, disseram que não existe encontro
formalmente marcado. Interlocutores de Lula afirmam que não há agenda oficial para
tratar da implementação das ideias, e o governo descreve o tema como parte de um
processo de escuta de diferentes correntes econômicas. A Folha não encontrou nota
do Planalto nem resposta de Lara Resende ao pedido de comentário feito por outros
veículos.

A mesma peça cita um valor de R$ 1,2 trilhão em juros por ano e uma economia de 
R$ 400 bilhões anuais com a redução. A Folha não achou nenhum desses números nos
textos e nos cálculos que conseguiu conferir. O valor que aparece nas contas do 
economista é o de R$ 1,4 trilhão de encargos, e nenhum documento consultado traz
estimativa de economia em reais.

## A reação do mercado e do PT

Gestores de grandes instituições, ouvidos sob anonimato, dizem temer perda de credibilidade,
desvalorização do câmbio e alta dos juros futuros. Eles contestam a tese de que 
os juros são a causa principal do desequilíbrio fiscal e afirmam que a Selic alta
reflete a incerteza sobre as contas públicas. Outro ponto levantado é a autonomia
do Banco Central. O economista Sérgio Vale, da MB Associados, lembrou a experiência
de 2012, quando, na avaliação dele, a redução dos juros por decisão política terminou
mal e a inflação chegou ao teto da meta, de 6,5%.

No campo político, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, apoiou a discussão numa 
publicação na rede X e chamou o artigo de “fundamental” para enfrentar o que descreveu
como uma “ofensiva terrorista” sobre a política fiscal. O Banco Central, comandado
por Gabriel Galípolo, não comentou a proposta, segundo os relatos que a Folha consultou.

## O contexto: Selic alta e mercado nervoso depois da eleição

A discussão chega num momento de tensão nos mercados. A Folha mostrou a [queda do Ibovespa desde a reeleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ibovespa-desde-a-reeleicao/)
e as [conclusões da ata do Copom sobre disciplina fiscal e juros altos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ata-do-copom/).
O Itaú projeta a Selic em 13,75% no fim de 2027 e espera que o Banco Central interrompa
os cortes na reunião de 4 de novembro, como a Folha detalhou em [PIB de 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/).
A proposta de Lara Resende vai na direção oposta, e por isso o debate sobre a independência
do BC, já tema da reportagem sobre o [Banco Central independente](https://folhadepatrocinio.com/noticias/banco-central-independente-debate/),
tende a voltar.

## O que ainda falta saber

Faltam a confirmação de uma reunião, se ela existir, a posição do Banco Central 
e do Ministério da Fazenda sobre a proposta e uma resposta do próprio economista.
A Folha atualiza esta reportagem quando houver manifestação oficial ou depois da
reunião do Copom. A decisão sobre a Selic é do Comitê de Política Monetária, e os
dados do juro estão no [site do Banco Central](https://www.bcb.gov.br).
