# Assassino de Cássio Remis será julgado dia 17.3.2027, às 8h20

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- Published: 2026-09-03T09:25:47-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O julgamento de Jorge Marra pela morte do ex-presidente da Câmara Municipal de Patrocínio,
Cássio Remis, foi remarcado para o dia 17 de março de 2027, às 8h20. A decisão é
do juiz Marco Antônio Silva, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, que também determinou
a intimação das partes e a requisição de policiamento para a sessão.

Jorge Moreira Marra, ex-secretário de Obras de Patrocínio e irmão do ex-prefeito
Deiró Marra, responde por homicídio qualificado por motivo torpe e por recurso que
dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo. O processo 
tramita sob o número 0035378-94.2020.8.13.0481.

![Jorge Moreira Marra em corredor de fórum, no julgamento de Jorge Marra pela morte
de Cássio Remis](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/09/jorge-
marra-julgamento-corpo.jpg)

Jorge Moreira Marra em corredor de fórum. Foto: reprodução

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/julgamento-de-jorge-marra/#)

 * [Como foi o crime que matou Cássio Remis](https://folhadepatrocinio.com/noticias/julgamento-de-jorge-marra/#Como_foi_o_crime_que_matou_Cassio_Remis)
 * [Por que o julgamento foi anulado e mudou de comarca](https://folhadepatrocinio.com/noticias/julgamento-de-jorge-marra/#Por_que_o_julgamento_foi_anulado_e_mudou_de_comarca)
 * [O que acontece na sessão do Tribunal do Júri](https://folhadepatrocinio.com/noticias/julgamento-de-jorge-marra/#O_que_acontece_na_sessao_do_Tribunal_do_Juri)
 * [Nota de transparência](https://folhadepatrocinio.com/noticias/julgamento-de-jorge-marra/#Nota_de_transparencia)

## Como foi o crime que matou Cássio Remis

Cássio Remis foi morto a tiros em 24 de setembro de 2020, em Patrocínio, enquanto
fazia uma transmissão ao vivo nas redes sociais na qual denunciava uma obra pública
que considerava irregular. Segundo apuração da época, imagens de câmeras de segurança
e depoimentos indicaram que a vítima foi atingida pelas costas e já estava caída
no chão quando recebeu os disparos, elemento que embasa a qualificadora de recurso
que impossibilitou a defesa.

Jorge Marra foi preso em flagrante em 27 de setembro de 2020 e permaneceu preso 
preventivamente até outubro de 2022. Dois outros réus, acusados de favorecimento
pessoal por auxiliar Jorge Marra após o crime, fecharam acordo de transação penal
com o Ministério Público de Minas Gerais e não vão a júri.

## Por que o julgamento foi anulado e mudou de comarca

O julgamento de Jorge Marra marcado para março de 2027 não é o primeiro. Ele já 
foi a júri popular em outubro de 2022, na Comarca de Patrocínio, e os sete jurados
o absolveram por maioria de votos, aceitando a tese de legítima defesa apresentada
pela defesa. Marra deixou a prisão no dia seguinte ao veredicto, depois de mais 
de dois anos preso preventivamente.

O Ministério Público recorreu, e em abril de 2024 desembargadores do TJMG anularam
a absolvição por 2 votos a 1, decisão que a imprensa da época associou às imagens
de câmeras de segurança que indicam que a vítima já estava caída e foi atingida 
pelas costas, um cenário de difícil conciliação com a tese de legítima defesa aceita
no primeiro julgamento. Depois da anulação, a defesa obteve o desaforamento do processo,
ou seja, a transferência da sessão para outra comarca, decidido pela 8ª Câmara Criminal
do TJMG. O novo julgamento acontecerá em Belo Horizonte, não mais em Patrocínio.

Com o processo em ordem para julgamento, o juiz responsável em Belo Horizonte determinou
a inclusão do caso no sorteio de jurados do mês da sessão e pediu à Justiça de Patrocínio
o envio de todas as mídias e objetos apreendidos no processo para apresentação em
plenário. As partes têm prazo de cinco dias para atualizar o endereço das testemunhas
arroladas.

## O que acontece na sessão do Tribunal do Júri

No julgamento de Jorge Marra, sete jurados sorteados entre os moradores da comarca
vão ouvir acusação e defesa, examinar as provas e depoimentos apresentados em plenário
e decidir, em votação secreta, se o réu é culpado. Antes da sessão, cabe ao juiz
garantir que as testemunhas arroladas por acusação e defesa sejam intimadas a tempo;
depois do veredicto, é o próprio juiz-presidente quem aplica a pena, dentro dos 
limites da lei, com base na decisão dos jurados.

Pela lei brasileira, homicídio qualificado por motivo torpe tem pena de 12 a 30 
anos de reclusão. Como o processo aponta duas qualificadoras (motivo torpe e recurso
que dificultou a defesa da vítima), a pena pode ser ainda maior se os jurados reconhecerem
as duas circunstâncias na votação. A soma com o porte ilegal de arma de fogo também
entra no cálculo final, caso haja condenação.

## Nota de transparência

O redator-chefe da Folha de Patrocínio responde a ação movida por Deiró Marra, irmão
de Jorge Marra (processo nº 5011327-26.2023, com audiência marcada para 22 de setembro
de 2026 na Vara Criminal de Patrocínio), em curso na Justiça de Minas Gerais. Essa
relação não interferiu na apuração desta reportagem, que se baseia em decisão judicial
pública do processo nº 0035378-94.2020.8.13.0481, obtida via sistema PJe do Tribunal
de Justiça de Minas Gerais, e em cobertura anterior do [Estado de Minas](https://www.em.com.br/gerais/2024/03/6825183-tj-anula-julgamento-de-jorge-marra-irmao-do-prefeito-de-patrocinio.html)
sobre a anulação do primeiro júri.

A Folha de Patrocínio segue acompanhando os desdobramentos do caso até a data do
julgamento de Jorge Marra, marcada para março de 2027. Mais casos da editoria de
[Policial](https://folhadepatrocinio.com/noticias/category/policial/) podem ser 
conferidos aqui no site.
