# Namorado diz que pecuarista perseguia jovem de Perdizes morta em Rifaina; amiga relata agressão quatro dias antes

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- Published: 2026-10-29T15:15:08-03:00
- Author: Caio Menezes

O namorado de Priscila Lacerda Custódio, a jovem de Perdizes (MG) morta a tiro na
noite de terça-feira (27) em Rifaina (SP), disse que o pecuarista João Roberto Bolelli,
de 62 anos, a perseguia havia meses e não aceitava o fim dos encontros entre os 
dois. Samuel Ramos, de 26 anos, morava com Priscila havia cerca de um mês, em Perdizes.
Segundo ele, o pecuarista dizia que, se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.

Bolelli é o principal suspeito do crime, investigado pela Polícia Civil de São Paulo
como feminicídio. A Justiça de Pedregulho (SP) decretou a prisão preventiva dele
na quarta-feira (28), e até a manhã desta quinta-feira (29) ele não tinha sido localizado.
É considerado foragido. A defesa disse que analisa o caso e que ainda não conseguiu
falar com ele.

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 * [O que diz o namorado da jovem de Perdizes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jovem-de-perdizes/#O_que_diz_o_namorado_da_jovem_de_Perdizes)
 * [Agressão e ameaça quatro dias antes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jovem-de-perdizes/#Agressao_e_ameaca_quatro_dias_antes)
 * [Como foi o encontro na SP-334](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jovem-de-perdizes/#Como_foi_o_encontro_na_SP-334)
 * [O que diz a polícia](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jovem-de-perdizes/#O_que_diz_a_policia)
 * [Velório e sepultamento em Perdizes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jovem-de-perdizes/#Velorio_e_sepultamento_em_Perdizes)
 * [Perseguição é crime](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jovem-de-perdizes/#Perseguicao_e_crime)

## O que diz o namorado da jovem de Perdizes

Samuel contou que Priscila mantinha uma relação casual com o pecuarista e que tinha
encerrado esses encontros antes de os dois se conhecerem. Os dois namoravam desde
junho. De acordo com o relato dele, Bolelli não aceitou o rompimento, não admitia
que ela se relacionasse com outra pessoa e chegou a contratar um detetive para segui-
la.

“Ele perseguia ela, porque ele se apaixonou por ela. Ela tinha rompido esses encontros
esporádicos e ele não aceitava de maneira alguma. Ele ameaçava ela, dizia que se
ela não fosse ser dele, não seria de mais ninguém. Ele disse que ia dar um tiro 
na cabeça dela”, afirmou Samuel.

O casal planejava se mudar para Uberlândia e comprar uma casa, segundo o namorado.“
Priscila tinha muitos sonhos, muitas metas. Ela queria voar alto e não media esforços
para isso”, disse.

As datas contadas por quem conhecia Priscila não batem. A amiga que a acompanhou
a Rifaina disse à polícia que a jovem mantinha um relacionamento esporádico com 
Bolelli desde julho deste ano, depois do início do namoro com Samuel. A polícia 
ainda não explicou essa diferença, e as duas versões são relatos de testemunhas,
não conclusões da investigação.

![Priscila Lacerda Custódio, jovem de Perdizes morta a tiro em Rifaina (SP)](https://
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Priscila Lacerda Custódio com o namorado, Samuel Ramos, em foto de arquivo pessoal
divulgada pela família. Foto: arquivo pessoal

## Agressão e ameaça quatro dias antes

No depoimento à Polícia Civil, a amiga contou que Priscila relatou ter sido agredida
pelo pecuarista na sexta-feira (23), quatro dias antes de morrer, e disse ter visto
as lesões no corpo da jovem. Ainda segundo a amiga, Priscila contou que Bolelli 
ameaçou dar um tiro na cabeça dela e contratou pessoas para monitorá-la em Minas
Gerais. Ele desconfiava que a jovem estivesse com outro homem e dizia que não permitiria
que ela voltasse a Perdizes, onde nasceu.

Por causa das ameaças, a amiga orientou Priscila a não ir sozinha a Rifaina devolver
a caminhonete do pecuarista que estava com ela. A amiga e o irmão da jovem decidiram
acompanhá-la. O irmão disse à polícia que recebeu uma ligação de Priscila pedindo
companhia e que percebeu que ela estava apreensiva, com a impressão de que poderia
estar sendo intimidada.

Não foi esclarecido se a agressão de sexta-feira chegou a ser registrada na polícia,
onde ela aconteceu nem se Priscila pediu medida protetiva.

## Como foi o encontro na SP-334

Priscila e o irmão saíram de Perdizes na caminhonete que seria devolvida, e a amiga
seguiu em outro carro. Como a amiga não sabia o caminho, Priscila passou para o 
carro dela para indicar a rota. Na entrada de uma propriedade rural às margens da
rodovia Cândido Portinari (SP-334), no km 463, Bolelli chegou num carro branco. 
Segundo as duas testemunhas, outras pessoas chegaram em veículos diferentes, mas
não foram identificadas.

De acordo com o boletim de ocorrência, o pecuarista exigiu a devolução de um celular
que tinha dado à jovem, e ela respondeu que só entregaria o aparelho quando recebesse
o próprio telefone de volta. A amiga disse que ele também questionou uma viagem 
de Priscila a Sacramento (MG) e a acusou de estar se encontrando com outro homem.
O irmão contou ter ouvido a irmã dizer que queria ir embora e que não queria continuar
o relacionamento.

Durante a discussão, ainda segundo as testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou
em Priscila. Depois, apontou a arma para o irmão dela, que correu para se proteger.
O irmão levou a jovem ao hospital de Rifaina, mas ela não resistiu. O suspeito fugiu
numa caminhonete Toyota Hilux, que foi encontrada abandonada perto da propriedade
rural dele, em Rifaina. A Folha contou o início do caso na reportagem sobre o [feminicídio em Rifaina e a prisão decretada do pecuarista](https://folhadepatrocinio.com/noticias/feminicidio-em-rifaina/).

## O que diz a polícia

A Polícia Civil investiga a motivação, a dinâmica do crime e as circunstâncias da
fuga. O delegado Fábio Branquinho, responsável pelo caso, falou sobre o que levou
ao crime: “Eles já tinham um relacionamento amoroso. Parece que já estavam entrando
em desacordo com relação ao desfecho desse namoro e por conta disso teria ocorrido
o fato em si.”

O pedido de prisão foi feito pela Polícia Civil e aceito pelo juiz Luiz Gustavo 
Giuntini de Rezende, de Pedregulho. Na decisão, ele citou a violência atribuída 
ao investigado, a fuga depois do crime e o risco de a liberdade dele atrapalhar 
a coleta de depoimentos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não tinha
divulgado nota sobre o caso até a publicação desta reportagem.

Bolelli já foi condenado em 2021, pela Justiça de Franca, a três meses e 15 dias
de detenção em regime aberto por descumprir medida protetiva concedida a uma ex-
companheira. A condenação se tornou definitiva em 2022. O caso de Priscila ainda
está em investigação, e ele é suspeito: a culpa só é definida em julgamento. Quem
souber onde ele está pode avisar a Polícia Militar, pelo 190, ou o Disque Denúncia,
pelo 181, sem se identificar.

## Velório e sepultamento em Perdizes

Priscila foi velada na tarde de quarta-feira (28), a partir das 14h, no Velório 
Municipal de Perdizes, e sepultada às 18h no Cemitério Municipal da cidade, segundo
a Funerária São Lázaro. Ela era empresária de marketing digital e trabalhava como
videomaker, com trabalhos para lojas e casamentos. Estudava marketing e fotografia.

A amiga Juliana Amaral, que trabalhava com Priscila numa loja de roupas havia três
anos, lembrou da jovem como uma pessoa alegre. “Era linda, encantadora, educada 
ao extremo! Em três anos de amizade, nunca vi ela falar mal de ninguém”, disse. 
O irmão, que presenciou o crime, disse que a família está muito abalada e ainda 
não consegue falar sobre o que aconteceu.

## Perseguição é crime

Desde 2021, perseguir alguém de forma reiterada, com ameaça ou invadindo a liberdade
e a privacidade da pessoa, é crime previsto no artigo 147-A do Código Penal, com
pena de reclusão de seis meses a dois anos e multa. A pena aumenta de metade quando
a vítima é mulher e a perseguição acontece por razões da condição de sexo feminino.
Mulheres ameaçadas podem pedir medidas protetivas de urgência, previstas na [Lei Maria da Penha](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm),
como a proibição de o agressor se aproximar.

O feminicídio é crime autônomo desde a [Lei 14.994/2024](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14994.htm),
com pena de 20 a 40 anos de reclusão. O Ligue 180 recebe denúncias e orienta mulheres
em situação de violência, de graça e a qualquer hora. Em risco imediato, a ligação
é para o 190.

Neste mês, a Folha noticiou outros casos de violência contra a mulher na região:
em Santa Juliana, [uma mulher de 31 anos foi achada morta e o companheiro foi preso](https://folhadepatrocinio.com/noticias/santa-juliana-mulher-morta/);
em Patos de Minas, [uma tentativa de feminicídio terminou com tiros contra a PM](https://folhadepatrocinio.com/noticias/tentativa-de-feminicidio/);
e [um pastor foi preso suspeito de matar a ex, que tinha medida protetiva](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pastor-preso-por-feminicidio/).

A Folha atualiza esta reportagem quando o suspeito for localizado ou a Polícia Civil
divulgar novas informações sobre a investigação.
