# Itamaraty e Milei: nota oficial chama de inaceitável post em que o argentino fala em “roubar a eleição”

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- Published: 2026-10-21T13:35:08-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O Itamaraty reagiu em nota oficial, na tarde desta terça-feira (20), a uma publicação
do presidente da Argentina, Javier Milei, em que ele escreveu esperar que a campanha
de Lula (PT) não inclua “roubar a eleição”. Para o governo brasileiro, a manifestação
é uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa” no 2º turno de domingo(
25), entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). O embate entre Itamaraty e Milei é o mais
recente de uma crise diplomática que começou em julho.

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/itamaraty-e-milei/#)

 * [O que Milei escreveu no X](https://folhadepatrocinio.com/noticias/itamaraty-e-milei/#O_que_Milei_escreveu_no_X)
 * [O que diz a nota do Itamaraty](https://folhadepatrocinio.com/noticias/itamaraty-e-milei/#O_que_diz_a_nota_do_Itamaraty)
 * [Itamaraty e Milei: a crise começou em julho](https://folhadepatrocinio.com/noticias/itamaraty-e-milei/#Itamaraty_e_Milei_a_crise_comecou_em_julho)
 * [Milei e Flávio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/itamaraty-e-milei/#Milei_e_Flavio)
 * [A reta final do 2º turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/itamaraty-e-milei/#A_reta_final_do_2o_turno)

## O que Milei escreveu no X

O post saiu às 8h50 (horário de Brasília) na conta oficial de Milei no X. Ele compartilhou
um vídeo de 25 segundos de Lula falando sobre a mulher que trabalha seis dias por
semana e usa a folga para limpar a casa, e escreveu, em espanhol: “Espero que su
último truco de campaña sucia no incluya robarse la elección… zurdo ladrón”.

Em português, a frase fica assim: “Espero que o último truque da campanha suja deles
não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”. No mesmo post, Milei chamou os
adversários de “delincuentes” e terminou com “VLLC”, sigla do slogan “Viva la libertad,
carajo”. O texto não cita Flávio, a urna eletrônica nem o Judiciário pelo nome.

## O que diz a nota do Itamaraty

A resposta veio às 16h17, na Nota à Imprensa nº 320, com o título “Novas ofensas
do Presidente da Argentina”. O ministério afirma que as declarações foram “dirigidas
ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico”.

O texto diz que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições
e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”, e classifica a manifestação
como “inaceitável, desequilibrada” e incompatível “com a postura que deve ter o 
chefe de Estado de um país amigo”.

Sobre a votação, a nota afirma que o voto eletrônico “é comprovadamente seguro, 
nunca registrou irregularidades” e que “a decisão sobre o futuro do Brasil cabe 
exclusivamente ao povo brasileiro”. A íntegra está no [site do Ministério das Relações Exteriores](https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/novas-ofensas-do-presidente-da-argentina).

![Fachada do Palácio Itamaraty, em Brasília, sede do ministério que emitiu a nota
sobre Itamaraty e Milei](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/
itamaraty-e-milei-2.webp)

Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Foto:
Marcos Oliveira/Agência Senado (CC BY 2.0)

## Itamaraty e Milei: a crise começou em julho

Na disputa entre Itamaraty e Milei, a nota desta semana é a segunda do ano. Em 26
de julho, um dia depois de Milei discursar na convenção do PL, em São Paulo, o chanceler
Mauro Vieira convocou o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, para “transmitir
a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios” ditos na visita. O embaixador do
Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado de volta para consultas.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe
agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive 
ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, dizia a nota de julho, a de número 244.

Em 4 de agosto, o Brasil rebaixou a relação ao nível de encarregado de negócios.
Bitelli não voltou a Buenos Aires, e Raimondi foi dispensado. A chancelaria argentina
lamentou a decisão e a chamou de unilateral, e o chanceler Pablo Quirno descartou
rompimento. Por isso, desta vez, não houve embaixador para convocar: desde agosto,
não há embaixador argentino em Brasília.

## Milei e Flávio

O apoio de Milei a Flávio é público. Os dois se encontraram em Buenos Aires em junho,
e em 25 de julho o argentino discursou ao lado do senador na convenção nacional 
do PL, em São Paulo. O post desta terça, porém, não menciona o candidato brasileiro.

Até o meio-dia desta quarta-feira (21), nem Flávio, nem Lula, nem o governo argentino
tinham se manifestado publicamente sobre o novo capítulo entre Itamaraty e Milei.

## A reta final do 2º turno

A troca de recados acontece na semana mais disputada da campanha. Nesta quarta, 
a [nova pesquisa Quaest](https://folhadepatrocinio.com/noticias/nova-pesquisa-quaest/)
deu 45% a Flávio e 44% a Lula, e o senador aparece à frente em 13 das 14 pesquisas
reunidas no quadro da Folha com [as pesquisas do 2º turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pesquisas-do-segundo-turno/).
Na terça, Lula fez caminhada no Nordeste, como mostrou a reportagem sobre [Lula em Juazeiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-em-juazeiro/),
e Flávio gravou vídeos com sertanejos em Goiás.

Em Patrocínio (MG), Flávio teve 61,18% dos votos válidos no 1º turno, e Lula, 30,44%,
segundo o TSE. A votação é no domingo, das 8h às 17h, e a contagem sai na página
de [apuração em tempo real](https://folhadepatrocinio.com/noticias/apuracao-em-tempo-real/).
