# Trump prepara invasão do Brasil? Não há anúncio nem documento, e o comentarista do vídeo chama a tese de “especulação”

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- Published: 2026-10-31T16:36:32-03:00
- Author: Caio Menezes

Não há anúncio, documento nem declaração de autoridade americana que indique uma
invasão do Brasil. A ideia circula num Reel do Instagram publicado pelo perfil @
eliasinvestigaqueacha, em parceria com o @infoverus.oficial, com a manchete “Urgente:
Trump está construindo uma narrativa para invadir o Brasil”. O comentarista que 
desenvolve a tese no vídeo, de cerca de três minutos, diz mais de uma vez que se
trata de “especulação”.

A Folha ouviu o vídeo inteiro e conferiu o que o presidente dos Estados Unidos, 
Donald Trump, disse de fato sobre a eleição brasileira.

Vídeo de origem: perfil @eliasinvestigaqueacha, em parceria com o @infoverus.oficial,
no Instagram. Edição da Folha, sem cortes de conteúdo. O comentarista expressa opinião
própria.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#)

 * [O que o vídeo afirma sobre a invasão do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#O_que_o_video_afirma_sobre_a_invasao_do_Brasil)
 * [O que Trump disse sobre a eleição do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#O_que_Trump_disse_sobre_a_eleicao_do_Brasil)
 * [A comparação com a Venezuela vem de um advogado, não do governo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#A_comparacao_com_a_Venezuela_vem_de_um_advogado_nao_do_governo)
 * [O que o governo americano já disse sobre ação militar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#O_que_o_governo_americano_ja_disse_sobre_acao_militar)
 * [Por que a história circula agora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#Por_que_a_historia_circula_agora)
 * [O que falta saber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/invasao-do-brasil/#O_que_falta_saber)

## O que o vídeo afirma sobre a invasão do Brasil

O trecho aproveitado pelo Reel mostra um comentarista em estúdio comparando o Brasil
de agora com a Venezuela. Para ele, Trump estaria “preparando o território”: primeiro
fala em fraude eleitoral, depois em ditadura, cita o filho de um ex-presidente exilado
nos Estados Unidos e as tarifas, e só então chega à segunda hipótese, a de uma ação
mais dura. Ele relaciona tudo ao narcotráfico e diz que, se fosse o governo federal,“
colocaria as barbas de molho”.

O comentarista também lê uma publicação do advogado Martin De Luca, que já atuou
em ações das empresas Rumble e Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal. A mensagem compara a situação do Brasil à da Venezuela.
Em seguida ele cita um post do comentarista americano Joey Mannarino, assunto já
tratado pela Folha na reportagem sobre [Joey Mannarino e a eleição de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/joey-mannarino-sobre-lula/).

No fim do trecho, ele admite o limite do que diz: “pode dar uma reviravolta” no 
eixo entre os dois países “se o Trump quiser”, e o próprio comentarista classifica
a hipótese como “uma especulação”. Nenhum documento é mostrado, e nenhuma autoridade
americana é citada falando em intervenção.

## O que Trump disse sobre a eleição do Brasil

As falas de Trump são reais, mas tratam de fraude, não de força militar. Na segunda-
feira (26), ele disse, sem apresentar prova, que o resultado da disputa entre Lula(
PT) e Flávio Bolsonaro (PL) “pareceu mais uma eleição fraudulenta”, embora tenha
afirmado que gosta do presidente brasileiro. Na terça-feira (27), num comício no
Texas, voltou ao assunto, segundo a agência Reuters: “Eu não tomei partido, mas 
não gostei… Não pareceu muito bom”. Na quinta-feira (29), chamou a votação de “vergonha”
e, perguntado sobre quem considera o vencedor legítimo, respondeu que não queria
comentar, como a Folha contou na reportagem sobre [Trump e a eleição do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-e-a-eleicao-do-brasil/).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou a vitória de Lula, com cerca de 51,8%
dos votos válidos contra 48,2% de Flávio. Até agora, o governo americano não divulgou
nota reconhecendo o resultado, e a embaixada dos Estados Unidos não o reconheceu
em público, ao contrário de 107 países, como mostrou a reportagem sobre a [embaixada dos EUA e Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/embaixada-dos-eua-e-lula/).

## A comparação com a Venezuela vem de um advogado, não do governo

A comparação entre Lula e o venezuelano Nicolás Maduro foi publicada por Martin 
De Luca depois de o ministro Cristiano Zanin ampliar o horário de votação do segundo
turno, de 17h para 19h, na noite de 25 de outubro. A mensagem foi compartilhada 
por Donald Trump Jr., filho do presidente. Os dois são particulares: as publicações
representam a opinião de quem as escreveu e não são posição oficial do governo dos
Estados Unidos, nem provam fraude no processo eleitoral brasileiro.

## O que o governo americano já disse sobre ação militar

A hipótese de uma ação militar americana no Brasil já foi levada ao Departamento
de Estado. A resposta, de 7 de julho, chamou o comentário sobre esse risco de “um
absurdo”. Os comunicados oficiais ficam na [página de briefings do Departamento de Estado](https://www.state.gov/department-press-briefings/),
e a Folha não encontrou neles nada que sustente a tese do vídeo.

Boatos parecidos já foram checados. Em 28 de outubro, a Folha mostrou que não existe
o suposto dossiê americano para classificar o Brasil como ditadura e abrir caminho
a sanções e ação militar, em [dossiê dos EUA sobre o Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/dossie-dos-eua-sobre-brasil/).
Antes disso, checagens desmentiram o boato de que Trump teria autorizado uma invasão:
a ordem citada era antiga e tratava de cartéis.

## Por que a história circula agora

O assunto ganhou força porque o clima entre os dois governos esquentou depois do
segundo turno. Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos desde quarta-feira (28),
com visto concedido pelo Departamento de Estado, depois de uma ordem de Moraes para
entregar o passaporte, e a carta em que ele se dizia presidente eleito teve pouco
apoio até entre aliados. Quando um comentarista junta esses fatos reais e pergunta
aonde eles levam, o que sai é uma hipótese, e é assim que o próprio vídeo a apresenta.

## O que falta saber

Não há, até esta publicação, decisão, ordem ou declaração oficial americana sobre
uso de força no Brasil. A Folha atualiza esta reportagem se o governo dos Estados
Unidos reconhecer o resultado da eleição ou se divulgar qualquer comunicado sobre
o tema. O vídeo desta reportagem é o do perfil @eliasinvestigaqueacha, com a moldura
da Folha e sem cortes de conteúdo.
