# Inquéritos do Master e INSS: Fachin devolve o caso INSS a Mendonça e fica com o Master por até 90 dias

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- Published: 2026-10-29T11:30:31-03:00
- Author: Caio Menezes

**Atualização 29/10, 22h:** o presidente do STF, Edson Fachin, devolveu nesta quinta-
feira (29) ao ministro André Mendonça a relatoria da Operação Sem Desconto, que 
apura os descontos indevidos em aposentadorias do INSS. O inquérito do Banco Master,
da Operação Compliance Zero, continua na Presidência do Supremo de forma provisória,
por até 90 dias contados de 12 de setembro. O plenário ainda precisa referendar 
a decisão.

Os inquéritos do Master e INSS, que apuram o rombo do Banco Master e as fraudes 
em aposentadorias, passaram 47 dias no Supremo Tribunal Federal (STF) fora das mãos
do relator, o ministro André Mendonça. Na noite desta quinta-feira (29), o presidente
da Corte, ministro Edson Fachin, devolveu a ele o caso do INSS e manteve o do Master
na Presidência. Mais cedo, no mesmo dia, o deputado federal eleito Jeffrey Chiquini(
Novo-PR) tinha publicado um vídeo nas redes sociais cobrando Fachin sobre o destino
dos casos: “Cadê os inquéritos do Banco Master e do INSS?”.

No vídeo, de pouco mais de dois minutos, Chiquini diz que Fachin “tirou esses casos
das mãos do André Mendonça e literalmente sentou em cima”. A Folha conferiu o que
aconteceu com os processos, e a decisão oficial saiu à noite, divulgada pelo próprio
STF.

Vídeo: Jeffrey Chiquini/Redes sociais. A Folha cortou o trecho final, em que o deputado
eleito pede que o vídeo seja compartilhado.

Table of Contents

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 * [O que Fachin decidiu nesta quinta-feira](https://folhadepatrocinio.com/noticias/inqueritos-do-master-e-inss/#O_que_Fachin_decidiu_nesta_quinta-feira)
 * [O que aconteceu com os inquéritos do Master e INSS](https://folhadepatrocinio.com/noticias/inqueritos-do-master-e-inss/#O_que_aconteceu_com_os_inqueritos_do_Master_e_INSS)
 * [O tamanho dos dois casos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/inqueritos-do-master-e-inss/#O_tamanho_dos_dois_casos)
 * [As acusações que Chiquini faz no vídeo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/inqueritos-do-master-e-inss/#As_acusacoes_que_Chiquini_faz_no_video)
 * [Quem é Jeffrey Chiquini](https://folhadepatrocinio.com/noticias/inqueritos-do-master-e-inss/#Quem_e_Jeffrey_Chiquini)
 * [O que falta saber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/inqueritos-do-master-e-inss/#O_que_falta_saber)

## O que Fachin decidiu nesta quinta-feira

Fachin tomou duas decisões diferentes. Na Petição 15.041, que reúne a Operação Sem
Desconto, ele concluiu que não há menção nem “indício concreto” envolvendo autoridade
com foro no Supremo que justifique manter o processo na Presidência. Os autos voltam
a Mendonça “para o regular prosseguimento do caso”, segundo o resumo da decisão 
publicado pelo STF.

O caso Master ficou onde estava. As petições 15.556 e 16.662, da Operação Compliance
Zero, continuam com a Presidência “em caráter excepcional e provisório”, porque 
relatórios da Polícia Federal citam uma autoridade sujeita à jurisdição do STF. 
Nesse período, Fachin decide só o que for urgente, como a revisão periódica das 
prisões preventivas e pedidos da PF ou da Procuradoria-Geral da República (PGR) 
que não possam esperar.

O limite é de 90 dias a partir de 12 de setembro, o que, pela contagem da Folha,
vai até 11 de dezembro. A permanência pode ser revista antes disso se o plenário
concluir a questão de ordem aberta na Petição 16.662, se acabar o prazo regimental
do pedido de vista do ministro Flávio Dino ou se a PF entregar o relatório detalhado
que o STF pediu sobre as menções a ministros da Corte.

![Edson Fachin, presidente do STF, no plenário; ele decidiu o destino dos inquéritos
do Master e INSS](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/inqueritos-
do-master-e-inss-3.webp)

O presidente do STF, Edson Fachin, na abertura do Ano Judiciário de 2026. Foto: 
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os dois casos tinham ido para a Presidência em setembro, depois de citações a autoridades
com foro e de uma representação do ministro Alexandre de Moraes (Petição 16.704),
que apontava supostas irregularidades na forma como Mendonça conduzia as relatorias.
Fachin levou em conta a manifestação da PGR, que não viu elementos para caracterizar
crime de abuso de autoridade, previsto na Lei 13.869/2019. A Folha contou a disputa
entre os dois ministros em [Racha entre Moraes e Mendonça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/racha-entre-moraes-e-mendonca/).

Na decisão, Fachin escreveu que a medida “não antecipa juízo de valor sobre o mérito
das investigações” e não fixa de forma definitiva quem é competente para julgar 
os casos. O texto vai a referendo do plenário, que também vai discutir a proposta
de separar de vez as apurações. A data desse julgamento não foi marcada. Até a publicação
desta atualização, Mendonça não tinha se manifestado publicamente sobre a decisão.

## O que aconteceu com os inquéritos do Master e INSS

Em 12 de setembro, Fachin determinou que os procedimentos das operações Compliance
Zero, sobre o Banco Master, e Sem Desconto, sobre as fraudes em aposentadorias e
pensões do INSS, passassem para a Presidência do STF. A decisão veio no meio de 
uma crise interna, depois que vieram a público mensagens atribuídas ao banqueiro
Daniel Vorcaro, dono do Master, que citavam o ministro Alexandre de Moraes. Fachin
assumiu o caso desses diálogos, como a Folha contou em [Fachin assume relatoria do caso Moraes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fachin-assume-relatoria/).

Desde então, Mendonça seguia como relator dos dois inquéritos no papel, mas os autos
não estavam mais no gabinete dele. Em 25 de setembro, o ministro enviou um ofício
a Fachin pedindo que o presidente do STF dissesse se ia decidir os casos ou devolvê-
los ao relator. No documento, Mendonça afirmou que a situação “inviabiliza” a atuação
dele.

Até a manhã desta quinta-feira (29), não havia resposta pública de Fachin ao ofício.
Pedidos de liberdade, de desbloqueio de bens e de autorização para exames médicos
de presos esperavam uma definição sobre quem decide, e advogados continuavam mandando
requerimentos ao gabinete de Mendonça. No caso do INSS, esses pedidos agora voltam
para ele.

## O tamanho dos dois casos

A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 pela Polícia Federal e pela
Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo os dois órgãos, entidades associativas
descontaram cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024,
muitas vezes sem autorização. No vídeo, Chiquini diz que o caso é “quase três vezes
maior” que a Lava Jato. Não existe uma medida oficial única que permita essa comparação.

O caso Master envolve o banco de Daniel Vorcaro, que teve a liquidação extrajudicial
decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Vorcaro foi preso na Operação 
Compliance Zero. Nesta semana, a PF indiciou o banqueiro e mais 14 investigados,
como a Folha mostrou em [Vorcaro indiciado pela PF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/).

## As acusações que Chiquini faz no vídeo

Chiquini aproveita a cobrança para atacar o governo. Ele cita Fábio Luís Lula da
Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e a lobista Roberta Luchsinger,
investigada pela PF no caso do chamado “Careca do INSS”. No vídeo, o deputado eleito
diz que Lulinha, que mora na Espanha, recebeu dinheiro de corrupção e que deveria
ter a prisão decretada.

Essas acusações são do deputado eleito. Lulinha não foi denunciado nem condenado,
e não há ordem de prisão contra ele. A defesa nega que ele tenha intervindo em negócios
do lobista e afirma que a mudança para a Espanha começou a ser preparada em 2024.
A Presidência da República disse, em nota, que Lula desconhece os fatos relatados
por Roberta e nega ter mantido contato com ela. A lobista disse que pretende negociar
uma delação, sem acordo confirmado até agora, caso que a Folha resumiu em [Delação de Roberta Luchsinger](https://folhadepatrocinio.com/noticias/delacao-de-roberta-luchsinger/).

O deputado eleito também chama de injusta a cobertura sobre a saída de Flávio Bolsonaro(
PL) do país e compara a situação do senador com a de Lulinha. Flávio deixou o Brasil
depois de o STF mandar que ele entregasse os passaportes.

## Quem é Jeffrey Chiquini

Advogado criminalista, Chiquini foi eleito deputado federal pelo Novo no Paraná,
com 425.399 votos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR). Ele assume o 
mandato em fevereiro de 2027 e tem usado as redes para cobrar o Judiciário e a cúpula
do Congresso. Nesta semana, já tinha dito que não votará em Davi Alcolumbre nem 
em Hugo Motta para as presidências do Senado e da Câmara, como mostrou a reportagem
[Jeffrey Chiquini e Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/jeffrey-chiquini-alcolumbre-motta/).
Na noite da eleição, prometeu fazer “a maior oposição”, fala registrada em [discurso de Chiquini](https://folhadepatrocinio.com/noticias/discurso-de-chiquini/).

![Jeffrey Chiquini grava vídeo sobre os inquéritos do Master e INSS em um escritório
com a bandeira do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/
10/inqueritos-do-master-e-inss-2.webp)

Jeffrey Chiquini no vídeo publicado na manhã desta quinta-feira (29). Imagem: Jeffrey
Chiquini/Redes sociais

## O que falta saber

O plenário precisa referendar a decisão de Fachin, e o STF não marcou a data. Também
está em aberto se o inquérito do Master volta a Mendonça ou vai para outro ministro,
o que depende da proposta de desmembramento que a Presidência pode levar ao plenário.
O resumo oficial da decisão está no [portal de notícias do Supremo Tribunal Federal](https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/presidente-do-stf-devolve-operacao-sem-desconto-a-relator-e-mantem-provisoriamente-compliance-zero/).
A Folha atualiza esta matéria quando houver novidade.

_Correção (29/10, 22h): a versão anterior desta matéria chamava o dia 29 de quarta-
feira. O correto é quinta-feira._
