# Imposto do Amor: a cerveja vai ficar mais cara em 2027? O que o governo prepara

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- Published: 2026-11-04T01:06:18-03:00
- Author: Caio Menezes

Pela proposta que o governo negocia, a cerveja não deve ficar mais cara em 2027 
por causa do Imposto do Amor, apelido irônico da Folha para o Imposto Seletivo, 
o “imposto do pecado” da reforma tributária. A linha acertada com o setor é manter
no primeiro ano a carga que a bebida paga hoje de IPI, e a alta só viria de 2028
em diante. A medida provisória com as alíquotas deveria sair nesta terça-feira (
3), segundo a imprensa econômica, e a Folha não confirmou a publicação no Diário
Oficial da União até a hora deste texto. Os percentuais ainda não foram divulgados.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-do-amor/#)

 * [O que é o Imposto do Amor](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-do-amor/#O_que_e_o_Imposto_do_Amor)
 * [Por que a cobrança só começa em fevereiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-do-amor/#Por_que_a_cobranca_so_comeca_em_fevereiro)
 * [O que muda no preço da cerveja](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-do-amor/#O_que_muda_no_preco_da_cerveja)
 * [Quanto o governo espera arrecadar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-do-amor/#Quanto_o_governo_espera_arrecadar)
 * [O que a Folha ainda não sabe](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-do-amor/#O_que_a_Folha_ainda_nao_sabe)

## O que é o Imposto do Amor

O nome oficial é Imposto Seletivo. Ele foi criado pela reforma tributária para encarecer
produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, e por isso ganhou
o apelido de “imposto do pecado”. A Lei Complementar 214, de 2025, define que ele
incide sobre cigarros e outros fumígenos, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos(
exceto caminhões), embarcações e aeronaves, extração de minerais, com alíquota limitada
a 0,25%, e concursos de prognósticos. O texto da lei está no [portal do Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/lcp/lcp214.htm).
As alíquotas, porém, não estão na lei: dependem de norma própria, e é para isso 
que serve a medida provisória.

O apelido “Imposto do Amor” é da Folha e tem tom de ironia. A imagem desta reportagem,
com a garrafa da “Cerveja do Amor” e a mão vermelha em “L”, é uma montagem gerada
por inteligência artificial. Nenhuma cerveja com esse nome existe, e a cena não 
é foto de um fato.

## Por que a cobrança só começa em fevereiro

A regra da noventena exige 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança.
Para o Imposto Seletivo estrear em 1º de janeiro, a medida provisória precisaria
ter saído até 2 de outubro, e isso não aconteceu. Em maio, a Fazenda havia afirmado
que o tributo entraria em vigor em janeiro. Segundo reportagens, o governo deixou
o envio para depois do segundo turno, em 25 de outubro, por receio de desgaste na
campanha. Com a publicação agora, a cobrança só começaria em fevereiro de 2027.

## O que muda no preço da cerveja

A Fazenda negociou com fabricantes de cerveja, vinho, destilados, refrigerantes,
cigarros e carros. Depois dessas rodadas, segundo a imprensa, comprometeu-se a calibrar
as alíquotas para reproduzir em 2027 a carga que esses produtos pagam hoje de Imposto
sobre Produtos Industrializados, o IPI, que será zerado para a maior parte deles.
Na prática, o Imposto Seletivo entra no lugar do IPI sem aumentar a conta no primeiro
ano. A elevação, pensada para desestimular o consumo, ficaria para 2028.

Há ressalvas. O preço na prateleira depende também de outros tributos da reforma,
como a CBS, e da decisão de cada fabricante e do comércio, e a Folha não calculou
o efeito final. Uma proposta do lado da Saúde, de uma alíquota muito mais alta para
a cerveja, teria sido descartada pela equipe econômica, segundo relatos, mas isso
não é decisão oficial. E a medida provisória ainda passa pelo Congresso, que pode
mudar o texto.

## Quanto o governo espera arrecadar

O projeto de lei orçamentária de 2027 prevê quase R$ 42 bilhões em arrecadação com
o Imposto Seletivo. Parte da receita esperada com apostas ficou comprometida, depois
que o governo editou, em setembro, uma medida provisória que proibiu as apostas 
esportivas e os jogos virtuais. Com o atraso, janeiro ficaria sem a cobrança do 
imposto novo, enquanto o IPI sobre esses produtos já estaria zerado, o que abre 
um buraco na arrecadação do mês.

O pano de fundo é de preços sob pressão. A Folha mostrou o dólar em alta e a Selic
em debate em [Copom decide a Selic na quarta (4) com o juro em 13,75% e o dólar em alta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/)
e em [Dólar desde a eleição: de R$ 5,04 a R$ 5,49, alta de 9%](https://folhadepatrocinio.com/noticias/dolar-desde-a-eleicao/),
e as projeções de inflação em [Itaú corta o PIB de 2027 para 0,5%, e pesquisa com o mercado já vê inflação de 5,3%](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/).

## O que a Folha ainda não sabe

Faltam as alíquotas, a confirmação de que a medida provisória foi publicada e a 
posição do Congresso. A Folha também não achou resposta oficial da Fazenda sobre
a neutralidade em 2027, que vem de relatos do setor e da imprensa. Quem quiser conferir
a medida pode consultar o site do [Ministério da Fazenda](https://www.gov.br/fazenda/pt-br).
A Folha atualiza esta reportagem quando o texto for publicado.
