# Adolescente pega faca e escapa de importunação sexual em fazenda de Patos de Minas

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- Published: 2026-09-15T13:35:44-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

Um adolescente de 14 anos pegou uma faca na cozinha de uma fazenda e exigiu que 
o dono da propriedade, um homem de 68 anos, o levasse de volta para a cidade. Foi
assim que ele saiu do lugar, no fim de semana, depois de acordar e perceber que 
estava sendo beijado enquanto dormia. O caso, registrado pela Polícia Militar como
importunação sexual, aconteceu na zona rural de Patos de Minas e agora está com 
a Polícia Civil.

O suspeito não foi localizado. A Polícia Militar fez rastreamento na região depois
de acionada e não o encontrou até o fechamento do boletim. Não há prisão, não há
denúncia formal e a versão dele ainda não foi ouvida.

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 * [O que o adolescente contou à polícia](https://folhadepatrocinio.com/noticias/importunacao-sexual/#O_que_o_adolescente_contou_a_policia)
 * [Importunação sexual e o que pode mudar na investigação](https://folhadepatrocinio.com/noticias/importunacao-sexual/#Importunacao_sexual_e_o_que_pode_mudar_na_investigacao)
 * [Reagir é direito, e o adolescente fez o que a lei permite](https://folhadepatrocinio.com/noticias/importunacao-sexual/#Reagir_e_direito_e_o_adolescente_fez_o_que_a_lei_permite)
 * [Onde denunciar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/importunacao-sexual/#Onde_denunciar)

## O que o adolescente contou à polícia

Segundo o registro policial, o garoto foi passar o fim de semana na fazenda com 
autorização da mãe, de 36 anos, a convite de uma conhecida da família. No primeiro
dia andou a cavalo e foi até uma cachoeira na propriedade.

Durante o jantar, de acordo com o relato dele, tomou um refrigerante servido pelo
dono da casa e logo em seguida sentiu uma sonolência forte, fora do comum. Disse
não lembrar como foi parar na cama. Quando acordou, percebeu que o homem o beijava.
Levantou, pegou uma faca e exigiu ser levado embora na hora.

O homem atendeu e o deixou na porta de casa. Ainda segundo o relato registrado pela
PM, antes de ir embora ele disse à mãe do adolescente que tinha antecipado a volta
porque o menino estava com saudade da família, e que nada havia acontecido. O garoto
contou o que tinha vivido primeiro à irmã e depois à mãe, que acionou a polícia.

![Praça central de Patos de Minas, município onde foi registrado o caso de importunação
sexual](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/09/importunacao-sexual-
corpo.jpg)

Centro de Patos de Minas. A imagem é ilustrativa e não tem relação com as pessoas
envolvidas no caso. Foto: Max Milliano Melo/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

## Importunação sexual e o que pode mudar na investigação

A importunação sexual entrou no Código Penal em 2018, pela [Lei 13.718](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13718.htm),
e pune quem pratica ato libidinoso contra alguém sem o consentimento dessa pessoa,
com pena de um a cinco anos. Foi criada justamente para cobrir situações que antes
eram tratadas como contravenção, como o caso das mulheres assediadas em transporte
público.

Só que a classificação inicial de um boletim de ocorrência não define o processo.
Ela é a leitura possível no momento do registro, com a informação disponível ali.
Quando a vítima tem menos de 14 anos, a lei brasileira presume a vulnerabilidade
e o enquadramento é estupro de vulnerável, com pena de 8 a 15 anos. Entre 14 e 18,
a análise depende das circunstâncias, e pesam fatores como a diferença de idade,
a relação de autoridade ou confiança e, principalmente, a capacidade de consentir.

É aí que o detalhe do refrigerante pode ser determinante. Se a investigação confirmar
que houve substância capaz de reduzir a consciência da vítima, o Código Penal trata
a pessoa como incapaz de oferecer resistência, e a conduta deixa o campo da importunação
sexual e passa a ser estupro de vulnerável. Esse é um dos pontos que a Polícia Civil
precisa apurar, e é o tipo de prova que depende de exame feito rápido.

## Reagir é direito, e o adolescente fez o que a lei permite

Pegar a faca para interromper o que estava acontecendo e garantir a própria saída
é legítima defesa, prevista no [artigo 25 do Código Penal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm).
Ele não feriu ninguém e usou o objeto como meio de cessar a agressão e sair do local,
que é exatamente a hipótese que a lei protege.

Vale dizer também que ele fez o mais difícil e o mais importante: contou. Primeiro
à irmã, depois à mãe. A maioria dos casos de violência sexual contra meninos nunca
é relatada, e o silêncio costuma durar décadas quando dura. Contar no mesmo dia 
é o que permitiu que a polícia fosse acionada enquanto os vestígios ainda existiam.

## Onde denunciar

O Disque 100 recebe denúncias de violência contra crianças e adolescentes 24 horas
por dia, de graça e sem necessidade de identificação. O [Conselho Tutelar atende qualquer criança ou adolescente](https://folhadepatrocinio.com/noticias/adolescente-em-patos-de-minas/)
que procure o serviço, mesmo sozinho. Em risco imediato, o número é o 190.

A Folha não divulga nome, endereço nem qualquer dado que permita identificar o adolescente,
como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente. O homem apontado no boletim
também não é identificado: ele não foi preso, não responde a denúncia formal até
o momento e tem direito à presunção de inocência.
