# Impeachment de ministros do STF: senadora eleita do PT diz que “teremos que fazer” se o Supremo não agir no caso Master

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- Published: 2026-11-01T13:38:40-03:00
- Author: Caio Menezes

“Se a alternativa for o impeachment, nós teremos que fazer o impeachment.” A frase
é de Marília Campos (PT), eleita em outubro a primeira senadora do partido por Minas
Gerais, e trata do impeachment de ministros do STF. Ela condiciona a medida a uma
coisa: o Supremo não tomar providências sobre a conduta dos próprios integrantes
nas investigações do caso Master.

Marília deu a declaração em entrevista publicada no fim de outubro, depois da eleição.
Em Patrocínio (MG), ela teve 9.773 votos para o Senado, 11,56% dos válidos, e ficou
em quarto lugar na cidade, embora tenha sido a segunda mais votada no estado.

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 * [O que Marília disse sobre o impeachment de ministros do STF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-ministros-do-stf/#O_que_Marilia_disse_sobre_o_impeachment_de_ministros_do_STF)
 * [Na campanha, o tom era outro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-ministros-do-stf/#Na_campanha_o_tom_era_outro)
 * [Quem decide o impeachment de um ministro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-ministros-do-stf/#Quem_decide_o_impeachment_de_um_ministro)
 * [A votação de Marília em Patrocínio e em Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-ministros-do-stf/#A_votacao_de_Marilia_em_Patrocinio_e_em_Minas)

## O que Marília disse sobre o impeachment de ministros do STF

A senadora eleita disse que o impeachment de ministros não deve virar “grande bandeira”
nem um fim em si mesmo. Mas defendeu que o Senado use as próprias prerrogativas 
se o tribunal não apurar o que pesa contra seus membros. “O Supremo é quem tem acesso
a essas investigações, ele tem que tomar as providências. Senão, o Senado tem de
se apropriar delas e, dentro das regras constitucionais, tomar as medidas cabíveis”,
afirmou.

Ela também disse que as apurações do caso Master mostram relações do banqueiro Daniel
Vorcaro com ministros e com políticos, e que todos devem ser investigados. Na mesma
entrevista, previu um quarto mandato de Lula com uma “frente ampla” de partidos 
e com menos interferência entre os Três Poderes. “Acho que temos que fortalecer 
a democracia com cada poder cuidando da sua pasta”, disse.

## Na campanha, o tom era outro

Durante a campanha, Marília evitou responder se votaria a favor de pedidos de impeachment
contra ministros. No fim de setembro, ao falar do caso Master, cobrou punição para
quem estiver envolvido, sem citar nomes: “Não pode ter impunidade. Pode ser ministro,
pode ser deputado, qualquer liderança, porque a lei deve ser para todos”. Disse 
ainda que o STF não pode se “acovardar” diante das suspeitas e propôs um código 
de conduta para os Três Poderes, mas defendeu que o Supremo fosse preservado como
instituição.

Em outro momento da campanha, ela defendeu discutir os critérios de indicação de
ministros ao STF, com a possibilidade de lista tríplice. O deputado federal Nikolas
Ferreira (PL), adversário dela em Minas, chamou a petista de “Dilma 2.0” e cobrou
que ela dissesse como votaria num pedido de impeachment contra o ministro Alexandre
de Moraes.

![Ministros do STF aplaudem de pé no plenário do Supremo, em Brasília, durante sessão
solene de posse](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/impeachment-
de-ministros-do-stf-2.webp)

Plenário do STF na posse de Edson Fachin na presidência do tribunal, em setembro
de 2025. Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

## Quem decide o impeachment de um ministro

Pela [Constituição](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm),
no artigo 52, cabe ao Senado processar e julgar ministros do Supremo por crime de
responsabilidade. O rito segue a Lei 1.079, de 1950. O pedido chega à Mesa do Senado,
e é o presidente da Casa quem decide se ele anda ou fica parado.

Hoje, a cadeira é de Davi Alcolumbre (União-AP), que não deu seguimento a nenhum
dos pedidos contra ministros. Em dezembro de 2025, uma liminar do ministro Gilmar
Mendes, do próprio STF, elevou a exigência para abrir o processo: são precisos dois
terços do Senado, ou 54 dos 81 senadores.

Em 1º de fevereiro de 2027, quando Marília toma posse, o Senado escolhe o novo presidente.
Alcolumbre tenta a reeleição, como a Folha mostrou na reportagem sobre as [negociações de Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/alcolumbre-avalia-indulto/)
para continuar no cargo. O PL terá a maior bancada, com 28 cadeiras, segundo o levantamento
sobre o [Senado em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/senado-em-2027/),
número que fica a 26 votos dos 54 exigidos.

## A votação de Marília em Patrocínio e em Minas

Marília Campos teve 3.990.864 votos em Minas, 19,44% dos válidos, e ficou com a 
segunda vaga do estado, atrás de Domingos Sávio (PL). Em Patrocínio, a ordem foi
diferente: Domingos Sávio liderou com 28.320 votos, Carlos Viana (PSD) teve 15.252,
Marco Antônio Superman (Novo), 14.294, e Marília ficou em quarto, como detalhou 
a reportagem sobre o [voto para senador em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/voto-para-senador-em-patrocinio/).

Ex-prefeita de Contagem, na Grande BH, Marília assume o mandato de oito anos em 
fevereiro e fica no Senado até o início de 2035. Ela vai votar, logo no primeiro
dia de mandato, na eleição que define quem controla a pauta dos pedidos contra ministros
do Supremo.
