# Impeachment de Lula em 2027 exige 342 votos; PL terá 121 deputados e IFI vê R$ 40 bi fora do Orçamento

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- Published: 2026-11-01T19:04:44-03:00
- Author: Caio Menezes

O impeachment de Lula em 2027 virou assunto depois que a oposição saiu das urnas
com a maior bancada da Câmara e a Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado,
passou a falar em rombo maior que o previsto. A Folha juntou os números que existem
até agora: R$ 40 bilhões em medidas fora do Orçamento, 121 deputados do PL a partir
de fevereiro e R$ 44,8 bilhões em emendas na proposta de 2027. Também foi ver o 
que a Constituição exige para que um processo comece, e essa conta é bem mais difícil
de fechar.

Lula foi reeleito em 25 de outubro e começa o novo mandato em 1º de janeiro. Até
aqui, nenhum pedido de impeachment contra ele foi aceito pela presidência da Câmara.
A comparação com 2015, quando Dilma Rousseff também tinha acabado de se reeleger,
aparece na [reportagem que pôs as duas reeleições lado a lado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-e-dilma/).

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-lula-em-2027/#)

 * [A conta da IFI para 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-lula-em-2027/#A_conta_da_IFI_para_2027)
 * [Rombo não é crime de responsabilidade](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-lula-em-2027/#Rombo_nao_e_crime_de_responsabilidade)
 * [Quem decide se o impeachment de Lula começa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-lula-em-2027/#Quem_decide_se_o_impeachment_de_Lula_comeca)
 * [O peso das emendas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-lula-em-2027/#O_peso_das_emendas)
 * [E se presidente e vice saírem?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-lula-em-2027/#E_se_presidente_e_vice_sairem)

## A conta da IFI para 2027

No Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 117, divulgado em 29 de outubro, a IFI 
lista medidas anunciadas na campanha que não estão no Projeto de Lei Orçamentária
de 2027. Segundo o texto, apenas o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação
com o fim das bets e o pacote dos MEIs representam R$ 40 bilhões de desequilíbrio
adicional não orçado. O relatório cita ainda o Pé-de-Meia para o ensino superior
e a tarifa zero no transporte coletivo nos fins de semana, sem pôr valor nesses 
dois.

A diferença já aparecia antes das promessas. No relatório de setembro, a IFI projetou
déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027, o equivalente a 0,6% do PIB. O governo,
na proposta de Orçamento enviada ao Congresso, prevê o contrário: superávit de R
$ 18,6 bilhões. Entre uma conta e outra há R$ 104,8 bilhões. Somando as promessas,
a IFI calcula que o déficit pode chegar a 1% do PIB, enquanto seria preciso um superávit
de 2,1% do PIB para estabilizar a dívida pública. O ajuste necessário, nas palavras
do relatório, seria “algo como 3 p.p. do PIB”.

O governo diz que vai rever gastos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou
que pretende mudar a regra do [centro da meta fiscal](https://folhadepatrocinio.com/noticias/centro-da-meta-fiscal/)
ainda em 2026, e o próprio Planejamento admite que o reajuste do Bolsa Família ficou
fora da [revisão de R$ 53,7 bilhões prevista até 2030](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ajuste-fiscal-do-bolsa-familia/).
A íntegra do relatório está no [site da IFI](https://www12.senado.leg.br/ifi/pdf/raf117_out2026.pdf).

![Dilma Rousseff em 2015, ano em que a Câmara aceitou o pedido de impeachment](https://
folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/impeachment-de-lula-em-2027-2.webp)

Dilma Rousseff em abril de 2015. Foto: Agência Brasil

## Rombo não é crime de responsabilidade

É aqui que a comparação com Dilma precisa de cuidado. Ela foi afastada por crime
de responsabilidade ligado às contas públicas: as chamadas pedaladas fiscais e decretos
de crédito suplementar editados sem autorização do Congresso. A Câmara autorizou
o processo em 17 de abril de 2016, com 367 votos, e o Senado a condenou em 31 de
agosto do mesmo ano, por 61 a 20.

Déficit, sozinho, não basta. Desde o arcabouço fiscal de 2023 (Lei Complementar 
200), ficar abaixo do piso da meta não é infração à Lei de Responsabilidade Fiscal
para o gestor que fez os bloqueios exigidos e respeitou as vedações da lei. Para
abrir um processo, a denúncia precisa apontar um ato que se encaixe na Lei 1.079,
de 1950, que define os crimes de responsabilidade do presidente.

## Quem decide se o impeachment de Lula começa

O primeiro filtro é o presidente da Câmara, que recebe os pedidos e decide se eles
seguem. Em 2015, Eduardo Cunha segurava os pedidos contra Dilma. No dia 2 de dezembro,
os deputados do PT anunciaram que votariam contra ele no Conselho de Ética, onde
Cunha respondia a um processo de cassação. No mesmo dia, ele aceitou a denúncia 
apresentada pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal.

![Eduardo Cunha, presidente da Câmara que aceitou o impeachment de Dilma em 2015](
https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/impeachment-de-lula-em-
2027-3.webp)

Eduardo Cunha em junho de 2015, quando presidia a Câmara. Foto: Jonas Pereira/Agência
Senado

Em 2027, a Câmara escolhe o novo presidente em fevereiro. Hugo Motta (Republicanos-
PB) tenta a [reeleição com o apoio de 15 partidos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/reeleicao-de-hugo-motta/),
e o PT já ameaça deixar o bloco se o PL e o Novo entrarem.

Depois do presidente da Câmara vem o plenário. A Constituição exige dois terços 
dos deputados, 342 dos 513, para autorizar o processo. O PL elegeu 121 deputados,
a maior bancada desde 1988, e o PT tem 70 (88 com a federação que inclui PCdoB e
PV), segundo a [divisão das cadeiras a partir de 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bancadas-da-camara-em-2027/).
Para chegar a 342, o PL precisaria somar mais 221 votos, o que exige quase todo 
o Centrão. Há deputado eleito que já diz votar pelo afastamento: Gleidson Azevedo(
Republicanos-MG) prometeu o voto e um [“tesouraço” contra Lula no Congresso](https://folhadepatrocinio.com/noticias/gleidson-azevedo-impeachment/).

![Card com os 342 votos exigidos para o impeachment de Lula e as bancadas do PL 
e do PT em 2027](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/impeachment-
de-lula-em-2027-4-scaled.webp)

Votos exigidos e bancadas a partir de 2027. Arte: Folha de Patrocínio, com dados
do TSE

## O peso das emendas

A proposta de Orçamento de 2027 reserva R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares
impositivas, segundo a Consultoria de Orçamento da Câmara: R$ 28,5 bilhões em emendas
individuais e R$ 16,3 bilhões em emendas de bancada. Em 2026, a previsão inicial
era de R$ 40,8 bilhões.

Esse dinheiro chega às cidades dos deputados e pesa nas votações. Se a IFI estiver
certa, o governo terá de bloquear cerca de R$ 35,7 bilhões em gastos discricionários
em 2027, e a regra permite contingenciar as emendas na mesma proporção das outras
despesas. Corte de emenda costuma azedar a relação com a base.

![Fachada do Palácio do Planalto, em Brasília](https://folhadepatrocinio.com/wp-
content/uploads/2026/11/impeachment-de-lula-em-2027-5.webp)

Palácio do Planalto. Foto: Agência Senado

## E se presidente e vice saírem?

O artigo 81 da Constituição trata da vaga dupla. Se presidente e vice deixarem o
cargo nos dois primeiros anos do mandato, há eleição direta em 90 dias. Nos dois
últimos anos, quem escolhe é o Congresso, em eleição indireta, em até 30 dias. Com
o impeachment de um presidente, quem assume é o vice. Foi o que aconteceu com Michel
Temer em 2016.

Por enquanto, o que existe é a conta da IFI e uma bancada de oposição maior. Nenhum
pedido foi aceito e nenhuma denúncia com crime de responsabilidade está em análise
na Câmara. A Folha atualiza esta página se isso mudar.
