# Tarifa de 25% dos EUA e embaixador sem aval: o impasse que Lula leva ao quarto mandato

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- Published: 2026-10-26T17:09:55-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

A tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros e a falta de um embaixador americano
em Brasília são os dois itens mais visíveis do impasse que Lula leva ao quarto mandato.
O presidente foi reeleito no domingo (25) e toma posse em 5 de janeiro de 2027, 
com a negociação comercial sem acordo e o canal diplomático sustentado mais por 
telefonemas do que por rotina.

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 * [O que está em vigor: a tarifa de 25%](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impasse-que-lula-leva/#O_que_esta_em_vigor_a_tarifa_de_25)
 * [O embaixador que espera o aval de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impasse-que-lula-leva/#O_embaixador_que_espera_o_aval_de_Lula)
 * [O diálogo com o Departamento de Estado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impasse-que-lula-leva/#O_dialogo_com_o_Departamento_de_Estado)
 * [O que muda depois da eleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impasse-que-lula-leva/#O_que_muda_depois_da_eleicao)

## O que está em vigor: a tarifa de 25%

A sobretaxa vem de uma investigação do USTR, o escritório de comércio da Casa Branca,
aberta com base na Seção 301 da lei comercial americana de 1974. Em 1º de junho,
o órgão concluiu que práticas brasileiras eram irrazoáveis. Os temas citados foram
comércio digital e pagamentos eletrônicos, etanol, propriedade intelectual, combate
à corrupção e desmatamento ilegal. A ação final saiu em 15 de julho, e a tarifa 
adicional de 25% passou a valer em 22 de julho de 2026. A íntegra do aviso e as 
listas de produtos isentos estão na [página do USTR sobre as investigações da Seção 301](https://ustr.gov/issue-areas/enforcement/section-301-investigations).

A tarifa não alcança tudo o que o Brasil vende. Os anexos do aviso trazem listas
de produtos isentos, e mercadorias que já pagam tarifa por outro dispositivo, a 
Seção 232, ficam fora da nova cobrança. Reportagens do período também falam em uma
segunda sobretaxa, de 12,5%, ligada a outra investigação, sobre importação de produtos
feitos com trabalho forçado. Nos itens atingidos pelas duas, a soma chegaria a 37,5%.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, as duas medidas atingem 3.985 produtos,
o equivalente a cerca de US$ 10,8 bilhões em exportações.

O ponto de partida é anterior. Em julho de 2025, os EUA já haviam imposto uma tarifa
de 50% sobre produtos brasileiros, e a nova cobrança chegou depois de uma investigação
que o governo Lula contestou desde o início. O Brasil abriu procedimentos pela Lei
da Reciprocidade Econômica, que permite retaliação, e levou o caso à Organização
Mundial do Comércio, segundo reportagens do período.

![Lula e Trump posam com integrantes das duas comitivas no Salão Oval, em maio, 
quando a tarifa de 25% dos EUA já estava em discussão](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/10/impasse-que-lula-leva-2.webp)

Lula e Trump no Salão Oval, em 7 de maio, ao lado de integrantes das duas comitivas.
Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0).

## O embaixador que espera o aval de Lula

O Brasil está sem embaixador americano desde janeiro de 2025, e a embaixada em Brasília
é tocada por um encarregado de negócios, Gabriel Escobar. Donald Trump indicou o
deputado Daniel Perez para o posto, e o Senado dos EUA confirmou o nome por 51 votos
a 47. Falta o agrément, a concordância formal do governo brasileiro, que cabe a 
Lula.

Em agosto, Lula disse que só decidiria depois da eleição. A indicação foi anunciada
por Trump antes de o Brasil ter dado o consentimento, o que, segundo reportagens,
causou incômodo no Itamaraty, porque esse tipo de pedido costuma tramitar com discrição.
Não há prazo para a resposta. Reportagens indicam que o aval deve sair até o fim
do ano, mas nenhuma autoridade brasileira confirmou a data.

## O diálogo com o Departamento de Estado

O contato direto entre os dois presidentes existe e já rendeu encontros. Lula esteve
na Casa Branca em 7 de maio. Em 21 de agosto, os dois conversaram por telefone durante
1h20, numa ligação que o Planalto classificou como cordial. Segundo a [Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/lula-liga-para-trump-e-diz-que-alegacoes-para-tarifaco-sao-infundadas),
Lula disse que as alegações americanas que motivaram as tarifas são infundadas, 
e Trump propôs um reencontro breve das equipes diplomáticas e disse que indicaria
autoridades de alto escalão para conduzir as conversas.

Segundo nota do lado brasileiro, Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio,
para negociar com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e 
o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A negociação técnica ficou com o ministro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e com o chefe do USTR,
Jamieson Greer.

No fim de agosto, o Brasil ofereceu reduzir as alíquotas de cerca de 300 produtos.
Segundo reportagens, os americanos consideraram a oferta insuficiente e pediram 
abertura nas áreas de química, autopeças e eletroeletrônicos. Também sondaram um
acordo nos moldes do que firmaram com a Argentina, formato que o governo brasileiro
considera inaceitável. Uma das linhas vermelhas de Brasília é o etanol: reduzir 
a tarifa sobre o produto americano só faz sentido, para o governo, se vier acompanhada
de abertura do mercado dos EUA ao açúcar, o que Washington recusa.

## O que muda depois da eleição

A reeleição reorganiza o calendário. Antes, o governo apostava pouco em acordo antes
de outubro. Agora há duas questões à mesa: o aval ao embaixador, que pode funcionar
como gesto de boa vontade, e uma nova rodada entre Elias Rosa e Greer, que ainda
não tem data.

O gesto de Washington também pesa. Na manhã desta segunda-feira (26), a Casa Branca
ainda não havia reconhecido o resultado, como a Folha mostrou em [Silêncio de Trump](https://folhadepatrocinio.com/noticias/silencio-de-trump/).
A vitória foi de Lula, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro,
conforme a [apuração do TSE](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-e-reeleito/).
A [posse em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/posse-de-lula-em-2027/)
também define o prazo de Lula para ajustar a relação. No mercado, a reação ao resultado
apareceu no câmbio e na bolsa, como mostra a matéria sobre o [circuit breaker na B3](https://folhadepatrocinio.com/noticias/circuit-breaker-na-b3/).

Por enquanto, a tarifa segue em vigor, o embaixador espera o aval, a negociação 
não tem data e Trump não se manifestou sobre a eleição brasileira. A Folha atualiza
esta matéria quando houver nova rodada, decisão sobre o agrément ou mudança nas 
tarifas.
