# Trump insinua fraude na eleição do Brasil, sem provas, e jura que “gosta de Lula”

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/
- Published: 2026-10-27T20:15:27-03:00
- Author: Caio Menezes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou nesta terça-feira (27) a insinuar
fraude na eleição do Brasil, sem apresentar provas, e no dia anterior tinha feito
questão de dizer que gosta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Num comício no Texas,
Trump comparou os democratas americanos ao processo brasileiro e disse que o Brasil“
também está fazendo um bom trabalho” em manipular eleições. Lula foi reeleito no
domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL),
segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Até a publicação desta matéria, nenhum tribunal ou órgão oficial tinha apontado 
fraude na votação, e Trump não citou documento, número ou procedimento que sustentasse
a insinuação.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#)

 * [O que Trump disse no Texas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#O_que_Trump_disse_no_Texas)
 * [“Eu gosto do Lula”: a fala de segunda](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#%E2%80%9CEu_gosto_do_Lula%E2%80%9D_a_fala_de_segunda)
 * [A prorrogação que Trump chamou de “muito estranha”](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#A_prorrogacao_que_Trump_chamou_de_%E2%80%9Cmuito_estranha%E2%80%9D)
 * [Fraude na eleição do Brasil: o que dizem os números](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#Fraude_na_eleicao_do_Brasil_o_que_dizem_os_numeros)
 * [A reação do governo brasileiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#A_reacao_do_governo_brasileiro)
 * [As falas mudam o resultado?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fraude-na-eleicao-do-brasil/#As_falas_mudam_o_resultado)

## O que Trump disse no Texas

A fala veio num comício em apoio ao republicano Ken Paxton, a uma semana das eleições
legislativas americanas de 3 de novembro. Trump atacava os adversários internos 
quando puxou o Brasil para o discurso. “Os democratas são os maiores manipuladores
de eleições da história. Mas o Brasil também está fazendo um bom trabalho, não está?”,
disse.

Em seguida, comentou o segundo turno brasileiro. “Vocês viram aquilo? Aquilo não
foi legal. Eu não apoiei nenhum lado, mas não gostei. Não pareceu muito bom”, afirmou.

![Trump insinua fraude na eleição do Brasil: o presidente americano discursa e aponta
o dedo](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/fraude-na-eleicao-
do-brasil-2.webp)

Donald Trump discursa em Denton, no Texas, em 1º de outubro, em foto de arquivo.
Foto: Molly Riley/Casa Branca (domínio público).

## “Eu gosto do Lula”: a fala de segunda

Na segunda-feira (26), Trump já tinha falado do assunto com jornalistas. “Não tomei
partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, declarou. “As eleições precisam
ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim.” Na mesma conversa, fez o elogio
que deixou a declaração com cara de contradição: “Eu gosto do Lula. Me dou muito
bem com ele”.

Até a manhã de segunda, a Casa Branca não tinha reconhecido publicamente a vitória
de Lula, como a Folha mostrou em [silêncio de Trump](https://folhadepatrocinio.com/noticias/silencio-de-trump/).
Governos de vários países já tinham parabenizado o presidente brasileiro.

## A prorrogação que Trump chamou de “muito estranha”

O alvo concreto de Trump foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal
Federal, que estendeu a votação do segundo turno em duas horas. Para o presidente
americano, a medida foi “muito estranha” e prejudicou a imagem do processo eleitoral.

A prorrogação foi decidida depois de relatos de problemas no transporte público,
chuva e outras dificuldades de eleitores em várias regiões, e saiu quando parte 
das seções já tinha encerrado a votação. O TSE suspendeu a totalização dos votos
durante o período extra e retomou a apuração às 19h, sem reabrir as urnas que já
tinham sido fechadas. O tema já tinha rendido críticas do entorno de Trump, como
a Folha relatou em [filho de Trump critica imprensa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/filho-de-trump-critica-imprensa/).

## Fraude na eleição do Brasil: o que dizem os números

Lula venceu por cerca de 4,4 milhões de votos. Flávio teve 59,8 milhões, 48,21% 
dos válidos, e o resultado foi proclamado pelo TSE, que publica os dados por seção
eleitoral no portal [Resultados do TSE](https://resultados.tse.jus.br/). Qualquer
pessoa pode conferir ali os boletins de urna.

Trump não é o primeiro nome de peso a questionar o resultado. O empresário Elon 
Musk disse que “a conta não fecha”, e a Folha mostrou o que os números oficiais 
dizem em [Musk questiona vitória de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/musk-questiona-vitoria-de-lula/).
Nenhum dos dois apresentou prova de fraude na eleição do Brasil.

![Lula sorri durante entrevista no Palácio da Alvorada](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/10/fraude-na-eleicao-do-brasil-3.webp)

Lula durante entrevista no Palácio da Alvorada, em 1º de outubro, em foto de arquivo.
Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0).

## A reação do governo brasileiro

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou
as declarações e disse que Trump está mal informado, segundo relatos. O Itamaraty
não tinha divulgado nota oficial sobre as falas até a publicação desta matéria.

A relação entre os dois governos já vinha tensa antes da eleição. A tarifa de 25%
sobre produtos brasileiros e a troca de embaixador sem aval estão entre os temas
que Lula leva ao quarto mandato, como a Folha mostrou em [o impasse que Lula leva](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impasse-que-lula-leva/).

## As falas mudam o resultado?

As falas de Trump sobre fraude na eleição do Brasil não têm efeito sobre o resultado.
A diplomação dos eleitos é feita pela Justiça Eleitoral, e a posse está marcada 
para 5 de janeiro de 2027, pela regra da Emenda Constitucional 111. O que muda é
o tom da relação entre Brasília e Washington nas próximas semanas: a Casa Branca
não tinha reconhecido formalmente a vitória de Lula até segunda, e o próprio Trump
diz, ao mesmo tempo, que se dá bem com ele.
