# Venezuela e Brasil no FMI: vizinho deve crescer 5% em 2026, mais que o dobro dos 2,2% brasileiros, mas tem só 38% da economia de 2013

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- Published: 2026-10-30T23:42:03-03:00
- Author: Caio Menezes

Venezuela e Brasil aparecem em ritmos bem diferentes nas projeções do FMI para 2026.
O Fundo Monetário Internacional estima que a economia venezuelana cresça 5,0% no
ano que vem, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve avançar 2,2%,
menos da metade. Os números estão na edição de outubro do relatório Perspectivas
da Economia Mundial, divulgada na segunda-feira, 12 de outubro.

Para o Brasil, foi um corte. Em julho, o FMI esperava 2,4% para 2026. Agora, além
dos 2,2% do ano que vem, o Fundo prevê uma desaceleração maior em 2027, para 1,9%,
por causa dos juros altos por mais tempo e da contenção dos gastos públicos.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fmi-venezuela-e-brasil/#)

 * [Venezuela e Brasil: o que o FMI projeta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fmi-venezuela-e-brasil/#Venezuela_e_Brasil_o_que_o_FMI_projeta)
 * [Por que a Venezuela cresce mais rápido](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fmi-venezuela-e-brasil/#Por_que_a_Venezuela_cresce_mais_rapido)
 * [O que pesa no PIB brasileiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/fmi-venezuela-e-brasil/#O_que_pesa_no_PIB_brasileiro)

## Venezuela e Brasil: o que o FMI projeta

A Venezuela vem de dois anos de expansão forte na conta do FMI: 8,9% em 2024 e 9,0%
em 2025. Para 2026 a estimativa cai para 5,0% e, em 2027, volta a subir, para 7,0%.
O relatório cita a Venezuela entre os países que aumentaram a produção de petróleo
neste ano, ao lado de Brasil, Cazaquistão e Estados Unidos.

O Brasil cresceu 3,4% em 2024, deve fechar 2025 com 2,3% e, pela projeção, perde
fôlego nos dois anos seguintes. A estimativa do Fundo ainda é mais otimista que 
a do próprio governo e a do mercado. O Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda,
de setembro, baixou a previsão de 2,3% para 2,0%. O Boletim Focus, que reúne as 
apostas de instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central, aponta 1,85% para
2026 e 1,40% para 2027.

![Gráfico com a projeção do FMI para Venezuela e Brasil em 2026](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/10/fmi-venezuela-e-brasil-2.webp)

Projeção de crescimento do PIB em 2026 no relatório de outubro do FMI. Arte: Folha
de Patrocínio. Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

## Por que a Venezuela cresce mais rápido

Parte da diferença se explica pelo ponto de partida. Entre 2014 e 2020, a economia
venezuelana encolheu ano após ano, com quedas de 17% em 2016, 21,4% em 2018, 29%
em 2019 e 33,2% em 2020, segundo a série do próprio FMI. Somadas, essas perdas reduziram
o PIB do país a cerca de um quarto do que era em 2013.

Pelo cálculo da Folha com os dados do Fundo, mesmo com a alta prevista para 2026,
a economia venezuelana chegará ao fim do ano com pouco mais de um terço, cerca de
38%, do tamanho que tinha em 2013. Quando a base é pequena, qualquer recuperação
aparece como um percentual alto. O Brasil, que não passou por um colapso desse tamanho,
cresce sobre uma economia muito maior.

Mesmo assim, entre os países da região, o Brasil fica na parte de baixo da tabela.
Para 2026, o FMI projeta 4,5% para o Paraguai, 3,0% para o Peru, 2,2% para a Colômbia(
empatada com o Brasil), 2,1% para a Argentina, 1,5% para o México e 0,6% para o 
Chile. A Bolívia deve encolher 3,0%.

![Lula entre Davi Alcolumbre e Hugo Motta no Palácio da Alvorada, Venezuela e Brasil
no FMI](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/fmi-venezuela-e-
brasil-3-scaled.webp)

Lula recebe Davi Alcolumbre e Hugo Motta no Palácio da Alvorada, em 26 de outubro.
Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

## O que pesa no PIB brasileiro

O FMI liga a desaceleração do Brasil às condições monetárias apertadas, com a taxa
básica de juros alta por um período prolongado, e ao esforço de contenção fiscal.
O Banco Central tem mantido os juros elevados para segurar a inflação, como mostrou
a reportagem sobre a [ata do Copom](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ata-do-copom/).
Em agosto, o próprio Fundo calculou que a [dívida pública do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/divida-publica-do-brasil/)
chegaria a 96,5% do PIB.

O cenário ficou mais tenso depois da eleição. Na primeira semana após a reeleição
de Lula (PT), a Bolsa acumulou queda de 18,12% e o dólar subiu 9%, com o mercado
cobrando o nome do novo ministro da Fazenda e um plano para as contas públicas, 
como contou a matéria sobre [a economia do amor](https://folhadepatrocinio.com/noticias/economia-do-amor/).
A forma de medir o PIB também está em discussão no IBGE, que estuda uma [nova conta para 2028](https://folhadepatrocinio.com/noticias/drogas-no-pib/).

No mundo, o FMI manteve a projeção de crescimento em cerca de 3,1% para 2026, com
recuperação para 3,4% em 2027. O Fundo também prevê que o Brasil volte a ser a oitava
maior economia do planeta em 2027, pela medida em dólares. Os números completos,
país a país, estão no [painel de dados do FMI](https://www.imf.org/external/datamapper/NGDP_RPCH@WEO/OEMDC/ADVEC/WEOWORLD).
