# Flávio Bolsonaro fica sem mandato em 2027: o que muda no foro e nos inquéritos do STF

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-sem-mandato-em-2027/
- Published: 2026-10-26T18:45:48-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficará sem mandato em 2027. O mandato dele no
Senado vai de 2019 a 2027 e termina em 31 de janeiro, e ele não disputou a reeleição
porque foi candidato à Presidência. Derrotado por Lula no segundo turno de 25 de
outubro, com 48,21% dos votos válidos contra 51,79%, ele deixa a cadeira e, com 
ela, o foro por prerrogativa de função para fatos novos. Para os inquéritos que 
já correm no Supremo Tribunal Federal (STF), a regra é outra e depende do que cada
investigação apura.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-sem-mandato-em-2027/#)

 * [Flávio Bolsonaro sem mandato em 2027: quando termina o mandato](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-sem-mandato-em-2027/#Flavio_Bolsonaro_sem_mandato_em_2027_quando_termina_o_mandato)
 * [O que é o foro privilegiado e o que muda em fevereiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-sem-mandato-em-2027/#O_que_e_o_foro_privilegiado_e_o_que_muda_em_fevereiro)
 * [Os inquéritos em que Flávio Bolsonaro aparece](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-sem-mandato-em-2027/#Os_inqueritos_em_que_Flavio_Bolsonaro_aparece)
 * [O que ainda está em aberto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-sem-mandato-em-2027/#O_que_ainda_esta_em_aberto)

## Flávio Bolsonaro sem mandato em 2027: quando termina o mandato

Flávio foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018 e tomou posse em 1º de fevereiro
de 2019, para um mandato de oito anos. A página dele no Senado registra o período
de 2019 a 2027. Em 1º de fevereiro de 2027, quando a nova legislatura começa, os
senadores eleitos em 2026 assumem as vagas, e o PL, partido de Flávio, passa a ter
a maior bancada da Casa, segundo a Agência Senado.

Antes do Senado, Flávio exerceu quatro mandatos seguidos de deputado estadual na
Assembleia Legislativa do Rio, a partir de 2003. Foram cinco mandatos consecutivos,
24 anos sem interrupção em cargo eletivo. A única derrota anterior em urna foi a
disputa pela Prefeitura do Rio, em 2016, quando ficou em quarto lugar no primeiro
turno.

Depois da derrota para Lula, Flávio disse que não reconhece o resultado e anunciou
que pedirá a anulação do segundo turno na Justiça. A [Folha de Patrocínio mostrou o resultado da eleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-e-reeleito/),
e a data da posse do presidente eleito, que muda em 2027, está em [outra reportagem](https://folhadepatrocinio.com/noticias/posse-de-lula-em-2027/).

![Flávio Bolsonaro, que ficará sem mandato em 2027, em audiência no gabinete do 
presidente do STF](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/flavio-
sem-mandato-em-2027-2.webp)

Flávio Bolsonaro em audiência com o presidente do STF, Edson Fachin, em foto do 
arquivo do tribunal. Foto: STF (domínio público).

## O que é o foro privilegiado e o que muda em fevereiro

O foro por prerrogativa de função, chamado de foro privilegiado, define qual tribunal
julga uma autoridade. Pela Constituição, deputados federais e senadores respondem
por crimes comuns no STF enquanto estão no cargo. Quem não tem mandato é julgado,
em regra, pela primeira instância da Justiça, como qualquer cidadão.

A regra tem duas decisões do STF por trás. Em 2018, no julgamento da Ação Penal 
937, o Supremo limitou o foro dos parlamentares aos crimes cometidos durante o mandato
e ligados ao exercício das funções. Em março de 2025, no Inquérito 4787, a Corte
decidiu que essa prerrogativa se mantém depois da saída do cargo, para crimes cometidos
no cargo e em razão dele, mesmo quando o inquérito ou a ação começa depois. Quatro
ministros divergiram, entre eles Edson Fachin, hoje presidente do tribunal, Cármen
Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça, que defendiam encerrar o foro junto com o cargo.

Na prática, quem deixa o Congresso sem mandato perde o foro para fatos novos e para
os que não têm relação com a função. Os casos sobre atos praticados como senador
e ligados ao cargo continuam no STF. Também deixam de valer, a partir de 1º de fevereiro,
as garantias do artigo 53 da Constituição, como a regra de que um senador só pode
ser preso em flagrante de crime inafiançável.

## Os inquéritos em que Flávio Bolsonaro aparece

O ministro André Mendonça autorizou, em julho de 2026, a abertura de um inquérito
da Polícia Federal sobre repasses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao filme
_Dark Horse_, sobre Jair Bolsonaro. O pedido veio da PF e teve parecer favorável
da Procuradoria-Geral da República. Flávio foi incluído como investigado em 22 de
julho. O teor do inquérito segue sob sigilo. Flávio afirmou que pediu o dinheiro
como patrocínio e que não houve irregularidade.

Outra apuração da PF, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se emendas
parlamentares foram direcionadas a entidades ligadas à produção do filme. Nas duas
frentes, ainda não há denúncia nem acusação formal contra ele, e a defesa nega irregularidades.

O caso mais antigo, a investigação das chamadas rachadinhas, trata de fatos do período
em que Flávio era deputado estadual e tramitou na Justiça do Rio. O Tribunal de 
Justiça do Rio rejeitou a denúncia em maio de 2022, e o caso não depende do foro
de senador.

## O que ainda está em aberto

A Folha não encontrou decisão do STF dizendo se os inquéritos do caso _Dark Horse_
ficam no Supremo depois de 31 de janeiro. Pela tese de 2025, a resposta depende 
de os fatos terem sido cometidos no exercício do mandato e em razão dele, o que 
cabe ao relator e ao plenário avaliar. Se o STF entender que não há essa ligação,
o processo desce para a primeira instância. Se entender que há, segue com Mendonça.

Sobre o futuro político de Flávio, a reportagem que tratou da [hipótese de ele deixar o país](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-vai-deixar-o-brasil/)
mostra que só o irmão, Eduardo Bolsonaro, falou nisso, e antes da eleição. O Supremo
também foi tema da campanha, como na discussão sobre o [impeachment de Moraes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/impeachment-de-moraes/),
que o Senado só pode aprovar com 54 votos.

A tese de 2025 do STF está descrita em [nota oficial do tribunal](https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/acoes-contra-autoridades-permanecem-no-stf-mesmo-apos-saida-do-cargo/),
e o período do mandato de Flávio consta na [página dele no Senado](https://www25.senado.leg.br/web/senadores/senador/-/perfil/5894).

Foto do destaque: Agência Senado (CC BY 2.0), arquivo de 2021.
