# Exportação de café deve saltar a 49 milhões de sacas em 2026

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- Published: 2026-09-05T13:23:26-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O Brasil colheu café demais para a estrutura que tem. O país deve mandar para fora
cerca de 49 milhões de sacas nesta temporada, contra algo perto de 38 milhões no
ciclo anterior, e o produtor do Cerrado está descobrindo que 11 milhões de sacas
a mais não travam na lavoura. Travam no armazém, no contêiner e no navio. A exportação
de café brasileira entra em setembro com volume de sobra e logística de menos.

A projeção circulou no fechamento desta sexta-feira (4), junto com o dado que explica
o resto. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos calcula a produção mundial
em 189,7 milhões de sacas na temporada 2026/27, alta de 6% sobre o ciclo passado,
com a safra brasileira em nível recorde. Para Patrocínio, que colheu 64.225 toneladas
em 2024 pelo levantamento do IBGE e é o maior município produtor do país, esse número
tem endereço.

![Mãos separando grãos para classificação, etapa que define o preço na exportação
de café](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/09/exportacao-de-
cafe-classificacao.jpg)

A classificação por peneira, defeito e bebida define quanto vale cada lote. Foto:
Jonathan Wilkins/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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 * [O que trava a exportação de café agora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/exportacao-de-cafe/#O_que_trava_a_exportacao_de_cafe_agora)
 * [Uma safra recorde empurra o volume](https://folhadepatrocinio.com/noticias/exportacao-de-cafe/#Uma_safra_recorde_empurra_o_volume)
 * [Café diferenciado cai menos que o commodity](https://folhadepatrocinio.com/noticias/exportacao-de-cafe/#Cafe_diferenciado_cai_menos_que_o_commodity)
 * [O que muda para o produtor de Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/exportacao-de-cafe/#O_que_muda_para_o_produtor_de_Patrocinio)
 * [O que se sabe até agora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/exportacao-de-cafe/#O_que_se_sabe_ate_agora)

## O que trava a exportação de café agora

Haroldo Bonfá, da Pharos Consultoria, descreveu o problema na análise de sexta. 
Há armazéns que já limitaram ou interromperam o recebimento de novas cargas, porque
não cabe mais café. Falta contêiner. Falta espaço em navio. Nada disso se resolve
dentro da porteira, e é a primeira vez em anos que o gargalo do café brasileiro 
fica inteiramente fora da fazenda.

Nos anos de safra curta o produtor competia por comprador. Agora ele compete por
vaga. Quem chega antes no armazém e no embarque despacha primeiro, e quem chega 
depois espera, o que sai caro num mês de preço em queda.

A colheita, essa sim, praticamente acabou. Bonfá aponta que restou só uma parcela
pequena de arábica no pé. No Cerrado Mineiro, o levantamento da Expocacer já mostrava
93% da lavoura colhida até o fim de agosto, com 77% do volume beneficiado. Ou seja,
o café que vai congestionar o sistema já está colhido e beneficiado, esperando a
vez.

## Uma safra recorde empurra o volume

A StoneX elevou a estimativa da safra brasileira 2026/27 para 77,2 milhões de sacas,
sendo 51,8 milhões de arábica e 25,4 milhões de conilon. Em março a mesma consultoria
trabalhava com 75,3 milhões. A Conab projeta 66,2 milhões num recorte metodológico
diferente, e também classifica o ano como recorde da série histórica.

Esse volume todo precisa virar exportação de café em algum momento, e chega ao mercado
internacional justamente quando o comprador não está com pressa. O arábica fechou
a semana em Nova York a 295,60 centavos de dólar por libra-peso no contrato de dezembro
e 287,40 no de março, abaixo da barreira dos 300 que sustentou boa parte do ano.
No mercado físico, o cereja descascado em Guaxupé subiu 2,04% e foi a R$ 1.749 a
saca, enquanto o tipo 6 bebida dura ficou entre R$ 1.610 e R$ 1.700.

Existe um contrapeso nessa conta. Os estoques certificados de arábica monitorados
pela bolsa estão em níveis historicamente apertados. Muito café disponível no Brasil
e pouco café certificado na bolsa costuma segurar a queda antes que ela vire despenque,
e foi provavelmente o que impediu a semana de terminar pior do que terminou.

## Café diferenciado cai menos que o commodity

Bonfá fez questão de separar uma coisa da outra: volume não significa perda generalizada
de valor. Cafés de bebida superior, grãos diferenciados, lotes fermentados e certificados
continuam encontrando remuneração melhor, e vêm caindo proporcionalmente menos que
o café comum.

É exatamente o terreno em que o Cerrado Mineiro decidiu jogar. A região foi a primeira
Denominação de Origem do café no Brasil e certificou cerca de 420 mil sacas na safra
2025/2026, chegando a 27 mercados internacionais. Na quinta-feira a Folha publicou
a história do [mestre de torra de Patrocínio convidado para o Cup of Excellence](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mestre-de-torra/),
que mede reputação sensorial, e não tonelada.

A diferença aparece no bolso. Um lote de bebida dura acompanha o commodity para 
baixo. Um lote com pontuação alta, rastreabilidade e certificação negocia por fora
do indicador, com prêmio próprio, e sente menos o mesmo tombo. Numa temporada em
que a exportação de café brasileira bate recorde de volume, é o que decide se a 
queda de preço vira prejuízo ou só margem menor.

## O que muda para o produtor de Patrocínio

A recomendação técnica do momento é escalonar as vendas em vez de despejar tudo 
de uma vez, e usar instrumentos de proteção de preço em vez de apostar numa recuperação
que ninguém consegue datar. Vender fracionado, em janelas diferentes, dilui o risco
de acertar justamente o pior dia do mês.

Só que essa estratégia depende de algo que está em falta: lugar para guardar. Quem
tem armazenagem própria ou vaga garantida na cooperativa consegue escolher a hora
de vender. Quem depende de terceiro vende quando aparece espaço. A Expocacer, sediada
na Avenida Faria Pereira e fundada em 1993, opera justamente nesse ponto da cadeia
para os cooperados da região.

Dois números devem sair nas próximas semanas e valem atenção. O Cecafé divulga na
primeira quinzena o relatório mensal com o fechamento das exportações de agosto,
e a Conab tem o terceiro levantamento da safra previsto para setembro. Eles vão 
mostrar se o congestionamento está só atrasando embarques ou se já começou a derrubar
a exportação de café fechada no ano.

## O que se sabe até agora

A safra brasileira é recorde e a exportação de café projetada para o ano chega perto
de 49 milhões de sacas. O arábica perdeu os 300 centavos em Nova York e fechou a
semana no vermelho. Armazém sem espaço, contêiner escasso e navio cheio são os pontos
de estrangulamento apontados pela Pharos Consultoria. E o café de qualidade superior,
que é a aposta do Cerrado Mineiro, segue negociando com prêmio enquanto o commodity
recua. A lavoura fez a parte dela neste ano. O aperto de 2026 está do portão da 
fazenda para fora.

Mais cobertura de agronegócio e da cafeicultura da região está na editoria de [Cidade](https://folhadepatrocinio.com/category/cidade/)
da Folha de Patrocínio. Os dados de mercado desta reportagem foram apurados a partir
do [acompanhamento diário do mercado de café do Notícias Agrícolas](https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/cafe/)
e cruzados com o histórico local já publicado sobre os [armazéns lotados que derrubaram o preço em Nova York](https://folhadepatrocinio.com/noticias/armazens-lotados/).
