# Dallagnol aponta 4 pontos como “estelionato eleitoral” de Lula; só um já virou lei

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- Published: 2026-10-31T17:03:23-03:00
- Author: Caio Menezes

Só um dos quatro pontos que o ex-procurador Deltan Dallagnol chama de “estelionato
eleitoral” de Lula já virou lei: a mudança no piso da saúde e da educação. Os outros
três ainda são estudo, cálculo ou promessa sem regra. Num vídeo de sábado (31), 
ele diz que o presidente “traiu o Brasil em menos de uma semana”, seis dias depois
de se reeleger, e pede aos seguidores que apontem o que ficou de fora da lista.

A lista é opinião dele, e “estelionato eleitoral” é a expressão que ele escolheu.
A Folha conferiu cada item com documentos e dados oficiais. Até este sábado, não
encontrou resposta do governo ao vídeo.

Vídeo de Deltan Dallagnol publicado em 31 de outubro, com layout da Folha. Foto:
Reprodução

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estelionato-eleitoral-de-lula/#)

 * [IOF sobre LCI e LCA: o que o governo estuda e o que não decidiu](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estelionato-eleitoral-de-lula/#IOF_sobre_LCI_e_LCA_o_que_o_governo_estuda_e_o_que_nao_decidiu)
 * [Pix MEI: anunciado em 13 de outubro, sem regra e sem data](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estelionato-eleitoral-de-lula/#Pix_MEI_anunciado_em_13_de_outubro_sem_regra_e_sem_data)
 * [Saúde e educação: o único ponto que já virou lei](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estelionato-eleitoral-de-lula/#Saude_e_educacao_o_unico_ponto_que_ja_virou_lei)
 * [CBS de 11,3%: o cálculo é do TCU, e a decisão é do Senado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estelionato-eleitoral-de-lula/#CBS_de_113_o_calculo_e_do_TCU_e_a_decisao_e_do_Senado)
 * [O que a acusação de estelionato eleitoral deixa de fora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estelionato-eleitoral-de-lula/#O_que_a_acusacao_de_estelionato_eleitoral_deixa_de_fora)

## IOF sobre LCI e LCA: o que o governo estuda e o que não decidiu

Dallagnol abre a lista com a notícia de que o governo avalia cobrar IOF sobre LCI,
LCA e outros títulos hoje isentos. É verdade que a equipe econômica estuda o assunto,
segundo integrantes da Fazenda, e que a cobrança poderia sair por decreto, sem votação
prévia no Congresso. Também é verdade que o Congresso pode derrubar o decreto depois.
Mas não há alíquota, data nem texto publicado, e o Ministério da Fazenda não divulgou
posição oficial. A Folha detalhou o caso em [IOF sobre LCI e LCA: governo Lula estuda cobrança por decreto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/iof-sobre-lci-e-lca/).

Ele lembra que o governo tentou tributar esses papéis em 2025, por medida provisória,
e perdeu: a Câmara tirou a proposta de pauta em outubro daquele ano, por 251 votos
a 193. O secretário do Tesouro, Daniel Leal, disse em entrevista que a situação 
dos títulos isentos terá de ser enfrentada em algum momento, mas que não há medida
pronta, segundo reportagem que Dallagnol mostra no vídeo. A conta chega ao interior:
as LCAs financiam o agronegócio, e em Patrocínio (MG) o crédito de custeio para 
café caiu 31% de julho a setembro, segundo o Banco Central, como a Folha mostrou
em [crédito rural em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/credito-rural-em-patrocinio/).

## Pix MEI: anunciado em 13 de outubro, sem regra e sem data

O segundo ponto é o Pix MEI, parte do pacote Prospera MEI, anunciado pelo governo
em 13 de outubro, 12 dias antes do segundo turno. O benefício é de até R$ 5 mil 
por microempreendedor, para comprar equipamentos, e o dinheiro não precisa ser devolvido.
O governo fala em atender cerca de 1 milhão de MEIs, perto de 7% dos ativos, com
prioridade para mulheres e para quem fatura até R$ 40.500 por ano.

Dallagnol diz que é “surpresinha” porque o pagamento depende de seleção. De fato,
os critérios finais não foram definidos, as inscrições não abriram e a previsão 
é de início em 2027. Se o valor fosse dividido igualmente entre todos os microempreendedores,
caberiam cerca de R$ 363 a cada um, conta que o governo não propõe. Flávio Bolsonaro(
PL), então candidato, criticou a medida no dia do anúncio e disse que o governo 
tentava comprar votos.

## Saúde e educação: o único ponto que já virou lei

Este é o item que se confirma por inteiro. A Lei Complementar 235 foi sancionada
por Lula sem vetos, com data de 27 de agosto e publicação no Diário Oficial da União
em 28 de agosto. Enquanto houver previsão de déficit, ela tira da base de cálculo
dos mínimos de saúde e de educação a receita da venda de petróleo, projetada em 
R$ 31 bilhões para 2027. Com a base menor, o piso em reais cai.

As estimativas de perda variam: pelo menos R$ 7,7 bilhões, segundo consultoria da
Instituição Fiscal Independente do Senado, e até R$ 16,6 bilhões em 2027, segundo
cálculo divulgado em agosto por um instituto de economistas. O ministro da Fazenda,
Dario Durigan, disse que a lei não prejudica as duas áreas, que o Pé-de-Meia passou
a contar dentro do piso da educação e que a contenção de despesas obrigatórias “
vai abrir espaço” no Orçamento do ano que vem.

## CBS de 11,3%: o cálculo é do TCU, e a decisão é do Senado

O último ponto é o imposto novo sobre consumo. O Tribunal de Contas da União (TCU)
calculou a alíquota de referência da CBS em 11,3468% para 2027, acima do que o governo
projetava, como a Folha mostrou em [alíquota da CBS e o TCU](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/).
O número está no [comunicado do próprio TCU](https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/tcu-calcula-aliquota-de-referencia-de-113-para-novo-tributo-sobre-consumo).
Somada à alíquota estimada do IBS, de 18,7%, a carga chega a cerca de 30,05%, o 
que Dallagnol chama de maior imposto sobre consumo do mundo, afirmação que a Folha
não verificou.

Aqui o governo não decidiu nada: o Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota
por resolução, e, se não o fizer, vale o cálculo do TCU. Uma frente parlamentar 
já defende rejeitar o número. É a única parte da lista em que a palavra final não
é do presidente.

## O que a acusação de estelionato eleitoral deixa de fora

Dallagnol cita também uma fala de um ex-ministro de Lula sobre gastos, que a Folha
não conseguiu confirmar e por isso não reproduz. O que se pode checar está acima:
uma lei em vigor, uma proposta sem regra, um estudo sem decisão e um cálculo à espera
do Senado. A leitura política de cada um fica com o público.

Em outro vídeo depois da eleição, Dallagnol comentou o resultado, como a Folha mostrou
em [Deltan e o sistema](https://folhadepatrocinio.com/noticias/deltan-e-o-sistema/).
A Folha atualiza esta reportagem se a Fazenda, o Planalto ou o Senado se manifestarem.
