# Jornal alemão Welt questiona o Estado de Direito no Brasil em artigo de opinião

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- Published: 2026-10-31T23:49:54-03:00
- Author: Caio Menezes

O jornal alemão Welt publicou um artigo de opinião que questiona o Estado de Direito
no Brasil e afirma que o presidente Lula transformou o Judiciário numa espécie de
seguro jurídico para o próprio grupo político. O texto, assinado pelo correspondente
Tobias Käufer, saiu na seção Debatte, reservada a opinião, e parte da fuga do senador
Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.

A tese é de um autor, e o texto não é apuração do jornal. A Folha leu o artigo, 
conferiu as datas e os fatos citados e separa abaixo o que está documentado do que
é avaliação. Até a publicação desta matéria, neste sábado (31), não havia resposta
do Planalto nem do Supremo Tribunal Federal ao texto.

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estado-de-direito-no-brasil/#)

 * [O que o artigo do Welt afirma sobre o Estado de Direito no Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estado-de-direito-no-brasil/#O_que_o_artigo_do_Welt_afirma_sobre_o_Estado_de_Direito_no_Brasil)
 * [O que a Folha conferiu](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estado-de-direito-no-brasil/#O_que_a_Folha_conferiu)
 * [O que o texto diz sobre o próprio Flávio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estado-de-direito-no-brasil/#O_que_o_texto_diz_sobre_o_proprio_Flavio)
 * [Outras críticas internacionais ao STF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/estado-de-direito-no-brasil/#Outras_criticas_internacionais_ao_STF)

## O que o artigo do Welt afirma sobre o Estado de Direito no Brasil

O título original, no [site do Welt](https://www.welt.de/debatte/article6ae30d694a674ddd4ba23503/bolsonaros-flucht-ist-brasilien-noch-ein-rechtsstaat.html),
é “Bolsonaros Flucht: Ist Brasilien noch ein Rechtsstaat?”, ou “A fuga de Bolsonaro:
o Brasil ainda é um Estado de Direito?”. O argumento central é que o Judiciário 
agiu depressa demais contra o derrotado da eleição. Segundo o texto, pouco depois
de Lula ser confirmado vencedor, na noite de 25 de outubro, chegou ao tribunal o
pedido da Polícia Federal para recolher o passaporte de Flávio. Para o autor, a 
Justiça parecia esperar a oportunidade para uma “campanha de vingança”, e alguns
juízes teriam enfrentado pedidos de impeachment se Flávio tivesse vencido.

![Lula e autoridades em cerimônia, ilustração do debate sobre o Estado de Direito
no Brasil](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/estado-de-direito-
no-brasil-2.webp)

Imagem de arquivo mostra Lula e autoridades em cerimônia, com tratamento gráfico.
Foto: Reprodução

Käufer também escreve que, ao fim do quarto mandato de Lula, em 2030, o PT terá 
ocupado a Presidência por 22 dos 28 anos e, com isso, terá tido o direito de nomear
ministros do Supremo. Segundo ele, a indicação de um ministro evangélico por Jair
Bolsonaro provocou forte reação da imprensa internacional, enquanto a escolha, por
Lula, do próprio advogado e de um integrante do governo para a Corte passou sem 
reação. O artigo não cita os nomes, mas a descrição remete a Cristiano Zanin e a
Flávio Dino.

O texto lista ainda outros episódios que, na leitura do autor, minam a confiança
nas instituições: a ameaça de um ministro do Supremo à organização Transparência
Internacional, a soltura de condenados por corrupção ligados ao poder e o asilo 
concedido pelo Brasil a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru condenada por corrupção.
Sobre Lula, o jornal lembra que, dois dias depois da eleição, no aniversário de 
81 anos, o presidente comentou a saída de Flávio dizendo, em essência, que quem 
não deve não teme. Para Käufer, a fala soou como ordem às autoridades. A Folha tratou
dessa declaração na matéria [sobre Lulinha na Espanha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lulinha-na-espanha/).

## O que a Folha conferiu

As datas do caso, segundo o que a imprensa e a Polícia Federal divulgaram, são estas.
O inquérito, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura suspeita de lavagem
de dinheiro e evasão de divisas ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.
Na noite de 25 de outubro, depois que o resultado foi confirmado, a PF pediu medidas
cautelares contra o senador e Moraes assinou a decisão. Na segunda-feira (26), Flávio
foi intimado a entregar os passaportes em 24 horas, ficou proibido de sair do país
e de contatar Tomaz. O prazo terminou na terça (27) sem entrega, e ele desembarcou
na região de Miami na quarta-feira (28), com a mulher e as filhas.

Flávio afirma que a ordem se apoiou numa fala do irmão, Eduardo Bolsonaro. A defesa
diz que a relação com Tomaz é de amizade entre as famílias. A versão dele está na
matéria [sobre a live do senador nos Estados Unidos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/live-de-flavio-bolsonaro/).
Lula chamou a saída de “vergonhosa”.

Sobre o jornalista, o artigo fala em suspensão do sigilo de fonte. O que está documentado
é que, em 11 de agosto, Moraes autorizou buscas contra um homem apontado pela PF
como fonte de um jornalista do Maranhão que escreveu sobre o uso de carros oficiais
pela família de Flávio Dino. O STF informou que o pedido partiu da PF e teve parecer
favorável da Procuradoria-Geral da República, e entidades de jornalismo manifestaram
preocupação. A ameaça à Transparência Internacional não foi confirmada de forma 
independente pela Folha.

## O que o texto diz sobre o próprio Flávio

O artigo não poupa o senador. Käufer escreve que ele não tem o carisma da venezuelana
Maria Corina Machado nem o de Javier Milei e que, na campanha, só teve a foto do
pai como argumento. Sobre a carta que Flávio divulgou de Miami, diz que ela não 
ajudou nem o senador nem os apoiadores. Em outro texto de opinião, o mesmo jornal
afirmou que a derrota é uma boa notícia para a direita brasileira.

Quem lê o texto como crítica a Lula e ao Supremo precisa levar isso em conta: a 
crítica existe, mas vem junto com uma avaliação dura da campanha de Flávio.

## Outras críticas internacionais ao STF

Não é a primeira vez que a imprensa estrangeira questiona o caso. Na sexta-feira(
30), a Folha mostrou que [o Wall Street Journal e o Washington Post criticaram o Supremo no caso Flávio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/wsj-e-washington-post/).
As decisões foram tomadas no inquérito, que segue sob sigilo, e o Supremo não comentou
o artigo. Mais notícias do tema estão na página de [política](https://folhadepatrocinio.com/noticias/category/politica/).

Um artigo de opinião estrangeiro não altera o andamento do inquérito, mas mostra
que o caso chegou ao debate fora do país. A Folha atualiza esta matéria se o STF,
o Planalto ou a defesa de Flávio se manifestarem sobre o texto do Welt.
