# Ensino a distância: Greyce Elias defende licenciaturas EaD em debate na Câmara

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/ensino-ead-greyce-elias/
- Published: 2026-07-13T09:58:51-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O futuro do **ensino a distância** na formação de professores virou tema de disputa
no Congresso. Em audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados,
realizada em 9 de julho, a deputada Greyce Elias (PL-MG) saiu em defesa das licenciaturas
EaD e alertou que apertar as regras pode cobrar um preço alto justamente de quem
mais precisa estudar: os futuros docentes do interior do país.

Foi a própria parlamentar quem pediu o debate. Para ela, mexer nas licenciaturas
a distância neste momento vai na contramão do que o Brasil precisa. “O Brasil já
enfrenta um déficit de professores na educação básica, e, ao invés de ampliarmos
as oportunidades de formação para docentes, as novas regras tendem a restringir 
o acesso”, afirmou Greyce Elias durante a audiência.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ensino-ead-greyce-elias/#)

 * [O que está em jogo no ensino a distância](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ensino-ead-greyce-elias/#O_que_esta_em_jogo_no_ensino_a_distancia)
 * [Os dois lados do debate](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ensino-ead-greyce-elias/#Os_dois_lados_do_debate)
 * [O peso do interior](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ensino-ead-greyce-elias/#O_peso_do_interior)

## O que está em jogo no ensino a distância

A tensão vem de uma virada recente na política do Ministério da Educação. Em 2024,
uma resolução passou a exigir que pelo menos 30% das atividades dos cursos a distância
sejam presenciais. No ano seguinte, um decreto foi além e proibiu a oferta de graduações
EaD em áreas como medicina, enfermagem, odontologia, psicologia e direito. O receio
dos defensores das licenciaturas é que os cursos de formação de professores entrem
na mesma rota de restrição.

De um lado, quem quer o fim ou o encolhimento das licenciaturas a distância diz 
que está em jogo a qualidade da educação básica. De outro, quem defende a modalidade
lembra que, para milhões de brasileiros longe dos grandes centros, o ensino a distância
é a única porta de entrada para o diploma.

![Greyce Elias defende as licenciaturas em ensino a distância durante debate na 
Câmara](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/07/greyce-elias-ensino-
a-distancia-debate.jpg)

A deputada Greyce Elias (PL-MG) durante o debate sobre licenciaturas a distância.
Foto: reprodução/Câmara dos Deputados.

## Os dois lados do debate

Entre os críticos, Leonardo Pascoal, presidente do Conselho Nacional de Secretários
de Educação das Capitais e secretário de Educação de Porto Alegre, foi direto ao
afirmar que muitos cursos EaD colocam o lucro acima da qualidade. Ele citou o Enade:
apenas 53% dos alunos da modalidade a distância teriam alcançado a nota mínima no
exame, contra 74% dos estudantes de cursos presenciais. Para ele, professores mal
formados acabam prejudicando as crianças mais vulneráveis da rede pública.

Na mesma linha, Maria Júlia Lima, do Movimento Profissão Docente, recorreu a um 
estudo da Fundação Getulio Vargas segundo o qual cerca de 60% da aprendizagem de
um aluno depende diretamente do professor, argumento que, na avaliação dela, reforça
a necessidade de uma formação mais robusta.

Do outro lado da mesa, Ricardo Holz, presidente da Associação Brasileira dos Estudantes
de Educação a Distância, apresentou um dado que costuma pesar no debate: 73% dos
municípios brasileiros, mais de 4 mil cidades, não contam com nenhuma instituição
de ensino superior presencial. Para ele, cortar o EaD atinge em cheio pessoas de
baixa renda, estudantes com deficiência e mães solo, que dificilmente conseguiriam
frequentar um campus todos os dias.

## O peso do interior

É nesse ponto que o debate nacional encosta na realidade de cidades como as do Alto
Paranaíba e do Triângulo Mineiro. Em boa parte da região de Patrocínio, quem quer
cursar uma licenciatura sem sair da cidade depende de polos de ensino a distância.
Restringir a modalidade, na prática, pode significar deslocamento diário para outra
cidade, custo maior e, para muita gente, a desistência do curso.

Greyce Elias defende que o caminho não é fechar portas, e sim melhorar a fiscalização
e a qualidade dos cursos que já existem. A deputada argumenta que é possível cobrar
mais das instituições sem punir o estudante que só tem o ensino a distância como
opção. O debate na Comissão de Educação não terminou com um desfecho, mas deixou
claro que qualquer mudança nas licenciaturas EaD vai mexer com um público grande
e espalhado pelo interior do Brasil.

A audiência integra a série de discussões que a [Comissão de Educação da Câmara](https://www.camara.leg.br/comissoes/2003477-comissao-de-educacao-ce)
tem promovido sobre o tema, e o assunto deve voltar à pauta nas próximas semanas.
Acompanhe outras notícias na [editoria de Política](https://folhadepatrocinio.com/noticias/category/politica/)
da Folha de Patrocínio.
