# Dino reintegra diretor-geral da PF e leva caso ao plenário do STF

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- Published: 2026-09-09T16:57:43-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O ministro Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (9) a volta de Andrei Rodrigues
ao cargo de **diretor-geral da PF** e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência
da corporação, derrubando a liminar que André Mendonça havia assinado no dia anterior.
A decisão é monocrática, foi tomada por um ministro que não integra a Segunda Turma
e determina que a controvérsia seja julgada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

O caso expôs uma divisão aberta dentro da Corte. Na terça-feira (8), a Segunda Turma
[chegou a formar maioria pelo afastamento](https://folhadepatrocinio.com/noticias/afastamento-de-andrei-rodrigues/),
com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, antes de o julgamento ser interrompido
por um pedido de vista de Gilmar Mendes. Dias Toffoli se declarou impedido. Um dia
depois, a liminar caiu.

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 * [Por que Mendonça havia afastado o diretor-geral da PF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/diretor-geral-da-pf-reintegrado/#Por_que_Mendonca_havia_afastado_o_diretor-geral_da_PF)
 * [Os argumentos de Dino para reintegrar o diretor-geral da PF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/diretor-geral-da-pf-reintegrado/#Os_argumentos_de_Dino_para_reintegrar_o_diretor-geral_da_PF)
 * [A reação de cada lado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/diretor-geral-da-pf-reintegrado/#A_reacao_de_cada_lado)
 * [O que acontece agora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/diretor-geral-da-pf-reintegrado/#O_que_acontece_agora)

## Por que Mendonça havia afastado o diretor-geral da PF

Mendonça acolheu na segunda-feira (7) [um pedido apresentado pelo partido Novo](https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-09/mendonca-usou-pedido-do-partido-novo-para-afastar-diretor-geral-da-pf)
e determinou o afastamento preventivo dos dois policiais. Segundo o ministro, ele
próprio foi alvo de monitoramento ilegal ao longo de agosto, com pelo menos seis
relatórios de inteligência produzidos sobre sua atuação e encaminhados ao ministro
Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. O advogado-geral da União,
Jorge Messias, teria sido acompanhado da mesma forma.

Na avaliação de Mendonça, a medida era necessária para que o Supremo, a Advocacia-
Geral da União e a própria Polícia Federal exercessem suas atribuições sem constrangimentos
ilegais. O pedido do Novo tem origem na Operação Compliance Zero, que apura fraudes
ligadas ao Banco Master, e em mensagens atribuídas ao ex-controlador da instituição,
Daniel Vorcaro, que citam o diretor-geral da PF. Nenhuma das pessoas mencionadas
foi condenada, e as apurações seguem em curso.

## Os argumentos de Dino para reintegrar o diretor-geral da PF

Dino sustenta, em análise preliminar, que um partido político não tem legitimidade
para pedir medida cautelar de natureza pessoal em processo penal, posição que ele
registra estar alinhada à de Gilmar Mendes. Por esse fundamento, o pedido do Novo
não poderia sustentar o afastamento.

O segundo argumento é mais direto e mira o colega. Dino pergunta na decisão se “
uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios
da Polícia Federal que expressamente a mencionam”. Para ele, eventuais direitos 
de Mendonça não poderiam “converter-se em fundamento para a prolação de decisão 
em causa própria” com o efeito de paralisar investigações policiais. O caminho, 
escreve, seria Mendonça dirigir-se ao presidente da Corte ou ao plenário, sob pena
de “grave usurpação das atribuições dos demais ministros”.

Dino também proibiu novas medidas cautelares contra os dois por atos praticados 
no exercício regular de suas funções, ressalvando apurações disciplinares, que caberiam
a superiores hierárquicos e não a ministros do Supremo. E afirmou que a própria 
decisão dele “se submete exclusivamente à autoridade do Plenário do STF”.

## A reação de cada lado

O partido Novo divulgou nota afirmando ter legitimidade constitucional e política
para defender o interesse público e fiscalizar autoridades, e disse que não aceitará
que uma decisão que considera arbitrária seja usada para intimidar seu papel institucional.
A sigla passou a cobrar uma reformulação do Supremo.

Na oposição, aliados de Flávio Bolsonaro acusaram Dino de atropelar uma maioria 
já formada na Segunda Turma. Do lado do governo, Guilherme Boulos, da Secretaria-
Geral da Presidência, avaliou que a decisão restabelece a autonomia entre os Poderes.

A decisão também gerou forte reação nas redes sociais e em blogs de opinião política
ao longo do dia, com peças que acusam Dino de passar por cima da colegialidade e
questionam o fato de ele ter reintegrado dois nomes que indicara quando era ministro
da Justiça. São manifestações de opinião, e não decisões ou apurações oficiais. 
Até a publicação desta matéria, nenhum órgão havia aberto procedimento contra qualquer
dos ministros envolvidos por causa do episódio.

## O que acontece agora

![Plenário do STF em sessão, onde será julgado o caso do diretor-geral da PF](https://
folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/09/plenario-stf-arquivo-2010-scaled.
jpg)

Plenário do STF, para onde Dino determinou que o caso seja levado. Imagem de arquivo
de 2010, em julgamento de outro processo. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Com a reintegração, Andrei Rodrigues volta a comandar a Polícia Federal enquanto
o mérito não é julgado. O processo que tramitava na Segunda Turma segue suspenso
pelo pedido de vista de Gilmar Mendes, que pode devolvê-lo em até 90 dias pelo regimento
interno.

A disputa de fundo é sobre quem decide. Mendonça levou o caso à Segunda Turma; Dino
determinou que ele seja apreciado exclusivamente pelo plenário, com os onze ministros.
Enquanto essa questão de competência não se resolver, a situação do diretor-geral
da PF continua podendo mudar a cada nova decisão, e é o plenário que dará a palavra
final.

Até o fechamento desta matéria não havia manifestação pública do Supremo como instituição,
nem da Polícia Federal, sobre o embate entre os dois ministros. O que se conhece
da posição de cada um está no texto das próprias decisões.
