# Decisão do STF sobre boicote é de fevereiro; Rony Gabriel diz que agora “pode boicotar”

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- Published: 2026-11-01T19:15:54-03:00
- Author: Caio Menezes

**Atualização 01/11, 19h:** o vídeo que trata da decisão do STF sobre boicote tem
uma Parte 2, em que Rony Gabriel explica por que não vai votar em Hugo Motta e responde
ao argumento das comissões. Ele diz que apoiar Motta seria “hipocrisia”, admite 
que ficar fora do bloco custa espaço nas comissões e afirma que esse argumento também
pesou na eleição passada, quando ainda não era deputado e apoiou. Agora, segundo
ele, Motta “abriu o voto” para Lula desde o primeiro turno e o PT já fechou com 
ele, o que complica um acordo da direita.

Se o PL entrar no bloco, diz Rony, passa à população a impressão de que político
é tudo igual. A Folha conferiu o ponto sobre Lula: Motta anunciou em agosto apoio
à reeleição do presidente e participou da campanha na Paraíba, segundo reportagens
da época, mas o Republicanos, partido dele, ficou neutro no primeiro turno e apoiou
Flávio Bolsonaro no segundo. O mecanismo das comissões está na matéria sobre o [bloco de Motta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bloco-de-motta/).
A Folha não encontrou decisão do PL sobre entrar ou não no bloco.

A decisão do STF sobre boicote que o deputado Rony Gabriel (Podemos-RS) citou num
vídeo deste domingo (1º) é de 11 de fevereiro, mais de oito meses antes do segundo
turno, e trata de outro caso: a campanha de uma ONG contra uma festa de peão. Ao
comentar os pedidos de desculpa que circulam depois da eleição, Rony diz que “agora
parece que não é crime, pode boicotar”.

A Folha conferiu o que o Supremo decidiu, o que a decisão deixa de dizer e o que
continua proibido. Até a publicação, não encontrou nenhuma manifestação do STF sobre
o uso do julgamento nas disputas políticas depois do segundo turno.

![Card da Folha com o que a decisão do STF sobre boicote protege e o que não protege](
https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/decisao-do-stf-sobre-boicote-
card.webp)

O que o STF decidiu sobre boicote em 11 de fevereiro e o que a decisão não protege.
Ilustração gerada por IA (Gemini); card da Folha.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/decisao-do-stf-sobre-boicote/#)

 * [O que diz a decisão do STF sobre boicote, de fevereiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/decisao-do-stf-sobre-boicote/#O_que_diz_a_decisao_do_STF_sobre_boicote_de_fevereiro)
 * [O que Rony Gabriel disse no vídeo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/decisao-do-stf-sobre-boicote/#O_que_Rony_Gabriel_disse_no_video)
 * [Demitir por voto continua proibido](https://folhadepatrocinio.com/noticias/decisao-do-stf-sobre-boicote/#Demitir_por_voto_continua_proibido)
 * [E em Patrocínio?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/decisao-do-stf-sobre-boicote/#E_em_Patrocinio)

## O que diz a decisão do STF sobre boicote, de fevereiro

O julgamento foi em 11 de fevereiro, no Recurso Extraordinário 662.055, de São Paulo,
com repercussão geral. O processo opunha a ONG Projeto Esperança Animal aos organizadores
da Festa do Peão de Barretos. A ONG havia feito uma campanha pelo fim do financiamento
da festa, com denúncias de maus-tratos a animais, e o Tribunal de Justiça de São
Paulo restringiu as publicações e fixou indenização. O Supremo reformou esse entendimento.

Por maioria, os ministros fixaram uma tese de repercussão geral. Segundo o resumo
divulgado na época, campanhas de mobilização social de entidades da sociedade civil,
baseadas em direitos fundamentais e voltadas a desestimular o financiamento de eventos,
estão protegidas pela liberdade de expressão. A responsabilização por excessos só
vale quando há má-fé ou negligência grave, e a censura prévia fica afastada. A tese
foi proposta pelo ministro Alexandre de Moraes. A Folha não leu o texto integral
da tese no acórdão, e as reportagens da época descrevem os limites de formas um 
pouco diferentes: umas falam em má-fé, outras em informação sabidamente falsa.

Na ocasião, o ministro Flávio Dino afirmou, segundo reportagens, que boicotes causam
prejuízo econômico mas, em princípio, não são atos ilícitos, a menos que espalhem
informações marcadamente falsas. O resumo está na cobertura da [Abraji](https://www.abraji.org.br/noticias/stf-decide-que-campanhas-de-mobilizacao-social-estao-protegidas-pela-liberdade-de-expressao).

## O que Rony Gabriel disse no vídeo

O vídeo, que trata da decisão do STF sobre boicote, tem cerca de um minuto e meio
e está marcado como “Parte 1”. Rony começa dizendo que “parece que agora todo mundo
resolveu pedir desculpa” e afirma ter visto muitos vídeos do tipo na internet. Ele
sugere que quem “sustenta esse país” talvez rejeite o PT nas urnas, diz que sempre
achou isso “meio óbvio” e que, depois da decisão do STF, “parece que não é crime,
pode boicotar”.

![Rony Gabriel comenta a decisão do STF sobre boicote em vídeo de 1º de novembro](
https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/decisao-do-stf-sobre-boicote-
2.webp)

Rony Gabriel (Podemos-RS) fala sobre boicote e sobre a eleição na Câmara. Foto: 
Reprodução

Na segunda parte do trecho, ele passa para a eleição na Câmara e no Senado. Diz 
que não é do PL, que se elegeu pelo Podemos e que o partido deu “uma certa liberdade”
aos deputados, embora, segundo ele, tenha fechado em tese com Hugo Motta (Republicanos-
PB). Rony afirma ter sido o primeiro parlamentar do país a se manifestar contra 
a reeleição de Motta e justifica: “nada pessoal”, mas ele acredita que Motta não
vai abrir processo de impeachment contra Lula e vai priorizar as pautas do governo.
É uma previsão dele, não um fato.

A posição já constava na reportagem sobre [Rony Gabriel e a reeleição de Motta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/reeleicao-de-hugo-motta/).
Sobre o PL, o vídeo cita uma notícia segundo a qual o partido deve fechar com Motta
na Câmara e lançar Rogério Marinho contra Davi Alcolumbre no Senado. A Folha só 
confirmou a segunda parte: Flávio Bolsonaro disse que vai indicar Marinho, e a reunião
do PL que deve oficializar a candidatura está marcada para quarta-feira (4), como
mostra a matéria sobre a [disputa entre Marinho e Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marinho-e-alcolumbre/).
A Folha não encontrou decisão oficial do PL sobre Motta.

## Demitir por voto continua proibido

A decisão do STF sobre boicote também não alcança demissão por motivo político, 
que é outro assunto. O Ministério Público do Trabalho recebeu, segundo balanços 
divulgados na semana passada, mais de 3 mil denúncias de assédio eleitoral neste
ano, e mais de 1.300 delas depois do segundo turno, muitas ligadas a vídeos que 
pedem a demissão de eleitores de Lula. Denúncia não é caso comprovado, e os números
mudam a cada balanço.

A [Lei 9.029/1995](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9029.htm) proíbe 
a dispensa discriminatória e prevê reintegração ou pagamento em dobro dos salários
do período. Deixar de comprar numa loja é uma coisa. Demitir o empregado pelo voto
é outra, e é essa segunda que o MPT persegue.

## E em Patrocínio?

O debate chegou à região. Na semana passada, listas pedindo boicote a comércios 
e profissionais apontados como eleitores do PT circularam em Patrocínio, em Patos
de Minas e em Serra do Salitre. O PT de Patrocínio disse ter ido ao Ministério Público
e à Justiça Eleitoral. Ninguém assumiu a autoria das listas, e a Folha não divulga
os nomes dos estabelecimentos citados. O caso está na reportagem sobre o [boicote a comerciantes em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/boicote-a-comerciantes-em-patrocinio/).

A Folha não encontrou decisão de tribunal que trate dessas listas. O que existe,
por enquanto, é a decisão do STF sobre boicote, que protege um tipo específico de
campanha, e a regra do trabalho, que proíbe punir o empregado pelo voto. Mais notícias
sobre o tema estão na página de [política](https://folhadepatrocinio.com/noticias/category/politica/).
