# Crédito rural em Patrocínio: custeio do café cai 31%, R$ 64 milhões a menos, e BB libera R$ 25 bilhões a menos ao agro no país

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- Published: 2026-10-28T23:07:58-03:00
- Author: Caio Menezes

O crédito rural em Patrocínio (MG) encolheu no começo da safra 2026/27, e a maior
parte da queda veio do café. De julho a setembro, bancos e cooperativas liberaram
R$ 141,3 milhões em crédito de custeio para a lavoura de café no município, contra
R$ 205,1 milhões no mesmo período de 2025. São R$ 63,8 milhões a menos, uma queda
de 31%, segundo a matriz de dados do crédito rural do Banco Central, consultada 
pela Folha nesta quarta-feira (28).

No país, o tombo é maior no Banco do Brasil, o principal financiador do agro. O 
banco liberou R$ 31,6 bilhões entre 1º de julho e 19 de outubro, contra R$ 56,5 
bilhões no mesmo período da safra passada: R$ 24,9 bilhões a menos, queda de 44,1%.
E a conta não pesou igual para todo mundo. A agricultura familiar teve alta, enquanto
o médio produtor perdeu quase metade do dinheiro.

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 * [O crédito rural em Patrocínio, número a número](https://folhadepatrocinio.com/noticias/credito-rural-em-patrocinio/#O_credito_rural_em_Patrocinio_numero_a_numero)
 * [Médio produtor perde, agricultura familiar ganha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/credito-rural-em-patrocinio/#Medio_produtor_perde_agricultura_familiar_ganha)
 * [O que o Banco do Brasil diz](https://folhadepatrocinio.com/noticias/credito-rural-em-patrocinio/#O_que_o_Banco_do_Brasil_diz)

## O crédito rural em Patrocínio, número a número

Somadas todas as atividades, o crédito de custeio, que paga adubo, defensivo, mão
de obra e combustível da safra, caiu de R$ 266,2 milhões para R$ 179 milhões entre
julho e setembro, uma redução de 33%. Além do café, a pecuária de corte e leite 
teve queda de R$ 27,8 milhões para R$ 15,4 milhões, e a soja, de R$ 24,3 milhões
para R$ 12,5 milhões.

O crédito de investimento, usado para comprar máquinas, irrigação e fazer obras 
na propriedade, foi na direção contrária e subiu de R$ 22,3 milhões para R$ 37,8
milhões no período. Somando custeio e investimento, o dinheiro novo que chegou ao
campo em Patrocínio caiu 25%, de R$ 288,5 milhões para R$ 216,8 milhões. Os dados
reúnem todas as instituições financeiras, não só o Banco do Brasil, e os meses mais
recentes ainda podem ser atualizados pelo BC. Os números estão na [matriz de dados do crédito rural do Banco Central](https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/micrrural).

Patrocínio é o maior produtor de café do Brasil, segundo o IBGE. No período, o custeio
respondeu por R$ 179 milhões dos R$ 216,8 milhões liberados no município, e o café,
por R$ 141,3 milhões desse custeio. A cotação do grão no dia está na página do [preço do café hoje em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/preco-do-cafe-hoje-patrocinio/),
e o retrato das propriedades do município está no levantamento sobre [o censo agropecuário em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/censo-agropecuario-em-patrocinio/).

![Café secando no terreiro, setor que perdeu crédito rural em Patrocínio](https://
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Café no terreiro de secagem, no Cerrado Mineiro. Foto: Expocacer

## Médio produtor perde, agricultura familiar ganha

No Banco do Brasil, o Pronaf, linha da agricultura familiar, foi o único a crescer:
R$ 8,4 bilhões, alta de 1,7% sobre a safra passada. Já o Pronamp, voltado ao médio
produtor, caiu 44,2%, para R$ 4,4 bilhões. O banco afirma que parte da diferença
se explica porque, nesta temporada, liberou R$ 3,9 bilhões a mais em pré-custeio
entre março e junho, antes do início oficial da safra. A emissão de títulos do agronegócio
também caiu, de R$ 6,7 bilhões para cerca de R$ 3,7 bilhões.

## O que o Banco do Brasil diz

O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt,
atribui a queda principalmente ao aumento da inadimplência, que deixou os bancos
mais cautelosos até com quem está em dia. “Cooperativas e demais bancos também reduziram”,
disse ele a jornalistas. Sobre os investimentos, avaliou que, para produtor endividado
ou com o caixa apertado, “se é momento de segurar investimento, é bom para o setor
neste momento”. Sobre a agricultura familiar, afirmou que ela “está adimplente e
pagando crédito”.

A inadimplência do agro no banco, com atraso acima de 90 dias, chegou a 6,27% no
segundo trimestre de 2026, segundo o balanço do BB. Mesmo assim, o banco mantém 
a meta de liberar R$ 210 bilhões ao agronegócio até junho de 2027, 0,5% acima da
safra anterior.

O custo do dinheiro para quem planta também depende dos juros, como mostra a reportagem
sobre [o que esperar da Selic em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/selic-em-2027/).
A reforma tributária, que começa a valer no ano que vem, já foi tema de [painel sobre o agro em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/reforma-tributaria-no-agro/).
