# Copom decide a Selic na quarta (4) com o juro em 13,75% e o dólar em alta: mercado está dividido

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- Published: 2026-11-03T10:02:30-03:00
- Author: Caio Menezes

O Copom decide a Selic na quarta-feira (4), com a taxa em 13,75% ao ano e o dólar
em alta desde o segundo turno. O Comitê de Política Monetária do Banco Central se
reúne nesta terça (3) e amanhã, e o resultado sai no fim da tarde de quarta, depois
do fechamento do mercado. A dúvida é se o BC faz o sexto corte seguido ou pausa 
a queda por causa do câmbio e da incerteza fiscal. Entre os economistas, a divisão
é quase meio a meio.

Table of Contents

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 * [Onde está a Selic hoje](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/#Onde_esta_a_Selic_hoje)
 * [O que pesa na decisão do Copom](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/#O_que_pesa_na_decisao_do_Copom)
 * [Como o mercado está dividido](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/#Como_o_mercado_esta_dividido)
 * [O que muda para o bolso nos dois cenários](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/#O_que_muda_para_o_bolso_nos_dois_cenarios)
 * [O que o governo disse sobre juros](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/#O_que_o_governo_disse_sobre_juros)
 * [Quando sai a decisão e onde conferir](https://folhadepatrocinio.com/noticias/copom-decide-a-selic/#Quando_sai_a_decisao_e_onde_conferir)

## Onde está a Selic hoje

A série oficial do Banco Central mostra o caminho do ano. A Selic começou 2026 em
15% ao ano e caiu para 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho, 14% em
agosto e 13,75% em 17 de setembro. São cinco cortes de 0,25 ponto, e a pergunta 
desta semana é se vem o sexto. A taxa é a referência para o financiamento, o cartão,
o cheque especial e o rendimento da renda fixa, e por isso a decisão chega ao bolso
de quem tem dívida e de quem investe.

## O que pesa na decisão do Copom

O principal motivo da cautela é o dólar. Depois do resultado do segundo turno, a
moeda americana disparou e fechou a semana passada em R$ 5,42, pela cotação de referência
do BC (a PTAX de 30 de outubro). Dólar mais caro encarece produtos importados e 
combustíveis e tende a empurrar a inflação para cima, o que costuma segurar o corte
de juros. A Folha acompanhou a queda da bolsa e a alta da moeda em [Ibovespa desde a reeleição de Lula cai 17,5% em quatro pregões, e dólar volta a subir](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ibovespa-desde-a-reeleicao/).

O boletim Focus, que reúne as projeções do mercado e é divulgado pelo Banco Central,
mostra o efeito. Entre 29 e 30 de outubro, a mediana para o dólar no fim de 2026
saltou de cerca de R$ 5,07 para cerca de R$ 5,34, e a projeção da Selic para dezembro
subiu de 13,25% para 13,50%. Os números vêm do [boletim Focus do Banco Central](https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus).
Na terça (3), o dólar operava em alta antes da decisão, segundo as cotações de mercado
da manhã, e a Folha não tinha o fechamento do dia até a publicação desta reportagem.

Entram na conta ainda as eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas nesta
terça (3) e citadas por analistas como fator de volatilidade para o câmbio, e a 
dúvida sobre a política fiscal do próximo mandato. O Itaú, por exemplo, já cortou
a projeção de crescimento do ano que vem, como mostra a matéria [Itaú corta o PIB de 2027 para 0,5% e pesquisa com o mercado já vê inflação de 5,3%](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/).

## Como o mercado está dividido

Um levantamento da Bloomberg com 18 economistas, feito de 27 a 29 de outubro e relatado
pela imprensa financeira, mostrou dez esperando a manutenção da Selic em 13,75% 
e oito ainda projetando corte para 13,50%. Oito deles abandonaram a aposta no corte
depois da eleição. Nas opções de Copom negociadas na B3, em 28 de outubro, a chance
de manutenção era de 66,5%, contra 32% para um corte de 0,25 ponto. Esses números
mudam a cada dia, e nenhum deles é decisão: quem decide é o comitê.

## O que muda para o bolso nos dois cenários

Se o Copom mantiver a Selic em 13,75%, o crédito continua caro e o rendimento da
renda fixa segue alto, o que favorece quem guarda dinheiro e pesa para quem financia
carro, imóvel ou capital de giro. Se houver o corte de 0,25 ponto, a queda é pequena
e demora para chegar às taxas do banco, que dependem também do risco de cada cliente.
Em qualquer dos dois casos, o efeito para o consumidor é gradual, e quem tem dívida
no rotativo do cartão ou no cheque especial deve olhar a taxa que está pagando, 
e não só a Selic. O Procon Municipal de Patrocínio atende o consumidor que tem dúvida
sobre cobrança de juros ou sobre contrato de financiamento.

Para o produtor rural da região, que financia custeio e máquinas, juro alto e dólar
em alta apertam o custo de produção ao mesmo tempo. O aperto aparece também na indústria:
a Folha registrou a situação das empresas menores em [Pequenas indústrias têm a pior situação financeira em cinco anos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/).

## O que o governo disse sobre juros

No campo político, a discussão sobre juros voltou à mesa. O economista Lara Resende
propôs uma Selic de 7,5% em 12 meses, mas integrantes do governo disseram que não
há reunião marcada dele com o presidente, como a Folha mostrou em [Lara Resende propõe Selic a 7,5% em 12 meses, mas não há reunião marcada com Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lara-resende-selic/).
A decisão sobre a Selic cabe ao Copom, que tem autonomia legal em relação ao governo.

## Quando sai a decisão e onde conferir

O comunicado do Copom é publicado no site do Banco Central logo depois do fim da
reunião, e a [página do Copom](https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/copom) traz
o calendário e as atas anteriores. A ata da reunião sai na terça-feira seguinte 
e detalha como cada diretor votou. A Folha atualiza esta reportagem com o resultado
da Selic e com o fechamento do dólar assim que forem divulgados.
