# Como se vota em Israel: Chiquini mostra a urna de papel e diz preferir a eletrônica

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- Published: 2026-11-02T12:47:09-03:00
- Author: Caio Menezes

Como se vota em Israel virou assunto no Brasil depois de um vídeo de 20 segundos
publicado nesta segunda-feira (2) pelo deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (
Novo-PR). Diante de uma cabine azul com a bandeira israelense, ele diz que o país
está “atrasado” e comenta o voto “no papelzinho”. A legenda é “Prefiro a urna eletrônica”.
Israel não tem urna eletrônica: o eleitor vota em papel, o partido ganha cadeiras
pela proporção de votos e a contagem é feita à mão. O governo que sai da eleição
de 27 de outubro ainda não está formado.

Vídeo publicado por Jeffrey Chiquini nesta segunda-feira (2), em cabine de votação
com a bandeira de Israel. A Folha não identificou o local. Vídeo: Jeffrey Chiquini.

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/como-se-vota-em-israel/#)

 * [O que Chiquini mostra no vídeo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/como-se-vota-em-israel/#O_que_Chiquini_mostra_no_video)
 * [Como se vota em Israel, passo a passo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/como-se-vota-em-israel/#Como_se_vota_em_Israel_passo_a_passo)
 * [Como as 120 cadeiras do Knesset são distribuídas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/como-se-vota-em-israel/#Como_as_120_cadeiras_do_Knesset_sao_distribuidas)
 * [Quem forma o governo depois da votação](https://folhadepatrocinio.com/noticias/como-se-vota-em-israel/#Quem_forma_o_governo_depois_da_votacao)
 * [O que muda em relação ao Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/como-se-vota-em-israel/#O_que_muda_em_relacao_ao_Brasil)

## O que Chiquini mostra no vídeo

A gravação tem pouco menos de 21 segundos e foi feita pelo próprio deputado, em 
modo selfie. Ele aparece ao lado de uma cabine azul, com a estrela de Davi, e de
um homem de terno que acompanha a cena. Pelo que se ouve, Chiquini diz que Israel“
não tem tecnologia”, pede que o espectador veja “como Israel vota” e conclui que“
isso aqui está atrasado”, em referência ao voto “no papelzinho”. Perto do fim, ele
mostra a abertura da urna de papel.

O vídeo não mostra eleitor votando nem a contagem, e a Folha não conseguiu saber
onde ele foi gravado. O deputado está em viagem a Israel, onde esteve no Parlamento,
o Knesset, segundo o que a Folha já [publicou sobre a passagem de Chiquini em Israel](https://folhadepatrocinio.com/noticias/chiquini-em-israel/).
Na mesma viagem, ele [comparou o PT ao nazismo em visita a um museu](https://folhadepatrocinio.com/noticias/chiquini-compara-pt-ao-nazismo/).

![Como se vota em Israel: cabine azul com a bandeira de Israel no vídeo de Chiquini](
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Cabine azul com a bandeira de Israel, mostrada no vídeo de Chiquini. Foto: reprodução
de vídeo de Jeffrey Chiquini.

## Como se vota em Israel, passo a passo

O eleitor apresenta um documento com foto na seção em que está registrado e recebe
um envelope. Na cabine, escolhe uma ficha de papel com as letras do partido, coloca
no envelope, fecha e deposita na urna. O voto é em lista, e não em candidato: a 
ficha leva a sigla do partido, e não o nome de uma pessoa. Se o envelope tiver duas
fichas de partidos diferentes, o voto é anulado.

Quem não vota na sua seção, como pacientes de hospital, presos e policiais em serviço,
usa um envelope duplo, e esses votos só são abertos e contados depois dos demais,
numa apuração à parte. A contagem é manual e depois digitada num sistema que não
é conectado à internet. Quem divulga o resultado é o Comitê Central de Eleições.
O dia da votação é feriado nacional, e o voto não é obrigatório.

O governo israelense explica a escolha pelo papel como uma forma de reduzir o risco
de ataque cibernético, segundo o [guia oficial do Comitê Central de Eleições](https://www.gov.il/apps/elections/eng/about/ElectoralSystemCec_eng.html).
Israel tem um setor de tecnologia forte, então manter o papel é uma decisão política,
e não falta de recurso.

## Como as 120 cadeiras do Knesset são distribuídas

O Parlamento de Israel tem 120 cadeiras e uma única circunscrição nacional. Não 
existem distritos nem votação por estado, como no Brasil. Todos os votos do país
entram na mesma conta, e cada lista recebe cadeiras na proporção da votação. Para
entrar, o partido precisa de pelo menos 3,25% dos votos válidos, a chamada cláusula
de barreira. Quem fica abaixo não recebe cadeira, qualquer que seja o número de 
votos.

Na eleição de 27 de outubro, três listas ficaram de fora: os Reservistas (2,7%),
o Povo de Israel (1,7%) e o Público Haredi (0,2%), segundo os números divulgados
pelo Comitê Central de Eleições. A participação foi de 77,9%, com 5.716.665 votos.
O Likud, de Benjamin Netanyahu, ficou com a maior bancada, 27 cadeiras. O bloco 
que apoia Netanyahu somou 53 cadeiras, a oposição somou 48 e os partidos árabes,
19. Nenhum lado chegou às 61 cadeiras que formam a maioria. Os resultados oficiais
seguem ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro, e o novo Knesset toma posse 
em 10 de novembro.

## Quem forma o governo depois da votação

O primeiro-ministro não sai direto da urna. Depois da apuração, o presidente consulta
os partidos e indica o parlamentar com mais chances de montar uma maioria. Esse 
nome tem até 42 dias para negociar uma coalizão e precisa de 61 votos no Knesset
para o governo tomar posse. Se não conseguir, o presidente pode passar a tarefa 
a outro parlamentar, e, se o prazo se esgotar sem governo, o país pode ter nova 
eleição. Nenhum partido israelense governou sozinho até hoje, e por isso o governo
sempre sai de uma coalizão.

## O que muda em relação ao Brasil

No Brasil, o voto é obrigatório e eletrônico, e o eleitor escolhe candidatos de 
seu estado. A urna eletrônica foi adotada em 1996 e hoje é usada em todo o país.
Brasileiros no exterior também votam em urna eletrônica, nos consulados. A [parcial do exterior no segundo turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/parcial-do-exterior/)
mostra como esse voto aparece na apuração. A comparação do vídeo coloca lado a lado
dois modelos: no brasileiro, o voto é registrado numa máquina, e no israelense, 
num papel contado por pessoas.

O vídeo não diz onde a cabine fica nem em que ocasião foi gravado. A Folha não localizou
resposta de Chiquini sobre o trecho em que ele fala em tecnologia, e o espaço segue
aberto para ele.
