# Cartão corporativo da Presidência gastou R$ 84,5 milhões. Para onde foi o dinheiro?

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- Published: 2026-11-04T16:44:36-03:00
- Author: Caio Menezes

O **cartão corporativo da Presidência** da República somou R$ 84,5 milhões em gastos
entre janeiro de 2023 e a fatura de agosto de 2026, e o contribuinte não consegue
saber em que foi gasta quase a totalidade desse dinheiro. No Portal da Transparência,
mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU), R$ 83,4 milhões, ou 98,6% do total,
aparecem com o fornecedor marcado como “sigiloso”. Nessas linhas o portal mostra
só o mês, o valor e o órgão que pagou. Não aparecem o servidor que usou o cartão,
o dia da compra, quem recebeu o pagamento nem o que foi comprado.

O governo diz que cumpre a lei. Em janeiro deste ano, a Secretaria de Comunicação
Social (Secom) afirmou que o sigilo “segue a lei e é temporário”. Pela Lei de Acesso
à Informação, o dado que pode pôr em risco a segurança do presidente, do vice e 
das famílias fica reservado até o fim do mandato, ou até o fim do último mandato
em caso de reeleição. Com a vitória de Lula em 25 de outubro, a abertura das faturas
desses quatro anos só pode ocorrer a partir de janeiro de 2031. A Secom também afirma
que nem o presidente nem a primeira-dama, Janja Lula da Silva, têm cartão, e que
as compras são feitas por servidores da Presidência.

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cartao-corporativo-da-presidencia/#)

 * [Quanto o cartão corporativo da Presidência gastou por ano](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cartao-corporativo-da-presidencia/#Quanto_o_cartao_corporativo_da_Presidencia_gastou_por_ano)
 * [Quem usou o dinheiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cartao-corporativo-da-presidencia/#Quem_usou_o_dinheiro)
 * [O que diz a lei sobre o sigilo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cartao-corporativo-da-presidencia/#O_que_diz_a_lei_sobre_o_sigilo)
 * [A briga da campanha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cartao-corporativo-da-presidencia/#A_briga_da_campanha)
 * [Como conferir os gastos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cartao-corporativo-da-presidencia/#Como_conferir_os_gastos)

## Quanto o cartão corporativo da Presidência gastou por ano

Os valores são do próprio Portal da Transparência e cobrem as faturas pagas até 
agosto:

 * 2023: R$ 24,3 milhões;
 * 2024: R$ 26,6 milhões;
 * 2025: R$ 23,1 milhões;
 * 2026, até agosto: R$ 10,5 milhões.

A média passa de R$ 1,9 milhão por mês. O ano mais caro foi 2024, e 2026 caminha
para fechar abaixo dos anteriores, se o ritmo dos oito primeiros meses se mantiver
até dezembro.

## Quem usou o dinheiro

A maior parte da conta sai das duas unidades da Secretaria de Administração da Presidência,
que somam R$ 54,4 milhões. Ela cuida da estrutura do Palácio do Planalto, do Palácio
da Alvorada, da Granja do Torto e das viagens oficiais. Em seguida vêm a Agência
Brasileira de Inteligência (Abin), com R$ 16,4 milhões, e o Gabinete de Segurança
Institucional (GSI), responsável pela segurança do presidente, com R$ 11,8 milhões.
A Vice-Presidência, de Geraldo Alckmin, gastou R$ 1,3 milhão no período.

Do pedaço que não está sob sigilo, cerca de R$ 1,2 milhão, o portal mostra despesas
com alimentação, gêneros alimentícios, hospedagem, aluguel de veículos e material
de limpeza. Nas linhas sigilosas, que são quase todas, não há como saber se o gasto
foi com hotel, restaurante, combustível ou outro serviço.

![Mão de terno aproxima cartão dourado sem marca de maquininha em balcão de hotel,
cena sobre o cartão corporativo da Presidência](https://folhadepatrocinio.com/wp-
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As faturas sigilosas não informam se a compra foi em hotel, restaurante ou outro
serviço. Ilustração gerada por IA (Gemini), não é foto do fato.

## O que diz a lei sobre o sigilo

A regra está no artigo 24 da [Lei 12.527/2011, a Lei de Acesso à Informação](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm).
O parágrafo 2º manda classificar como reservadas as informações que possam pôr em
risco a segurança do presidente, do vice-presidente e de seus familiares. Foi pelo
fim do mandato que, em janeiro de 2023, as faturas do cartão de Jair Bolsonaro puderam
ser abertas.

Na prática, a exceção virou quase regra. Uma auditoria do Tribunal de Contas da 
União (TCU) já tinha apontado que, de janeiro de 2023 a abril de 2025, 99,55% dos
R$ 55,4 milhões gastos no cartão da Presidência estavam classificados como sigilosos
ou reservados. Em julho de 2025, o tribunal registrou falhas repetidas de transparência,
como a falta de detalhamento por tipo de despesa e de acesso às notas fiscais, e
deu prazo para a Presidência apresentar um plano de correção. O TCU também cobra
da Casa Civil a publicação de uma tabela com os gastos por categoria. O processo
de fiscalização continua aberto.

## A briga da campanha

O tema voltou com força na reta final do segundo turno. Em 23 de outubro, a campanha
de Flávio Bolsonaro (PL) entregou ao Tribunal Superior Eleitoral autorizações para
a quebra dos próprios sigilos bancário e telefônico e desafiou Lula a abrir os gastos
do cartão e os registros de visitas ao gabinete presidencial, como a Folha mostrou
em [Flávio aceita desafio de Lula e autoriza 20 anos de sigilos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-aceita-desafio-de-lula/).
A campanha de Lula disse que entregou ao TSE os dados que tinha de entregar. A troca
de documentos entre os dois lados está em [Sigilos no TSE](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilos-no-tse/)
e em [Documentos de Lula no TSE](https://folhadepatrocinio.com/noticias/documentos-de-lula-no-tse/).

Passada a eleição, o sigilo segue igual. Nenhum ato do governo mudou a classificação
das faturas, e a agenda de viagens do presidente até dezembro, com COP31, Mercosul
e G20, deve continuar pesando na conta de hospedagem e alimentação. O roteiro está
em [Viagens de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/viagens-de-lula/).

## Como conferir os gastos

Qualquer pessoa pode consultar os números, sem cadastro, na área de [cartões de pagamento do Portal da Transparência](https://portaldatransparencia.gov.br/cartoes/consulta).
Basta filtrar pelo órgão Presidência da República e pelo período. As linhas com 
fornecedor “sigiloso” mostram só o mês e o valor. Quem quiser mais detalhe pode 
fazer um pedido pela Lei de Acesso à Informação na plataforma Fala.BR. Para as despesas
já classificadas, o pedido pode ser negado com base no artigo 24.
