# Calamidade financeira em Minas: Valadares e Berilo decretaram, e AMM culpa R$ 28,6 bilhões em incentivos do Estado

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- Published: 2026-10-30T17:35:26-03:00
- Author: Caio Menezes

A calamidade financeira em Minas já está no papel em pelo menos duas cidades. As
prefeituras de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e de Berilo, no Vale do
Jequitinhonha, publicaram em 2026 decretos que reconhecem que as contas não fecham.
Ao mesmo tempo, a Associação Mineira de Municípios (AMM) calcula que as prefeituras
deixaram de receber R$ 28,6 bilhões desde 2020 por causa dos incentivos fiscais 
concedidos pelo governo do Estado.

O governo de Minas rebate com outro número: diz que paga em dia, há sete anos, os
repasses de impostos que a Constituição garante aos municípios, e que transferiu
R$ 28,05 bilhões às prefeituras só em 2025.

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 * [Os decretos de Valadares e de Berilo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/calamidade-financeira-em-minas/#Os_decretos_de_Valadares_e_de_Berilo)
 * [Calamidade financeira em Minas: o que muda com o decreto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/calamidade-financeira-em-minas/#Calamidade_financeira_em_Minas_o_que_muda_com_o_decreto)
 * [A conta da AMM sobre os incentivos do Estado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/calamidade-financeira-em-minas/#A_conta_da_AMM_sobre_os_incentivos_do_Estado)
 * [O que diz o governo de Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/calamidade-financeira-em-minas/#O_que_diz_o_governo_de_Minas)

## Os decretos de Valadares e de Berilo

Em Governador Valadares, o Decreto 12.504, de 27 de agosto, declarou calamidade 
financeira e fiscal por 180 dias. O motivo apontado pela prefeitura, comandada por
Coronel Sandro (PL), é o gasto com pessoal acima do limite fixado pela Lei de Responsabilidade
Fiscal. O decreto manda revisar contratos e convênios, suspende novas contratações,
corta horas extras e limita diárias e passagens de servidores.

Em Berilo, o Decreto 022/2026 foi publicado em 23 de abril. O texto declara calamidade
financeira, cria um regime excepcional de gestão fiscal e prevê medidas de ajuste
para reequilibrar as contas da prefeitura.

Nas redes, Jenipapo de Minas também aparece na lista de cidades em calamidade financeira.
A Folha não encontrou decreto de calamidade financeira de Jenipapo de Minas nos 
registros públicos consultados até a publicação desta reportagem.

## Calamidade financeira em Minas: o que muda com o decreto

O decreto municipal reconhece a dificuldade e serve de base para cortes e renegociações,
mas não apaga dívidas nem obriga fornecedores a aceitar atraso. As folgas previstas
na [Lei de Responsabilidade Fiscal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm),
como a suspensão de prazos para reduzir o gasto com pessoal, só valem para um município
quando a Assembleia Legislativa reconhece a calamidade, como manda o artigo 65 da
lei.

É diferente da situação de emergência, usada em desastres e crises agrícolas. Patrocínio,
por exemplo, decretou em setembro emergência no agro por 180 dias, como a Folha 
mostrou na reportagem sobre a [emergência no agro de Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/emergencia-no-agro-de-patrocinio/).
Aquele decreto trata do setor agropecuário, e não das contas da prefeitura.

## A conta da AMM sobre os incentivos do Estado

Numa nota técnica divulgada em 11 de setembro, a AMM somou os incentivos e benefícios
fiscais previstos nas leis de diretrizes orçamentárias de Minas de 2020 a 2026. 
Pelo levantamento, o Estado abriu mão de R$ 102,4 bilhões em receita no período,
sendo R$ 90,4 bilhões de ICMS e R$ 12 bilhões de IPVA.

Como a Constituição garante aos municípios 25% do ICMS e 50% do IPVA, a associação
estima que R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar às prefeituras. A renúncia cresceu
ano a ano: era de R$ 6,9 bilhões em 2020, passou a R$ 7,9 bilhões em 2021, chegou
a R$ 21,8 bilhões em 2025 e tem projeção de R$ 25,2 bilhões para 2026.

A AMM reconhece que os incentivos podem atrair empresas e investimento, mas afirma
que o ganho fica concentrado nas cidades que recebem as fábricas, enquanto a perda
de receita é dividida por todas. Minas tem 853 municípios, a maior parte com menos
de 10 mil habitantes. A entidade pediu aos candidatos ao governo a revisão das renúncias,
compensação às prefeituras e mais transparência sobre quem recebe os benefícios.

## O que diz o governo de Minas

A Secretaria de Estado de Fazenda (SEF/MG) afirma que 2026 completa sete anos seguidos
de repasses constitucionais pagos em dia. Em 2025, segundo a pasta, foram R$ 28,05
bilhões às prefeituras, sendo R$ 21,58 bilhões de ICMS e R$ 6,47 bilhões de IPVA,
além de R$ 14,99 bilhões ao Fundeb, dos quais cerca de 56% voltaram às cidades.

A secretaria lembra que, em 2019, o Estado devia cerca de R$ 7 bilhões em repasses
atrasados aos municípios. O acordo com a AMM previa 33 parcelas e foi quitado em
junho de 2022, antes do prazo. Quando a nota técnica sobre as renúncias foi divulgada,
em setembro, o governo não comentou o cálculo da associação, segundo reportagens
da época.

A dúvida sobre o caixa estadual em janeiro, quando o novo governador assume, foi
tema da reportagem da Folha sobre os [salários dos servidores de Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/salarios-dos-servidores-de-minas/).
E a reforma tributária, que vai substituir o ICMS pelo novo imposto sobre bens e
serviços, muda a forma de dividir a arrecadação nos próximos anos, tema da matéria
sobre o [maior IVA do mundo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/).
