# Bolsonaro na CPI da Covid: STF arquivou em julho a notícia-crime da ligação com Kajuru, mas outras apurações seguem

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- Published: 2026-11-03T16:20:14-03:00
- Author: Caio Menezes

A acusação contra Jair Bolsonaro na CPI da Covid por causa da ligação com o senador
Jorge Kajuru está arquivada desde 14 de julho. Naquele dia, o ministro Kassio Nunes
Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu o parecer da Procuradoria-Geral
da República (PGR), que não viu indício de corrupção ativa nem de advocacia administrativa
na conversa. A decisão voltou a circular nas redes nesta semana, em posts que tratam
o ex-presidente como “inocente”.

O arquivamento encerra só essa acusação. Outras apurações ligadas à pandemia continuam
abertas, e uma delas voltou a andar em outubro, por ordem do presidente do STF, 
Edson Fachin.

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 * [O que dizia a acusação contra Bolsonaro na CPI da Covid](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bolsonaro-na-cpi-da-covid/#O_que_dizia_a_acusacao_contra_Bolsonaro_na_CPI_da_Covid)
 * [Por que a PGR pediu o arquivamento](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bolsonaro-na-cpi-da-covid/#Por_que_a_PGR_pediu_o_arquivamento)
 * [Não é absolvição geral](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bolsonaro-na-cpi-da-covid/#Nao_e_absolvicao_geral)
 * [Outros processos de Bolsonaro no STF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bolsonaro-na-cpi-da-covid/#Outros_processos_de_Bolsonaro_no_STF)

## O que dizia a acusação contra Bolsonaro na CPI da Covid

O caso nasceu em abril de 2021, quando veio a público uma conversa telefônica entre
Bolsonaro, então presidente, e Kajuru. O próprio senador gravou a ligação e divulgou
o áudio. Na ligação, Bolsonaro defendeu que a CPI, instalada no Senado para investigar
a resposta do governo à pandemia, também apurasse a conduta de governadores e prefeitos.

Deputados do PSOL levaram uma notícia-crime ao STF. Para eles, a conversa era uma
tentativa de interferir nos trabalhos da comissão, e o presidente estaria pressionando
o senador em troca de apoio político. Pediram que Bolsonaro fosse investigado por
corrupção ativa e por advocacia administrativa, crime de quem usa o cargo para defender
interesse privado dentro da administração.

## Por que a PGR pediu o arquivamento

A Procuradoria concluiu que o diálogo foi uma conversa informal e privada, sem finalidade
criminosa. Segundo o parecer, assinado ainda na gestão de Augusto Aras, não houve
oferta nem promessa de vantagem indevida ao senador, que é o que caracteriza a corrupção
ativa.

Nunes Marques seguiu a PGR. Na decisão, o ministro lembrou que cabe ao Ministério
Público decidir se existe base para abrir uma investigação criminal, e que o Judiciário
não pode tomar o lugar do órgão acusador quando ele pede o arquivamento.

## Não é absolvição geral

Arquivar uma notícia-crime não é o mesmo que absolver. Não houve processo nem julgamento:
o que o STF decidiu é que aquela conversa, sozinha, não justificava abrir investigação
pelos dois crimes apontados.

A CPI funcionou de abril a outubro de 2021. O relatório final, do senador Renan 
Calheiros, atribuiu a Bolsonaro nove crimes, entre eles prevaricação, charlatanismo
e epidemia com resultado morte, e foi enviado à PGR e a outros órgãos. Nenhum desses
pedidos depende da ligação com Kajuru, e parte deles segue em apuração.

Em 7 de outubro de 2026, Fachin deu cinco dias para a PGR dizer se mantinha o pedido
de arquivamento do inquérito sobre a divulgação de informações falsas pelo ex-presidente
durante a pandemia. O ministro citou o tempo parado do caso e informações novas 
que a Polícia Federal obteve nos Estados Unidos. A ordem não reabriu a investigação;
pediu uma nova análise. Até esta terça-feira (3), não havia notícia pública da resposta
da Procuradoria.

No fim de outubro, Fachin também arquivou três linhas do inquérito das fake news
e disse que pretende encerrar o inquérito inteiro, analisando cada procedimento.
Esse movimento é separado do caso da pandemia.

## Outros processos de Bolsonaro no STF

O ex-presidente cumpre pena pela condenação na trama golpista e tenta reverter a
decisão. No fim de outubro, Nunes Marques deu dez dias à PGR para se manifestar 
sobre o [pedido de revisão criminal de Bolsonaro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/revisao-criminal-de-bolsonaro/).
No Senado, Cleitinho levou [uma foto do ex-presidente à tribuna](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cleitinho-e-bolsonaro/).
E Fachin, que agora cobra a PGR no caso da pandemia, arquivou recentemente outro
[pedido, contra Alexandre de Moraes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pedido-contra-moraes/).

A tramitação dos processos pode ser consultada no [portal do Supremo Tribunal Federal](https://portal.stf.jus.br/).
