# Audiência das bets no STF: Fux ouve 34 expositores e termina sem decisão, enquanto Lula pede que o país acompanhe

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/
- Published: 2026-11-03T13:39:55-03:00
- Author: Caio Menezes

A audiência das bets no STF terminou por volta das 13h desta terça-feira (3) sem
decisão sobre a proibição das apostas de cota fixa. Convocada pelo ministro Luiz
Fux, relator da ADI 8027, ela começou às 10h com 34 expositores, entre representantes
do governo, de clubes de futebol e de empresas do setor, e estava prevista para 
ir até as 17h30.

Horas antes, em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Lula pediu que a
sociedade acompanhasse a audiência e questionou a composição dos convidados. A queixa
se soma a outras que já circulavam sobre quem o Supremo escolheu ouvir.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/#)

 * [O que o Supremo discute: a MP 1.394/2026 e a ADI 8027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/#O_que_o_Supremo_discute_a_MP_13942026_e_a_ADI_8027)
 * [Quem falou e o que disse](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/#Quem_falou_e_o_que_disse)
 * [A polêmica sobre a lista de convidados](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/#A_polemica_sobre_a_lista_de_convidados)
 * [O que muda para o consumidor](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/#O_que_muda_para_o_consumidor)
 * [O que falta para o STF decidir](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audiencia-das-bets-no-stf/#O_que_falta_para_o_STF_decidir)

## O que o Supremo discute: a MP 1.394/2026 e a ADI 8027

A medida provisória 1.394/2026, editada em setembro, proibiu as apostas de cota 
fixa em todo o país. A ação que levou o caso ao plenário foi apresentada pela Associação
Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que pede ao STF que declare a MP inconstitucional
e a Lei das Bets válida. Depois da edição da MP, a Advocacia-Geral da União (AGU)
pediu a Fux que avaliasse a necessidade de uma nova audiência. Outras três ações,
as ADIs 8024, 8028 e 8035, questionam a mesma norma.

É a segunda audiência pública do tema. A primeira, em novembro de 2024, ouviu mais
de 50 especialistas e representantes sobre a Lei 14.790/2023, a Lei das Bets. Na
ocasião, falaram entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria, o Instituto
Alana e a Educafro, que trataram de jogo patológico e de endividamento de famílias
de baixa renda. Cada entidade teve dez minutos nesta terça, e a sessão foi transmitida
pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube, como informou o próprio [portal de notícias do STF](https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-realiza-nesta-terca-3-audiencia-publica-sobre-proibicao-das-bets/).

A Folha já acompanhava o caso. Quando a proibição foi anunciada, mostramos que [a MP previa tirar os sites do ar em 6 de outubro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/proibicao-das-bets/),
e depois que [Fux avaliava adiar a decisão para depois do segundo turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mp-das-bets/).

![Lula posa com participantes de reunião sobre bets no Planalto, antes da audiência
das bets no STF](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/audiencia-
das-bets-no-stf-2.webp)

Lula em reunião sobre as bets no Palácio do Planalto, em 1º de setembro. Foto: Lula
Oficial

## Quem falou e o que disse

Na abertura, Fux respondeu às críticas de que teria chamado só empresas e clubes:“
Não procede a alegação de que eu só convoquei empresas e times de futebol”. O ministro
lembrou que entidades contrárias às bets já tiveram amplo espaço de fala na audiência
de 2024 e disse que agora precisa ouvir argumentos que a MP trouxe, como confiança
legítima, segurança jurídica e reflexos econômicos e de segurança pública.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu a constitucionalidade da medida.
Ele afirmou que a regulamentação não bastou para conter os efeitos das apostas na
saúde pública e nas famílias, e citou R$ 620 bilhões apostados em plataformas autorizadas
em 2025, com receita de R$ 36,9 bilhões para as operadoras. O ministro da Justiça,
Wellington César Lima e Silva, disse que 10,9 milhões de brasileiros apostam de 
forma arriscada e que 1,4 milhão mostram sinais de transtorno do jogo. A primeira-
dama Janja Lula da Silva entregou a Fux um relatório sobre o peso das apostas no
orçamento das famílias.

Do outro lado, os clubes falaram em dinheiro. O Flamengo estimou uma perda de cerca
de R$ 430 milhões por ano em receitas do futebol e dos esportes olímpicos e disse
que tem mais de 1.200 empregados que podem ser afetados. O São Paulo informou ter
recebido cerca de R$ 101 milhões em patrocínios ligados ao setor entre janeiro e
setembro, em torno de 30% da receita do período. A federação dos atletas profissionais,
a Fenapaf, falou em mais de 88 mil jogadores e disse que repasses a que eles teriam
direito não saíram por entraves burocráticos. Botafogo e Fluminense criticaram o
prazo de transição de dez dias. Como a Folha mostrou, os clubes já tinham se mobilizado,
com o [manifesto de Atlético, Cruzeiro e América sobre as bets](https://folhadepatrocinio.com/noticias/manifesto-sobre-as-bets/).

## A polêmica sobre a lista de convidados

A lista de expositores cresceu de 26 para 28 e, por fim, para 34 nomes. Um levantamento
divulgado antes da audiência apontou que ao menos 22 dos 34 se posicionaram contra
a proibição. A AGU pediu a revisão da lista, com o argumento de que ela concentrava
representantes de clubes e de empresas de apostas. Oito entidades de defesa do consumidor
assinaram uma nota reclamando da ausência de representantes dos apostadores, e o
Idec, que pediu um lugar, não foi incluído. Outras 39 organizações, entre elas o
Instituto Alana, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Oxfam Brasil, pediram uma
composição mais plural ou uma sessão complementar. A deputada Erika Hilton (PSOL-
SP) também chamou a atenção para o peso dos convidados favoráveis às apostas.

## O que muda para o consumidor

Por enquanto, nada na prática: a audiência serve para o relator colher argumentos,
e a Folha não encontrou decisão do STF que suspenda ou mantenha a MP. Quem tem reclamação
contra uma plataforma de apostas, como cobrança indevida ou dificuldade para sacar
um valor, pode registrá-la no Procon Municipal de Patrocínio, que atende os consumidores
da cidade.

## O que falta para o STF decidir

Os ministros ainda precisam julgar as ações. A Folha não encontrou data marcada 
para o julgamento nem manifestação de Fux sobre o que fará com o material colhido.
A Folha atualiza esta reportagem quando houver decisão ou nova data.
