# TCU aprova alíquota da CBS em 11,3% para 2027; Senado decide até 15 de dezembro

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- Published: 2026-10-28T21:56:20-03:00
- Author: Caio Menezes

A alíquota da CBS de referência para 2027 ficou em 11,3%, pelo cálculo que o plenário
do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (
28), em sessão extraordinária. O resultado bruto foi de 11,3468% e foi arredondado.
O valor agora segue para o Senado, que fixa o percentual por resolução até 15 de
dezembro. Se os senadores não decidirem no prazo, vale o que o TCU calculou.

O valor vem sendo apresentado como um “imposto de 11,3%”, mas a conta não é tão 
direta: esse é o percentual de referência, e boa parte dos produtos e serviços paga
menos que isso.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#)

 * [O que o TCU aprovou](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#O_que_o_TCU_aprovou)
 * [Como o TCU chegou a 11,3%](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#Como_o_TCU_chegou_a_113)
 * [Por que ficou acima das estimativas anteriores](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#Por_que_ficou_acima_das_estimativas_anteriores)
 * [O que a data tem a ver com a eleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#O_que_a_data_tem_a_ver_com_a_eleicao)
 * [O que muda e quando](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#O_que_muda_e_quando)
 * [O que vem agora](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/#O_que_vem_agora)

## O que o TCU aprovou

O plenário aprovou o cálculo da alíquota de referência da CBS (Contribuição sobre
Bens e Serviços) e um redutor para as compras do poder público. O relator foi o 
ministro Vital do Rêgo, e o processo tem o número TC 006.529/2026-7. O resultado
de 11,3468% foi arredondado para 11,3%. O redutor, que vale para as aquisições da
administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas, inclusive
nas importações, é de 44,16%, número que algumas publicações arredondam para 44,2%.

Segundo o relator, o objetivo não foi buscar a maior arrecadação possível nem a 
menor alíquota imaginável, e sim o percentual que assegura a equivalência exigida
pela Constituição. O ministro Augusto Nardes pediu atenção aos microempreendedores
individuais (MEI) e citou o risco de aumento da informalidade.

## Como o TCU chegou a 11,3%

A conta parte de uma regra da reforma: a CBS não pode arrecadar mais nem menos do
que os tributos que ela substitui. O TCU usou a média das razões anuais entre a 
receita de referência da União e o PIB de 2012 a 2021. Essa receita de referência
reúne PIS, Cofins, IPI e IOF-Seguros, com multas e juros. Segundo o tribunal, a 
CBS não aumenta nem reduz a carga dos tributos que ela substitui.

O percentual de referência sai alto porque a lei prevê alíquotas reduzidas, regimes
específicos, tratamento próprio para o Simples Nacional, mecanismos de ressarcimento
e créditos. Com mais tratamentos favorecidos, a alíquota geral precisa ser mais 
alta para manter a arrecadação no mesmo nível. A [Lei Complementar 214/2025](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm),
sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2025, prevê alíquota zero para os 
itens da cesta básica nacional e redução de 60% para serviços de saúde e de educação,
entre outros casos.

## Por que ficou acima das estimativas anteriores

Em 2024, o Ministério da Fazenda estimou uma alíquota média de 26,5% para os dois
tributos novos, dividida em 8,8% de CBS e 17,7% de IBS. Neste ano, o Comitê Gestor
do IBS, que reúne estados e municípios, calculou uma carga de 27,91% para o IVA 
dual, com 9,21% de CBS e 18,70% de IBS, números que não eram oficiais. A Receita
Federal enviou ao TCU em 14 de setembro apenas o modelo de cálculo e disse não ter
uma estimativa prévia da alíquota.

O 11,3% do TCU fica cerca de 2,5 pontos percentuais acima dos 8,8% da Fazenda e 
2,09 acima dos 9,21% do comitê. A estimativa de 8,8% foi citada pela Folha na reportagem
sobre a [taxa das blusinhas e a CBS em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/taxa-das-blusinhas-cbs-2027/).
Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou nota da Fazenda nem da Receita
sobre o valor aprovado.

## O que a data tem a ver com a eleição

O cálculo foi aprovado três dias depois do segundo turno, e isso levou parte das
publicações a ligar uma coisa à outra. O calendário, porém, é o da lei. A Receita
disse em setembro que os prazos fazem parte do calendário previsto em lei, o TCU
tinha até 30 de outubro para mandar o cálculo ao Senado, e a decisão de 28 de outubro
ficou dentro desse limite. Nos documentos e nas informações oficiais consultadas
pela Folha, nada indica que o resultado tenha sido segurado ou antecipado por causa
da eleição.

## O que muda e quando

A CBS substitui o PIS/Pasep e a Cofins e passa a ser cobrada em 2027. A transição
do novo sistema de tributos sobre o consumo vai até 2033. O IBS, que reúne o ICMS
estadual e o ISS municipal, entra de forma mais lenta. Para o consumidor, o efeito
não é um imposto novo de 11,3% sobre tudo o que se compra: cada produto ou serviço
paga a alíquota de referência, uma alíquota reduzida ou nenhuma, conforme a lista
da lei, e o preço final depende também do IBS.

No campo, o assunto já foi discutido em Patrocínio (MG), como a Folha mostrou na
reportagem sobre o painel da [reforma tributária no agro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/reforma-tributaria-no-agro/).
Outra mudança de imposto prevista para 2027 atinge os kits de carros importados,
assunto da matéria sobre o [imposto de carros elétricos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/imposto-de-carros-eletricos/).

## O que vem agora

O acórdão vai ao Senado, que tem até 15 de dezembro para votar e publicar a resolução
com a alíquota de referência de 2027. Se não houver decisão no prazo, o cálculo 
do TCU passa a valer. Se o Senado aprovar depois valores diferentes, os novos percentuais
valem a partir do segundo mês seguinte à aprovação, respeitada a regra da anterioridade.

Os documentos do processo e as notícias do tema estão no [painel da reforma tributária do TCU](https://sites.tcu.gov.br/reforma-tributaria/).
A Folha atualiza esta matéria quando o Senado se manifestar ou quando a Fazenda 
e a Receita comentarem o valor.
