# Segunda Turma do STF forma maioria pelo afastamento de Andrei Rodrigues, mas julgamento fica suspenso

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- Published: 2026-09-08T17:50:03-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira(
8) pelo afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, mas o
julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes antes
da conclusão. André Mendonça, relator do caso, Luiz Fux e Nunes Marques já haviam
votado a favor de manter a medida que tirou Rodrigues do comando da PF, enquanto
Dias Toffoli se declarou impedido de participar.

Com o pedido de vista, o processo fica suspenso até Gilmar Mendes devolver o caso
para julgamento, prazo que pode chegar a 90 dias segundo o regimento interno do 
STF. Enquanto isso, a liminar de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues continua 
valendo.

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 * [Por que Mendonça decidiu pelo afastamento de Andrei Rodrigues](https://folhadepatrocinio.com/noticias/afastamento-de-andrei-rodrigues/#Por_que_Mendonca_decidiu_pelo_afastamento_de_Andrei_Rodrigues)
 * [A resposta de Moraes e o impedimento de Toffoli](https://folhadepatrocinio.com/noticias/afastamento-de-andrei-rodrigues/#A_resposta_de_Moraes_e_o_impedimento_de_Toffoli)
 * [O que muda com o pedido de vista de Gilmar Mendes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/afastamento-de-andrei-rodrigues/#O_que_muda_com_o_pedido_de_vista_de_Gilmar_Mendes)

## Por que Mendonça decidiu pelo afastamento de Andrei Rodrigues

Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal ao longo de agosto, com pelo
menos seis relatórios de inteligência produzidos sobre sua atuação. Segundo o ministro,
o advogado-geral da União, Jorge Messias, teria sido acompanhado da mesma forma.
Foi esse conjunto de relatórios que levou Mendonça a decretar o afastamento de Andrei
Rodrigues e do chefe de inteligência da PF, Leandro Almada, sob a alegação de que
a corporação estaria sendo usada para produzir informação sigilosa sobre ministros
do próprio Supremo.

A decisão tem relação direta com a Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas
ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Mendonça já havia tornado
públicas mensagens do celular de Vorcaro que, segundo ele, sugerem contato indevido
entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, incluindo um contrato de R$ 
131 milhões envolvendo o escritório de advocacia da mulher de Moraes. Moraes nega
qualquer contato com Vorcaro.

## A resposta de Moraes e o impedimento de Toffoli

Alexandre de Moraes reagiu tornando público um relatório de inteligência que aponta
o que classificou como abuso de autoridade de Mendonça na condução das investigações
da Compliance Zero. Para Moraes, o próprio Mendonça estaria extrapolando suas funções
ao conduzir diretamente apurações que caberiam à Polícia Federal, e não a um ministro
relator.

Já Dias Toffoli optou por não votar. Ele vem se declarando impedido em decisões 
recentes da Turma sempre que o tema envolve o Banco Master, e manteve essa posição
também no julgamento sobre o afastamento de Andrei Rodrigues.

## O que muda com o pedido de vista de Gilmar Mendes

Mesmo com maioria formada, três dos cinco ministros da Turma a favor de manter a
medida, o julgamento não termina até Gilmar Mendes devolver o processo com seu voto.
Até lá, o placar oficial fica registrado, mas sem efeito prático imediato além da
manutenção da liminar já em vigor. Não é a primeira vez que o embate entre Mendonça
e Moraes chega à Turma: no início de setembro, o mesmo caso já havia gerado um [pedido de afastamento de Moraes formulado por Mendonça a Fachin](https://folhadepatrocinio.com/noticias/afastamento-de-moraes/),
então presidente do STF, e um princípio de confronto entre os dois ministros durante
uma sessão. A crise já vinha de antes: em agosto, o próprio Andrei Rodrigues havia
entrado em atrito com um ministro do STF por causa do [caso do INSS](https://folhadepatrocinio.com/noticias/diretor-geral-da-pf/),
episódio que ajuda a explicar a desconfiança mútua entre a cúpula da PF e parte 
da Corte.

O caso expõe uma crise institucional pouco comum entre ministros do Supremo, com
trocas públicas de relatórios de inteligência e acusações cruzadas de uso indevido
da Polícia Federal. Para a corporação, o impacto imediato é a permanência de Andrei
Rodrigues fora do comando enquanto a Segunda Turma não conclui o julgamento, o que,
pelo prazo regimental da vista, pode se estender por semanas.

Mais informações sobre a composição e o andamento dos julgamentos da Segunda Turma
podem ser consultadas no [site oficial do STF](https://portal.stf.jus.br/).

![Placar da votação da Segunda Turma do STF sobre o afastamento de Andrei Rodrigues
da Polícia Federal](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/09/placar-
segunda-turma-stf-andrei-rodrigues.jpg)

André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram pelo afastamento de Andrei Rodrigues;
Toffoli se declarou impedido e Gilmar Mendes pediu vista. Fotos: STF/Divulgação
