
Na última sext4a5-feira (28), o deputado Carlos Veras (PT-PE) apresentou um projeto de lei que promete ser a salvação dos cinemas de rua no Brasil, com o nome pomposo de “Ainda Estou Aqui”.
Se você pensa que a proposta é uma tentativa legítima de preservar a arte cinematográfica e combater a ditadura das grandes redes de exibição, bom, continue acreditando.
O nome, inspirado no filme brasileiro que concorre ao Oscar, faz mais sentido do que a própria lei: uma lembrança de algo que ainda persiste, mas que se vê cada vez mais sufocado pela modernidade, ou melhor, pelo mercado.
O projeto visa a criação do Cadastro Nacional de Cinemas Tradicionais, como se um banco de dados fosse a chave para salvar essas relíquias culturais.
A proposta tenta dar visibilidade aos cinemas de rua, que há muito tempo perderam a guerra contra os mega complexos de cinema, repletos de blockbusters, pipoca cara e cadeiras reclináveis.
Claro, a esperança é que, com uma ajudinha do governo, essas salas ainda possam competir com os lançamentos que dominam as grandes redes.
O único problema é que, com a inflação crescente e os cortes em cultura, um cadastro parece uma medida um tanto… ambiciosa.
Entre discursos sobre a importância da cultura nacional e a valorização do cinema brasileiro, o projeto nada mais faz do que reafirmar uma velha prática política: fazer barulho sobre algo que está em extinção para agradar a plateia, enquanto o verdadeiro problema continua sendo ignorado.
Afinal, como preservar cinemas de rua quando a própria sobrevivência de espaços culturais está sempre à mercê de novas promessas vazias e cortes de orçamento?
Se o cinema de rua ainda está aqui, é porque a luta contra as grandes redes ainda não se rendeu totalmente.
E, enquanto isso, seguem as promessas de quem nunca deixou de acreditar que a solução está em mais uma legislação que nunca vai sair do papel.